
Zézinho, ah! Zézinho. Sempre o mais animado, o mais esperto, o mais safado. Sempre o que acorda mais cedo, briga mais com os gatos, come menos e brinca mais. Corre para pegar sagui, mata timbú, gatinho perdido pela rua... Sempre o mais cheiroso e barulhento. Sempre nos lembrando que a natureza dele é diferente da natureza canina normal. Ele não se entrega por um prato de comida e nem por uma cama quentinha, não. Ele não se rende aos chamegos normais que qualquer cachorro daria a vida, não. Ele não se intimida diante de hierarquias, convenções, hábitos, não. Ele é indomável por natureza. É dele. Ser livre.
Quando o achei, que dia feliz, chegou em casa e logo se apossou da varanda, do canto mais alto do sofá e do meu coração. Virou meu filho trabalhoso querido, um doce disfarçado de diabinho, um ser peludo que ronrrona e odeia gato, salta muito alto mas não é coelho.
Morar em apartamento com você era fácil, sem muitas tentações, mas foi só nos mudarmos para casa que você mostrou sua natureza Zeziniana e desde então haja vela aqui em casa, haja São Francisco para te proteger. Seu nome está embaixo de todos eles, trabalhando para salvar este ser a quem dei a sorte (ou o azar) de batizar de Zé, José, José Francisco, um legítimo filho de quem nunca foi convencional, um legítimo vira-lata que nunca será domado, apenas amado por seu jeitinho de ser.
Fujão, briguento, nervosinho, arisco, doce, levado, querido, gilosinho, que pela milésima vez fugiu de casa e me deixou assim, neste desespero, colada no portão, andando pela rua de pijama feito uma doida varrida. Ah! serzinho querido que se mistura com a gangue de rua mais safada que existe, se esquece da gente e de sua casa. Estamos te esperando. Com vela acesa, promessa para Seu pai, Seu Chico, e sorrisos querendo se abrir. Lágrimas paradas. Estancadas. Para serem soltas de alegria. Na alegria do seu retorno. Que espero que seja breve.











