segunda-feira, 2 de julho de 2012

Jornada nas Estrelas

Não não sei nada sobre Spok e sua gang estrelar, só tento há dias lembrar o nome de quem dava o saque "jornada nas estrelas" no vôlei. Aquele saque que batia quase no teto do ginásio e voltava certinho para a quadra do adversário. Bernard ou Renan? Não lembro e me recuso a acessar o "oráculo" google. Era um saque emocionante, assim como ver olimpíadas era. Minha mãe nos acordava quando era de madrugada. Lembro do jogo que Brasil de Oscar venceu os americanos no basquete, ele chorava, a gente chorava e gritava junto. Já na Copa de minha infânca lembro do Zico perder um penault. Era a final? É assim que se escreve penault? Não, não vou no google, minha memória há de me ajudar. Eu adoro palavras cruzadas, faço sempre, dizem que é bom para a memória. Mas também não me lembro qual a letra da palma da mão, nem lembro se era esta a pergunta que nas palavras cruzadas me intriga.
Ah! A memória devia ser algo de pura preservação, mas vão saindo coisas que eu achava importante e entram novas, sem tanta importância talvez.
O nome do restaurante que meu pai adorava ir quando morávamos em Higienópolis? Não lembro era "via" alguma coisa, via monte? via o quê? Vou ter que ligar para minha irmã, me recuso a pesquisar no google. Será que o futuro é este, nossa memória ser substituida pelo google? Bernard ou Renan? Via o que? Letra da palma da mão?
Lembro desta época de oitenta e pouco que minha mãe dizia que não podíamos falar com aqueles moços que andavam de terno e moravam numa casa da Rua Maranhão, eles falavam uma língua estranha e eram só homens. Na frente da casa deles tinha uma bandeira vermelha meio com cara de medieval, escrito em dourado, eles iam naquele restaurante que não lembro o nome e não falávam entre si, eu tinha medo. Minha mãe falava que eles faziam "lavagem cerebral" nas crianças que eles pegavam, quantos pesadelos eu tive imaginando como se lava um cérebro. Eles eram estranhos, mas eu gostava de passar na frente da casa deles, eu e minhas amigas achávamos que era mal assombrada. E agora nem lembro o que tinha na bandeira, pode ser um leão? Ou o leão era na Cultura Inglesa que ficava ali pertinho? Ah! Se eu perguntásse para o oráculo saberia...
Nesta mesma época lembro do pai de uma amiga que era bravo, morria de medo de ir brincar na casa dela, certa vez derrubei o varão da cortina de lá brincando de algo que não devia, óbviamente, nossa, fiquei com tanto medo que acho que chorei... Será que existem pais bravos assim hoje em dia? Eu tinha pena dela.
Acho que o nome era Via Castele, comíamos pizza, ou lasagna? Ah! Lembro o restaurante agora e não lembro da comida... Será que podemos ir até lá? Vou ver com minha irmã...
Vai ter Olimpiádas em breve, mas não lembro porque eu gostava de ver, acho que era por estarmos todos juntos, na sala de TV do apartamento grande de taco no chão que entrava farpa no meu pé.
Deste apartamento, lembro que minha mãe mandava a gente dobrar as meias e fazíamos aquelas bolas de meia, sabe? Aí, eu ficava na janela e a Dea deitada no sofá jogando as meias pela janela e eu tinha que ser mais rápida e fechar a janela antes das meias caírem, perdíamos muitas meias pelo 10º andar, e andávamos descalças no chão de taco. Acho que não levávamos bronca por esta brincadeira estúpida. Não lembro.
Mas quem dava aquele saque "jornada nas estrelas" isso ainda vou querer me lembrar, não sei porque, mas ia ser legal lembrar, ele tinha bigode? Era loiro? Ter boa memória nunca foi meu forte. Nunca.

sábado, 16 de junho de 2012

O nada

Hoje eu não quero falar sobre nada, não quero falar de algo ruim ou bom, pois ambos não me cabem hoje, o nada preencheu um espaço significativo. O nada de observar a lagartixa que mora atrás do quadro e sai na calada da noite para se alimentar dos mosquitos, o nada que é a vida dela diante de tudo mais. Observo apenas e lembro de um livro que li, onde a lagartixa narrava a história. Será que ela obsverva tudo e depois vai contar esta história aqui? O que será que ela diria? Escreveria sobre o nada também que minha vida anda? Escreveria sobre a quantidade de mosquitos que nos rondam com os SBP's em nossas mãos?
Será que o nada poderia virar uma história? Que nada para mim hoje é a vida dela, da tal lagartixa que só engorda e mora atrás do quadro que nunca tirei da parede, veio com a casa e não me diz nada. Natureza morta, mortíssima, acho que tem maça e flor no quadro. Para mim? Um nada.
Será que o nada sou eu? Ou o nada é o que nos tornamos quando não fazemos nada? Será que o nada se instala sem percebemos para tomar o lugar do tudo. Será que as palavras que ouço já nada me dizem, nada me chocam?
De madrugada tento achar o nada que me encaixo e lá vem ela a lagartixa se alimentar, ela vai rápido para o outro canto da sala, sai da sua zona de conforto e enfrenta a sala, sai do quadro nada, para comer um mosquito do outro lado de tudo que o nada dela significa. Não mato o mosquito antes, deixo ela se alimentar, nutri o seu nada, alimenta meu nada.
De repente me vejo com inveja da lagartixa, ela foi corajosa, enfrentou o mundo dela, foi até o outro lado do mundo para se alimentar, sobreviver para quê? Que inveja o nada me deu.
Será que um dia vou me sentir cheia de novo? Cheia de vida, de sonhos, de vaidades? Será que dentro do mundo que vivo eu posso me aventurar? Tenho forças para atravessar a minha sala e me alimentar? Eu sou agora a lagartixa e ela é o meu nada, mais nada dos nadas, onde o nada vira tudo para sobreviver, e viver. Ah! Me dá até vontade de chorar imaginar por onde começar meu mundo de novo? Será que ela pode me ensinar algo? Será que ela me diz onde está meu mosquito que me alimente e que não se alimente de mim? A vida atrás do quadro nada. A vida na parede vermelha feia, onde o quadro nada fica, não tem sentido existir, não tem porque continuar ali, mas não vou tirar ele de lá, nunca. Não tenho forças de virar tudo no mundo nada de alguém.
Sei que depois que ela engordar e ficar meio molenga, menos ágil vai virar comida dos meus gatos, que não vão comê-la, vão apenas matá-la para brincar, sei que eu vou ter que um dia pegar a pá de tirá-la de algum canto, sem o rabo e jogá-la fora, no nada.
E isto tudo faz sentido?

quarta-feira, 16 de maio de 2012

A mira laser da Nasa

- Esta mira laser chega até a lua!
- Jura?
- É, é da Nasa, eu posso apontar lá fora e você vai ver um ponto vermelho na lua.
- Faz para eu ver. Duvido.
Ele olha lá fora e diz meio cabisbaixo.
- Hoje não tem lua mas amanhã eu te mostro.
E passou o tempo e nunca mais teve lua para o tal ponto vermelho aparecer lá no céu.

Hoje faz 4 anos que perdi meu pai, faz 4 anos que não tenho conversas assim, fantasiosas e cheias de apetrechos super valorizados, faz 4 anos que uma pontinha de mim fica sempre suspirando, com olhos meio mareados quando vejo algum pai com sua filha, sorrio quando vejo um homem grisalho de suspensório, fico com vontade de ir lá e abraça-lo, mas não faria muito sentido, não aliviaria a falta que ele faz, me seguro. Hoje, há 4 anos, foi o dia mais triste da minha vida, foi o dia que me faltou ar, me faltou chão, me faltou meu mundo. Mas mesmo assim hoje, eu queria voltar estes 4 anos para tocá-lo pela última vez, mesmo com ele inconsciente, mesmo sabendo que tudo o que viria depois seria sofrido demais, eu queria um último beijo de boa noite. Mas hoje só vou poder ver se a lua está com algum pontinho vermelho no céu, se ela aparecer.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Depois de 1 mês

Ah! Foi tão rápido! Eu vim para São Paulo toda chorosa com saudades e medos, mas me viro tão bem aqui que posso falar? Senti falta só do meu nêgo e do meu Zézinho. Ah, do calor também, do meu shorts jeans gostoso de vestir. Senti falta do pilates e do mar. Amei ver o Ju por dias e dias, rir com ele e aprender tudo o que ele me ensina, amei ver Kelzinha e suas histórias da filhota, amei ver a Clau e a Ana, o Luquinha e a Paulete. Amei cada segundinho da companhia de vocês. Fiquei triste por não ver a Vivi. E as pessoas novas e incríveis que conheci? Ah! Foi ótimo trabalhar com elas. A minha afilhada que apesar de eu ver tão pouco, somos unha e carne, mega amigas e queridas. Duas princesas basicamente. Eu e ela. Adorei ficar com minha mãe e suas peruadas, fazer máscara de botox em pleno shopping é algo que só com ela eu passo este vexame. Passear com o Caramelo e vê-lo tão grudadinho, fazer a festa de aniversário de 14 anos dele, foi tão bom. Vi meus amigos da Belas Artes que não via a tempos, conheci a filhinha de um, revi os filhos de outra, foi maravilhoso. E a amiga que vi todo dia pela Vila Olímpia depois de 17 anos sem ver? Foi muito bom. Maravilhoso também ter tido a companhia de minha "cumadre" me levando ao trabalho todos os dias e papearmos como a tempos não fazíamos. Ver minha irmã e convencê-la a fazer o tal botox no shopping com o rol das peruas da família, ver o meu cunhado querido, minha prima, minha madrinha, meu afilhado, foi perfeito. São Paulo me mostra sempre coisas novas, me mostra sempre que posso me virar bem aqui de novo. É até pecado eu reclamar da minha vida na praia, mas amo este agito, este trânsito, este caos. Fazer o quê? Volto para Porto feliz, porém sempre parte de mim fica aqui na cidade grande. Nunca fico completa aqui nem lá. Pois sempre me falta algo ou alguém, onde quer que eu esteja. Aos amigos que consegui ver, obrigada. Aos que não deu tempo, até breve. PS. O novo blogger não me deixa fazer parágrafos, é normal?

quarta-feira, 2 de maio de 2012

A pessoa sem ponto final

Parece muito, mas não é. Dizem que nós mulheres falamos 20 mil palavras por dia. Juro que tem dias que eu acho que falo mais, se não falo escrevo, se não escrevo resmungo, penso, converso com minha cabeça quase como uma esquizofrênica frenética para gastá-las. 20 mil palavras gasto rapidinho na mesa de bar com amigas. 20 mil palavras rendem dias com o marido que ouve as primeiras 200 e já me manda calar a boca para ouvir o Jornal da Band, depois você mega feliz com o fim do noticiário começa a falar suas 19.800 palavrinhas que restaram e vem o Jornal Nacional e o "Cala a boca pelo amor de Deus!" ecoa. Recorro aos meus filhos peludos, sorte deles que tenho 10 para conversar, brincar, cantar musiquinhas, falar bobaginhas e gastar palavras. Gasto mesmo. Tem dias que estou mais calada e as pessoas até estranham e acham que é mal humor, mas não, pode ser que tenha falado demais da conta no dia anterior ou esteja poupando para o dia seguinte. Pois ponto final mesmo, deixa de existir quando estou empolgada e feliz. Tenho uma gatinha que é assim, sem ponto final. A Little. Até a segunda infância achava que ela era muda, nunca tinha escutado um miado da pobrezinha, porém de repente deu uma de Emília, tomou uma pílula e tagarelou, tagarelou a falar... Imagino como deve ser duro para os homens conviverem com a gente neste tagarelar sem fim... Vejo minha mãe, minha madrinha, minha afilhada, todas sem ponto final, todas no bla, bla, bla, que animam a vida, pois o mundo em silêncio, seria muito sem graça, não acham?

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Sobre Havaianas, saltos altos, trens e bicicletas (uma nordestina na cidade grande)

Aqui em São Paulo tenho andado de trem. Trem espanhol que anda pela marginal, duas estações me separam do meu trabalho. Vejo logo cedo moças de terninho e sandálias Havaianas para enfrentarem a caminhada e as longas esperas. Visual inusitado para a cidade grande, achei que chinelos só fossem usados na praia. Mas é melhor assumir que o salto machuca do que andar pelas ruas da Vila Olímpia feito patas com os pés ardendo e espremidos dentro dos saltos que perdem toda a graça. Dá vontade de parar a pessoa e dizer: "Posso dar um conselho? Use rasterinha."
Quem não sabe andar de salto não devia andar, sofrer, ou tentar dar uma de fina. É mais digno. Vejo muitas "patas" andando pela rua na hora do almoço e fico pensando será que elas não ensaiaram em casa antes?
Antes do primeiro salto todas deviam ensaiar um pouco em frente ao espelho, perguntar para a amiga, vizinha, mãe e mulher amiga se está tudo bem, se está bonitinha, andando com naturalidade. Vejo que 80% das moçoilas deviam enrar para a Socil (ainda existe Socil para ensinar as moças a andar, comer, sentar, descer escadas de saia...)?
A parte mais legal do trem é ver o bicicletário que fica na estação. Poxa que bacana ver que as pessoas em São Paulo estão andando de bicicleta, mas fico pensando no valor do seguro de vida destas pessoas que enfrentam o trânsito insano da cidade sem proteção alguma além de capacetes e cotoveleiras. Também fico pensando na suvaqueira que deve ser na sala desta pessoa que chega no trabalho já com um certo ar de banho vencido. Legal, porém nas longas distâncias da cidade, será que vale a pena?
Enquanto isso a carioca aqui, radicada em São Paulo com ares de Nordestina vai andando pela cidade. Nada me estressa, tudo me diverte. A cidade grande encanta, desencanta, o trem cheio me faz rir, as histórias que ouço me levam para outro mundo, paralelo do meu mundo real. As pessoas me perguntam: "Como é a sua vida lá?". Eu respondo: tranquila.
Sigo tranquila em São Paulo, torcendo para este mês passar devagar e eu poder absorver tudo que vejo. Vou flanando. Seguindo. Deixando no cantinho do meu coração a saudades de casa, porém respirando ares que me fazem bem, me fazem ver que existe vida, existe gente, existe tudo isso que um dia eu fiz parte.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

1 mês

Estou indo passar 1 mês em São Paulo, trabalhar no meu antigo trabalho. Três anos me separam do que era a minha vida antes. Antes eu não sabia o que era ser livre, não sabia o que era ter a casa cheia de gatos aprontando, nem sabia que importância o mar teria na minha vida, muito menos o que era estar sempre perto do meu amor.
Não sabia nada. Não sabia que existiam coisas que são mais importantes, coisas que nenhum dinheiro do mundo compra. Não sabia que ficar longe de casa fosse ser tão sofrido, longe dos meus animais, longe do meu Nêgo, longe do nosso dia a dia cheio de emoções... Ontem pulamos o muro para resgatar nossa Little que sumiu no mundo em busca de aventura, jogamos frescobol, ficamos cheios de areia de ficar no mar só curtindo a marolinha, almoçamos crepes, cuidamos da pata da Little, saimos com os cachorros para ver o mar com a maré alta, a lua, e é isto que fazemos sempre, nosso dia a dia é sempre assim, calmo, com horas e horas para a nossa grande família.
Mas ir para o passado em São Paulo vai ser bom, vai limpar aquela angustia que eu sentia quando estava nos últimos dias lá, foram dias horríveis, repletos de falsos sorrisos, choros contidos, medos, traumas. Rever pessoas queridas vai ser bom, rever velhos olhares vai ser péssimo, espero que nestes anos meu coração tenha se livrado dos pesos, creio estar mais leve, mais feliz, mais disposta a encarar de novo o mundo que não me pertence mais.
Sábado fiquei sentada no calçadão com minhas amigas queridas, vendo o movimento da rua, rindo dos preparativos da missa que quase incendiou a cidade, e esta pacata vidinha daqui aos poucos vai me encantando quando me permito não me cobrar tanto, quando permito não exigir muito de mim, e isto é um exercício diário. Não me sentir culpada por estar na praia às 4 da tarde alimentando meus vira-latas da rua, ou tomando um cafézinho repleto de risadas e conversas jogadas fora, ou ainda um vinho com um violãozinho na praça em plena segunda feira. A vida pode nos surpreender. A vida deve nos surpreender. Estou indo para meu antigo posto em São Paulo, por 1 mês. 1 mês com pessoas que amo muito por perto, 1 mês revendo amigos, 1 mês no meu antigo quarto florido. 1 mês, só 1 mês. Beijo 7 gatos, aperto 3 cachorros e meu Nêgo? Vontade de colocar ele na mala, mas ele não vai caber. Me espere mar que estou voltando em breve, esperem meus amores que mamãe já volta, espera meu Nêgo, que sua posinha já vem...

segunda-feira, 26 de março de 2012

Nem toda feiticeira é corcunda, mas todas nós somos Scarlett O'hara



Quantas vezes já declarei meu amor por Scarlett? Milhares. Mas é um amor simples de explicar.
Quem nunca resolveu que amava alguém apenas quando foi abandonada?
Quem nunca soube ser doce e forte ao mesmo tempo nas diversas etapas da vida?
Quem nunca precisou repor as energias em casa com a família por perto?
Quem nunca amou por anos um bobolhão só porque este bobolhão não estava disponível?
Quem nunca teve que ser forte e ir em frente depois de um tombo sem olhar para trás?
Scarlett é uma visão de mulher dos anos 30, apesar do filme se passar em 1800 e pouco, mas é tão atual que assusta. Me assusta ver "E o vento levou..." e a cada vez me apaixonar mais por ela.
Sua visão otimista do mundo mesmo diante da fome e da guerra é a mesma visão que temos que ter hoje para enfrentar os desfaios, óbvio que não vou sair por aí fazendo vestidos de cortina e me casar com o pretendente da minha irmã para salvar minha fazenda, mas vou sim me montar no salto e como diria meu marido "passar um batom e estar pronta para dominar o mundo", pois somos assim, vaidosas e cheias de auto confiança compradas na liquidação do lápis vermelho. Nada como um vestido novo, mesmo que de cortina ou de uma liquidação de loja boa para melhorar nosso astral. Ainda somos assim.
Ainda levamos o maior fora do amado e no dia seguinte enxugamos as lágrimas damos um pulinho na casa da mãe para repor as energias e adicionamos o dito cujo no Facebook, ou no meu tempo no msn ou no icq, para achar uma maneira de reconquistá-lo. Nada como um dia depois do outro.
Já fui por anos apaixonada pelo meu Ashley. Todas fomos.
Já precisei salvar minha conta bancária da bancarrota usando aquele vestido da liquidação de loja bacana e indo ver o gerente simpático.
Já, já sim, lavourei, ops, varri a casa por horas e na hora H minhas mãos estavam cheias de calos e é uma pena que não usemos mais luvas e coloquei a culpa na musculação.
Já sim fui naquela entrevista de emprego com a cara amassada e as unhas roídas de desespero, mas um bom perfume levanta o astral e uma boa risada disfarça as imperfeições que carregamos.
Todas somos Scarlett, mesmo sem perceber e em diversas situações. E quanto a feiticeira do título, também um pouco... Bem pouco...

segunda-feira, 19 de março de 2012

Ata-me


Este foi o primeiro filme que vi do Almadóvar e foi aos 15 anos. Adolescente indo ao cinema pela primeira vez com um novo namoradinho.
Não é um post sobre filmes, muito menos sobre Almadóvar e sim sobre o namoradinho em questão e o quanto morri de vergonha vendo o filme.
Certa vez em uma prova de matemática o professor faltou e um outro foi escalado para olhar os alunos. Era um moreninho simpático e novo para os padrões da escola. Devia ter seus 26 anos, no máximo. Ficou meio que me olhando, me ajudou com algumas questões da prova. Na verdade até me deu as respostas. Simpático, pensei. Meses depois ele passou a me dar aula de física. Eu estava no 2º colegial, talvez.
No final do ano, para variar, estava toda encrencada com as minhas notas, principalmente nas matérias de exatas. (exatas? ainda se fala isso?). E tive a grande ideia de chamá-lo para me dar aulas particulares depois da escola.
Ficávamos na sala da casa dos meus pais, na grande mesa de jantar estudando. Aprendi muitas coisas... Tantas que passei de ano.
Certo dia ele chegou logo após minha aula de violão, para mais uma dura tarefa de me fazer entender física. Viu meu violão. E resolveu me tocar uma música. Ainda hoje lembro a letra: "Era só uma menina e eu pagando pelos erros, que eu nem sei se cometi, ohohoh". Era início dos anos 90, ainda era moda ouvir Paralamas.
Que mestre. Isto era música para me tocar? Queria dizer tudo. Eu era só uma menina. Se ele iria pagar pelos erros ou chegar a cometê-los, queria descobrir.
Na hora constrangedora do pagamento e do adeus na porta de casa, ele me beijou e me chamou para ir ao cinema.
Nada melhor para uma menina de 15 anos que um professor de física, novinho, charmoso, carioca, que tocava violão. Eu estava no céu. Como ele era espertinho, marcou em um cinema longe do Morumbi, afinal, seria fácil encontrar algum aluno pelo shopping da região, então fomos ao Eldorado.
Acrescente até aqui, professor, mais velho e namoro proibido às escondidas. Era o céus com certeza.
Ele quem escolheu o filme, eu teria na época optado por algo entre Uma Linda Mulher e Darty Dancing. Nunca havia ouvido falar de Almadóvar, mas aos 15, o cinema era só um pretexto para ficar no escurinho, de mãos dadas e dando uns beijinhos. Será que as meninas de hoje são tão ingênuas quanto eu era?
Bem, em determinadas cenas do filme fiquei chocada, encabulada, sem graça. Ainda mais quando não se está preparada para ver algo tão adulto.
Depois do dia do cinema, as aulas continuaram eu o via na escola e não falava nada além do "oi" desengonçado, e quando terminava a aula ele passava no meu prédio para conversar comigo. Era um namoradinho legal. Educado. Não foi nada além disso, afinal ele corria o risco de perder o emprego e eu a cabeça. Ah! Se meus pais soubessem era bem provável que iriam na escola denunciar. Não, eles não iriam, mas iriam me dar a maior bronca. Com certeza.
As férias chegaram, trocamos telefones cariocas, ele também passava as férias no Rio. E um dia ele me ligou e fomos tomar sorvete no Leblon. Depois deste dia, nunca mais o vi. Foi transferido para outra unidade do colégio. E eu? Lembrei dele só hoje vendo Ata-me na TV.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Corridas. Militares. Quinta dançante.

O que uma coisa tem a ver com outra? Vou tentar explicar.
Sempre gostei de correr, tentei diversas vezes, mas nunca tive disciplina, está é a milésima vez que tento começar a rotina, afinal estou em Recife para meu gato Ozzy se recuperar melhor, se fortalecer com a mamãe por perto e o calçadão daqui é incrível, com muitas sombras, vista perfeita e um ipod cheio de coisas boas é impossível não se animar e começar uma corridinha aqui e outra ali entre um remédio e outro felino para espantar o ócio.
Hoje fui na direção de Piedade, passei por diversos prédios de militares, cada prédio lindo e os "porteiros" são uniformizados com aquela camuflagem que não faz tanto sentido dentro de uma guarita beira mar, mas uniforme é uniforme e isto encanta 100% das mulheres. Confesso que gostei. Gosto de ver os militares. E corrida, calçadão e militar me remetem ao Rio e minha infância, nasci na ditadura. Me lembrei do meu tio Antônio, ele não era militar, mas me levava ao calçadão, ele fazia marcha atlética, acho muito fofa esta modalidade, mas nunca ousei tentar, parece meio difícil e ridícula ao mesmo tempo.
Hoje fui no final do dia aproveitar o pôr do sol e lá estavam eles, os militares correndo pela areia com suas cantigas: 1, 2, 3 vou correr e vocês, 4, 5 ,6 bla bla bla bla bla, ou algo parecido, sei que resolvi parar a tal corrida e apreciar a ligação direta que aquela cena me remetia à infância. Sentei e pedi uma água. Começou a tocar Wilson Simonal, mais ditadura e infância que isto impossível, mas eis que passou um senhor fazendo a tal marcha atlética e senti até o cheirinho que aquilo me remetia, um ar nostálgico, um colorido diferente, uma saudade enorme de parar e lembrar com carinho tanta coisa e gente boa que a vida me deu.
A vida me deu por pouco tempo, na infância, este tio Antônio que fazia a marcha atlética, ele era incrível comigo. Me mimava horrores. Me ensinou muito apesar de ter morrido quando eu tinha apenas 5 anos. Morreu vendo o Papa João Paulo II, no Maracanã. Foi triste.
E o que tudo isto tem a ver com a quinta dançante? Nada. Absolutamente nada. Mas passei correndo pelo clube da Aeronáutica de Recife e soube que vai ter a Quinta dançante hoje às 17hs. No cartaz dizia que era "Para dançar como antigamente". E me deixou meio confusa. Quem sai para dançar na quinta dançante que se dança como antigamente às 17hs? Quem? Só os militares. Só eles mesmo. Ê vida boa, hein?

domingo, 11 de março de 2012

Pela janela



Estou passando uns dias em Recife e percebi o que mais me encanta na cidade grande são as janelas.
Gosto da minha casa com janelas amarelas, mas dela não vejo nada, nem ninguém. Na cidade grande é diferente, vejo vidas em quadradinhos, como uma história em quadrinhos ao vivo.
Pode ser resquícios dos tempos de Copacabana na casa da minha tia Helena, onde olhar pela janela era estar perto dela. Ela me contava as novidades das vidas que ela via, me mantinha atualizada dos acontecimentos que eu perdia por morar em São Paulo, ríamos juntas da velha pelada, e lá ficávamos, pois o vento vinha gostoso, o barulho da rua era reconfortante.
Daqui, vejo um casal vendo TV, agarradinhos no sofá, tão gostoso, fico imaginando o que eles estarão assistindo. Em outra janela vejo uma senhora em uma cadeira de balanço, na varanda dela tem muitos pássaros na gaiola, deve ter um barulhinho bom de lá, mesmo sendo contra prender pássaros fiquei imaginando que delícia deve estar ali, com a brisa do mar e o barulhinho bom. Vejo também um moço se trocando, deve estar indo para uma balada numa hora dessas, colocando calça jeans neste calor e pela quantidade de camisas que trocou, deve ter mocinha na parada.
Percebo que a TV está ligada em 80% das janelas, elas são a nova maneira de satisfazer o voyeurismo.
Na janela, me lembrei de um amigo que era meu vizinho dos tempos de adolescente, tínhamos nossos horários, nos cumprimentávamos, acenávamos, até berrávamos um para o outro: "Oooooooiiiiii" e as vezes ficávamos pelo telefone horas nos vendo pela janela e conversando, era o skype dos anos 80. Pela janela conhecia a casa dele, o quarto dele e ele ao meu, às vezes mostrávamos algo específico da casa. Certa vez ele até me ajudou a escolher a roupa para sair. Era divertido.
Gosto de ver vidas acontecendo, porém ficamos cada vez mais presos à janelas digitais dos computadores e seus encantos, nas TVs e seus 200 canais e quando olhamos para fora, vejo vida real, acontecendo. Pela janela me sinto vivendo. Me sinto normal.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Projeto: Sai uruca!



Vou te contar, viu? Colocaram um pé de porco enterrado no meu quintal, só pode ser. Neste último ano só coisa ruim tem me acontecido, minha vontade é sair gritando, berrando, feito louca varrida descontrolada para ver se algo muda.
Em exato um ano fechei minha loja e me enfiei em sociedades que de nada me valeram. Uma loja que só abria nos dias que eu trabalhava, a outra era uma doida varrida que empacotou minhas coisas e desfez a sociedade pois achou que eu achava algo que eu nem sabia o que era (papo de gente doida, abstrai), depois fui para a melhor e mais bem localizada loja de Porto com minhas bolsinhas e a loja vive fechada pois as funcionárias acham que venda é por telepatia. Fiz uma linha de bolsas mais baratinhas para vender na feirinha na barraca de uma "amiga", nunca vi a cor do dinheiro de nenhuma e todas foram vendidas. Bem não pára por aí...
Perdi meu amigo Eric, e até hoje nem temos laudo de IML, advogado, culpado, causa, consequência, indício ou qualquer coisa que valha para acalmar meu coração.
Perdi minha Biscoitinha querida numa bagunça que ela aprontou, indo dar um rolê pelo mundo bem no dia que eu não estava em casa, resultado: encontrou Zézinho pelo caminho dela, e na guerra ele venceu. Está achando que desgraça pouca é bobagem?
Tenho um gato, o Ozzy Osbourne, com uma doença chamada PIF (peritonite infecciosa felina), ele é um gato que sofreu muito, coitado, quando fui levá-lo para castrar a caixinha de transporte arrebentou e no susto ele fugiu, mas não deixei de procurá-lo. Por 8 meses ele viveu na rua até que um belo dia uma protetora de animais de rua achou ele para mim. Foi uma alegria tê-lo de volta. Para comemorar fui bem legal com São Francisco e adotei mais um gatinho, o Lampião. Ah! É. Eu sou uma pessoa legal, não sou? Chegando em casa levei Ozzy no veterinário que me disse: "Ele está ótimo, só com umas perebinhas, nem vou cobrar a consulta, pode ir para casa com ele". Eu fui. Coloquei ele com meus gatos sadios e gordos. Nestes últimos 3 meses ele não ganhou peso, estava meio tristonho, levei de novo na veterinária, só que desta vez em Recife para fazer exames. "Só um probleminha renal, antibiótico". Um mês de antibiótico e nada. Refaço os exames. "Só uma anemia, 15 dias de antibiótico". Nada. Agora descubro que ele tem esta doença aí, PIF, que é uma linda doença que contamina todos os gatos através de uma bactéria que se passa facilmente de um para outro e outro. Em resumo: terei de fazer exames nos meus 7 gatos que restam em casa, pois Ozzy já está internado sem data para voltar e sem muitas chances de sobreviver, e se estes exames derem positivo... não quero nem completar a frase, pois segundo minha veterinária ela é 100% fatal e contagiosa. Tá com peninha de mim? Calma!
Fui indicada para uma vaga em Recife para ser diretora de arte. Opa, tudo o que eu queria.
- Alô, oi, sou amiga dela, é, para a vaga de direção de arte, é, mandei o curriculo, mandei portfolio, sim. E aí?
- Quantos anos você tem?
- 37 respondo jovialmente.
Preciso completar o que aconteceu? Preciso? Mesmo?
Enfim. Acho que só me resta colocar a dentadura no copo, vestir meu penhoar, minhas pantufas e sair por aí falando sozinha, babando e lembrando como eram bons os tempos que eu era jovem, tinha uma máquina de costura que fazia coisas lindas, era feliz e cheia de gatos.
Sai de mim uruca! Vai procurar um novo alguém para azucrinar, vai?

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

"Mas é Carnaval, não me diga mais quem é você"


Sempre que chega fevereiro eu falo "Adoro carnaval", gosto mesmo, de verdade.
Quando mais nova gostava do Carnaval para dançar nos clubes de Araruama com minha amiga Lanica, nos divertíamos tanto e beijávamos tão pouco, pois acho que ficar toda suada, grudenta e com cabelo seboso, não devia ser muito sexy. Mas íamos para dançar mesmo, sabíamos todos os Sambas Enredo das Escolas de Samba, torcíamos e nos deliciávamos com o Carnaval de verdade.
Para mim foram os melhores da minha vida. Éram 4 dias sem mais nada para fazer a não ser dançar, rir, dormir até tarde, tomar sol e acordar para se arrumar para mais um dia de folia.
Sempre éramos nós 4, Lanica, eu, Rê e Dani, mas sempre chegavam agregadas na casa que nos faziam morrer de ciúmes, eram umas meninas dos shorts curtos e dos cabelos lisos e uma nerd que explicava a teoria da cadência do samba no meio do baile. Fugíamos delas. Deixávamos elas no quarto de baixo e ficávamos no andar de cima nos deliciando com a nossa folia e as nossa cumplicidade de tantos Carnavais.
As histórias começavam em um ano, passavam para outro e outro... são histórias que nunca tiveram fim. Nos víamos só no verão, eu morava em São Paulo e durante o ano trocávamos cartas (ai, que delícia receber e escrever uma carta...).
Não bebíamos nada a não ser água. Não fumávamos, não cheirávamos lança perfume, não passávamos protetor solar, mas passávamos água oxigenada nos cabelos. Não sabíamos se seria o último carnaval juntas, mas dançávamos como se fosse. Tínhamos nossas supertições de sandálias da sorte, shorts da moda, blusas segura cecê.
Trocávamos roupas, mudávamos a marquinha do biquini, pois a soneca de dia era na praia e o bate papo no mar de Iguaba, aquele mar sem onda e salgado até dizer chega, que só de entrar doura tudo até o couro cabeludo que sofria, este sofria, pois para ser loira naquela época era muita determinação.
Época boa. Muito boa. Se eu pudesse voltar para algum momento da minha vida seria para um destes Carnavais, com queijo escondido na gaveta, pentes com cheiro de rosas eram moda, sardas que me acompanham até hoje, calcinhas no ventilador de teto e a amizade? Esta nunca mais vai morrer, pois o que vivemos foi muito mais que muitas amigas que se veem todos os dias. Vivemos o nosso Carnaval de samba desengonçado e risada garantida. Para este ano já fiz minha fantasia e fico aqui, contando os dias para sair com ela por aí. Longe de Araruama, mas sempre com as minhas amigas de folia no coração.

Título o Chico Buarque me emprestou...

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Fragmentos

- Então você acha que pode entregar em casa? Preciso no domingo às...
- Ele me disse para não ligar mais pois estava atrapalhando a vida dele, ele me amava muito, mas…
- Coloca 2 colheres de sopa de creme de leite e mistura até ficar no ponto, depois...
- Não mãe, não dá, ela nem era tudo isso...
- Vamos sim, me liga para marcar o horário, vou estar usando...
- Ah! Não acredito. Não, me conta mais, peraí que vou entrar no elevador, já te ligo...
- Mas depois da separação ele virou o cão, fez cada coisa com ela, outro dia...

Fico tão curiosa com os fragmentos de vida que ouço no elevador, andando na rua, na praia, na fila da padaria, fico imaginando como cada história termina, como cada amor foi superado, cada fragmento poderia dar um filme. Adoro conversa alheia.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Olhares

Sabe aquela sensação de últimos olhares? Todos nós já tivemos… Uns que se tornam realmente os últimos e outros que por sorte nos surpreendem no decorrer da vida.
Lembro do ultimo olhar do meu pai. Ele estava na UTI, começou a tossir, saí de lá e olhei para trás. Nossos olhares se cruzaram, olhar que queria dizer melhora logo, volto depois, olhar que nunca saberia que seria o ultimo. Lembro bem dele. Com as sobrancelhas grossas, sentado, tentando respirar e o olhar de sempre, confortante e amigo, mas tinha certo medo nele.
Lembro de olhares que pareciam ser os últimos, mas não foram. Olhares de amigos de escola que de repente a vida nos empurra para vermos de novo na faculdade, após a faculdade você ainda olha e acha que desta vez será o último, mas a vida nos surpreende de novo e nos coloca frente a frente com este amigo querido de tantos anos em mais uma missão e eis que este amigo se torna seu cunhado, começa a namorar sua irmã e o olhar fica mais leve com a sensação que nunca será o último, pois são pessoas que jamais sairão de nossas vidas por mais que os caminhos mudem, os olhares se transformam assim como os sentimentos e estes são meus olhares preferidos no mundo, olhares que se reinventam.
Quando mudamos de emprego, olhamos para aquele chefe querido e lá vem a sensação de fim de uma etapa e último olhar, mas um dia no supermercado olhamos de novo e ao lado, lá está aquele olhar amigo sorrindo.
Tem o olhar cúmplice. Que não precisa dizer nada, mas diz tanto. Olhar da intimidade. Que só uma irmã ou um marido ou a melhor de todas as amigas nos dá.
Tenho um amigo fotógrafo que quando ando com ele reaprendo a olhar. Olhar as pessoas, as luzes, as sensações, é um exercício que a vida moderna muitas vezes nos priva. Olhar a vida flanando pelos espaços, locais, cheiros e acima de tudo reparar no que o olhar do outro quer dizer, entender cada olhar se ri ou chora, se pede ajuda ou divide uma história.
Cada olhar que se vai, para depois voltar será diferente, com mais peso umas vezes, mas leve em outras, mas sempre será um olhar a dizer algo. Se será despedida ou reencontro? Adeus ou até mais? Só o tempo irá dizer. Por isso me pego olhando. Mudando os olhares. Buscando os olhares. Para não mais perdê-los.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Maratona mensal


Morar longe de tudo requer participar de várias maratonas. A que mais me canso é a maratona do supermercado.
Fazer compras com marido começa assim: “Vou pegar as areias dos gatos e o leite e vou para a fila.”
Como se a base de nossa alimentação fosse areia de gato e leite, simples assim. Para que comprar arroz, feijão, macarrão? Já temos areia de gato e leite.
As filas no mercado de Recife são vergonhosas, assustadoras e indecentes, por isso esta ânsia por ficar na fila que pode chegar a durar mais tempo que fazendo compras, como é o nosso caso, pois com o carrinho cheio de areia e leite lá vai ele para a fila e agora começa a minha maratona digna de medalha de ouro.
Eu vou de corredor em corredor enchendo as mãos de ovos, detergente, volta e coloca no carrinho já na fila, açucar, café, sabão em pó, volta para a fila, faltam duas pessoas na frente dá tempo de pegar papel higiênico e shampoo, fila, arroz, batata, fila, nescau, carnes, peixe, fila, molho de tomate, absorvente, fila, feijão, azeite, sal, fila, óleo, farinha de trigo, fila: “Está chegando a nossa vez! Corre”, bolacha, queijo, vinagre, guardanapo, sabonete, respire, respire Renata, vai dar tempo, coador de café, leite condensado creme de leite, o que cair fica, não me resta muito tempo, sardinha, caldo knorr, corre, respire, vai dar tempo, amaciante, água sanitaria de 5litros pesa muito pego 2 de 1litro, corre vai dar tempo. Não deu, nunca dá, a conta se fecha e eu na minha maratona fiquei ainda com uns 20 intens da lista faltando.
Tempo de supermercado para fazer compra de mês? 20 minutos.
Calorias gastas? 5600 no mínimo.
Cansaço? Imagina? O que é andar 20 vezes pelo mercado todo?
Estrada de volta para casa? 2 horas.
Carregar as compras para casa? Umas 30 idas e vindas, com ajuda do marido para carregar a areia e o leite.
O pior? Mês que vem tem mais.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Jogatina


Adoro jogar buraco, aquele que pegamos o bloquinho, colocamos aquela toalha verde na mesa, porta copos, amendoim, alguma bebidinha que evolui até o licor, talco para separar as cartas grudadas da maresia, janelas abertas para ventilar, som de TV ao fundo e brigas.
Quem nunca brigou no jogo de buraco em família? Xingou? Mandou dar as cartas de novo? Contou pontos a mais? Fez canastra de copas com ouros e embaralhou tudo?
Jogar buraco é a arte da confiança. Pois você só pode ser parceiro de quem você confia, de quem você pode mostrar o seu pior lado, aquele lado obscuro e sabe que mesmo assim, vai te amar acima de tudo, pois não é fácil quando as 11 cartas estão em jogo, lá, prontas para serem baixadas no “campo” verde oliva…
As brigas normalmente começam entre duplas:
- Deste jeito você pega o morto e eu seguro as cartas.
- Não pode falar. É jogo falado? É?
- Não, só quer dizer para ela pegar o morto. E pronto.
- Ah! Tá! Vou cair nessa. Até parece que não te conheço, fica aí cantando o jogo. Se vai roubar fala logo que nem começo a jogar.
- Vale trinca?
- Vale.
- De tudo?
- Vale.
- Assim eu que não vou jogar. Fica chato.
- Fica chato é você cantando o jogo.
- Vamos fazer pipoca?
- Vamos.
E a paz voltava à mesa. Com cheirinho e gordura de pipoca.
E hoje, jogando nestes sites de relacionamento, me pego pensando como conseguem chamar estes sites “de relacionamento”? É tão surreal.
Primeiro tem aquele chat que as pessoas se limitam a digitar: bd, bt e bn. Se você faz alguma cagadinha do tipo não comprar uma carta que devia ou algo parecido, é provável que o chat seja usado para te xingar com palavras abreviadas que eu não entendo e por isso nem sei o tamanho do xingamento, pois vtnc ou svpfdp para mim são apenas letras. Existe ainda o galã do buraco que é aquele que diz “olá”, “de onde vocês são”, “boa sorte gatinhas” e por aí vai a cafonice.
Tem também o “chilique de tia” que é o carinha que abandona o jogo: “estou bravinho, poft, desliguei na sua cara, pronto, acabou, saí do jogo e deixei vocês, hahaha, fui embora e vocês não vão jogar, não vão jogar, la, la, la”, neste caso, basta esperar 30 segundos que outro jogador aparece, simples assim.
E ainda precisamos conviver com as piadinhas no chat do tipo: “fui no enterro errado, posso trocar o defunto?” ou “quem embaralhou estas cartas?” ou “eu dei as cartas certinho, saio de 100 pontos” se tornam brincadeiras muitos solitárias me transformando na doida da mesa. Ops, não era para confessar que sou eu quem faço isso.
Enfim, sinto saudades dos parceiros de buraco, aqueles parceiros bons que topam a jogatina até tarde, contando casos, brigando, rindo, chorando, roubando… e isso me faz pensar como as relações andam assim hoje em dia, a nossa vida anda um grande jogo de buraco de um site de relacionamentos. Ao invés de visitarmos nosso amigos a gente curte sua fotinho com o primeiro sorriso do seu filho ou o video da primeira sopinha de sua filha sem vivenciarmos com eles a experência em si. Me pego sentindo falta da tecla “curti” em diversos casos e situações, pois é mais conveniente existir o “curti”, é mais simples, assim como já senti falta do “command +z” na vida (mas aí seria assunto para 10 anos de terapia se eu acreditasse em terapia).

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Adeus ano velho

Ufa. Já não era sem tempo.
A culpa deste ano ter sido péssimo foi da festa de ano novo passada. Foi o maior fiasco. Uma festa que 0:01 acaba a champagne, só podia significar ano pobre. Depois demos risada com o Otto perdido pela praia, mas já estava ferrado, já tínhamos emanado para o céu a falta de champagne e o funk irritando nossos ouvidos puros.
Ano pobre de pessoas, pobre de valores, pobre de crescimento pessoal e profissional, pobre de tudo. Foi um ano arrastado, sofrido, suado. Deve ter sido porque não desejei nada para 2011. Por isso para 2012 fiz uma lista explicadinha de tudo que eu prometo e desejo:
1. Não me meter em assuntos alheios
2. Não comer chocolate a noite
3. Sair mais de casa
4. Fazer algo de útil todos os dias
5. Pintar as paredes de casa de branco
6. Ler mais coisas que eu gosto e menos coisas pela moda
7. Escrever mais no blog
8. Escrever mais sem ser no blog
9. Levar a sério meu chamado da Pastoral da Criança
10. Costurar coisinhas felizes para mim
11. Emagrecer 5 quilos e assim permanecer
12. Ligar para meus amigos no aniversário deles
13. Achar um emprego como designer
14. Voltar para o pilates
15. Fazer as unhas pelo menos a cada 15 dias sem me irritar em ficar no salão
16. Usar sandália quando sair de casa e não Havaianas
17. Ir à praia pelo menos 2 vezes na semana
18. Beijar meus gatinhos todos os dias e brincar com eles mais que eu brinco
19. Sair com os cachorros bem cedinho para eles nadarem com mais frequência
20. Quando for para São Paulo achar tempo para ver todos meus amigos queridos
21. Voltar a alimentar meus cachorros da rua
22. Estudar algo que me faça bem
23. Não me irritar tanto com coisas que fazem para os outros e não me dizem respeito
24. Ir para o Rio matar saudades da minha cidade e dar um mergulho em Ipanema
25. Ter mais paciência
26. Ser menos bobolhona
27. Deixar o cabelo crescer
28. Fazer bonecas de pano
29. Ser menos displicente
30. Acreditar que vou fazer tudo isso

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

As melhores coisas do mundo


Sabe qual a melhor coisa em fazer aniversário? O presente. Sempre gostei de ganhar presente, o meu vinha sempre dia 18, no aniversário da minha irmã, se ela ganhava eu também tinha que ganhar. Esperar 3 dias? Nunca me passou pela cabeça. Meus pais já sabiam e vinham com meus presentes sem ser meu aniversário real. Para mim o dia da Déa era mais legal que o meu. O que era o presente não interessava, podia ser a maior tranqueira que eu adorava mesmo assim, pois vinha tão bem embrulhado em alguma embalagem diferente, com laços de fita provavelmente dourado. Minha mãe sempre gostou de embrulhar presentes. Era divertido. Tinha uma embalagem que eu já sabia que era minha, abria o presente e devolvia para o ano seguinte. Desde criança era fã de reciclagem.
Certo ano ganhei um Snoopy de pelúcia. Ah! Lembro até hoje a sensação que foi ganhar aquele Snoopy. Ele era grande, macio, branco, tão branco que dava até dó tirar do saco plástico. Ele foi embora este ano nas arrumações, mas enchi ele de beijos antes dele fazer alguma outra criança feliz.
Tiveram anos que ganhei jóia, calças de marca na adolescência, kit incentivo com purpurina e coisinhas de costura, meu quarto todo decorado (para este lembro que me enganaram e quando eu subi estava tudo pronto e cor de rosa), e outros presentes que não vou mais me lembrar.
Sem contar o bolo. Ah! O bolo. Não vem me dizer que é bobeira. O bolo é tão importante quanto todo o resto… O meu era de chocolate com recheio de mousse. Todo ano. O mesmo bolo. Do mesmo lugar. Não precisavam me perguntar, já sabiam que parabéns tinha que ter aquele sabor. Muitas vezes comprávamos só para nós 4 cantarmos os parabéns e depois minha mãe embrulhava o bolo e levávamos para o Rio e comíamos até o Natal. Hum. Se eu fechar os olhos ainda sinto o sabor daquele bolo.
E hoje faço 37. 37. É, 37. O que dizer disso? O que desejar? Já tive tanto. Tanto amor, tanto carinho, tantos amigos por perto. Se eu pudesse desejar algo, desejaria o presente lindo na embalagem de fita dourada que eu teria recebido 3 dias atrás. E hoje? Hoje desejaria aquele bolo, com as raspas de chocolate em cima e a mesma vela do cachorrinho abraçado com o gatinho que está até com a cabeça derretida de tantos parabéns que ela aguentou firme, acesa.
Feliz 37 para mim. Que seja mais feliz que os 36, mais cheio de vida que os 18, mais cheio de sonhos que os 9, mais, muito mais.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Solidão, vazio e morte

Hoje um dia foi muito triste. Começou ontem a noite com um telefonema que nos fez perder o sono, soltar o choro, rezar, ter esperanças em vão. E logo cedo, fomos para Maceió atrás de respostas.
Reconhecer um corpo no IML, é só um corpo, me assusta é ver o livro preto por trás da vidraça escrito “Registro de cadáveres”, cadáver, que palavra forte e triste, palavra que me fez pensar que todos nós seremos um dia. Que ambiente horrível que você foi parar meu amigo.
Lembro de você sempre por perto, se sentindo em casa, afinal nossa casa foi a sua casa por muito tempo e em muitas fases. Lembro do seu jeito atrapalhado de sempre, da sua simpatia cativante, seu “Oi Mainha” quando me via, seus planos, seus sonhos, seus sabores.
Você me tirava do sério com sua bagunça, seus sapatos pela casa, suas toalhas pela sala, sua vara de pescar pendurada nos lugares mais impróprios, seus peixes fedidos trazidos frescos, sua havaiana amarela que ninguém iria roubar e durou 2 horas no seu pé. Adorava me juntar a você para tirar sarro do Renato. Ríamos muito. Eu gostava pra caramba de estar com você.
Nos vimos 10 dias atrás, fomos te visitar no seu novo restaurante, ficar 5 dias com você. Nos apresentou seu cantinho mágico de mar com rio, que virou um dos meus lugares preferidos do mundo se eu precisasse escolher ou se me perguntarem um dia. Mas o que eu queria saber é como é a solidão? Como é morrer sozinho em um lugar estranho? A que ponto chega o vazio dentro da gente? Porque você nos deixou aqui, sem notícias, sem se despedir. Porque? Como você morreu é o que queremos saber.
Que falta você vai fazer para o meu nêgo que ficou sem o seu melhor amigo e a mim sem meu filho crescido que dava mais trabalho que seus irmãos caninos e felinos juntos.
Hoje eu me dei conta do quão vazia pode ficar a nossa vida quando nos deparamos com a morte, me dei conta do quanto queria ter te perguntado se você estava feliz antes de deduzir que sim, me dei conta que ser só um corpo num IML nos deixa sem chão, com uma ponta de culpa por não ter de novo te pego no colo, ter te ouvido chorar mais uma vez e arrumado a sua bagunça por mais tempo.
Então hoje, fiquei assim com esta sensação de solidão, vazio e morte. Fiquei asssim com um imenso nó. Hoje perdi meu filho crescido, meu segundo marido, meu padrinho de casamento, meu amigo que me conquistou. Hoje eu perdi muito. Muito mesmo.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Falta de assunto e do que fazer

É engraçado o que a falta de assunto gera, “Hum, jura? É? Mais e aí? Ah! Sei. Não, nada, tenho feito nada”.
E assim tem se resumido a minha vida sem assunto e sem nada para fazer.
Outro dia me peguei tentando animar um papa mosca pingando água nele para se refrescar, mas ele não pareceu se animar, aí eu coloquei ele no tanque e liguei a torneira devagarzinho, achei que ele iria brigar mais por sua vida, se divertir com a piscininha que formou, mas não, acabou que ele morreu e em 2 minutos minha diversão do dia tinha acabado, foi mal papa mosca, era o tédio.
Já arrumei a casa e desarrumei de novo. Já dei banho nos gatos e depois tive que secá-los, rendeu alguns arranhões, uma roupa rasgada, mas foram 2 horas do dia gastos. Já arrumei o guarda roupa, os CDs, as contas pagas, geladeira, plantas no jardim regadas e ainda me faltam muitas horas do dia. Talvez eu devesse fazer uma coisa cada dia. Talvez eu tivesse ido a praia iria gastar mais umas horinhas no sol, mas se eu fizer isso todo dia “olá câncer de pele”.
Já saí com os cachorros, dei banho, vi TV, joguei buraco e este dia não acaba. Talvez se eu tivesse com quem conversar… Mas não adianta sonhar, por isso continuo em casa, caçando coisas para fazer aos poucos. Leio um livro. Dois livros. Ao mesmo tempo. Nada me ocupa nem me dá assunto.
E assim os dias passam e eu sem saber o que falar e porque falar. Entro no Facebook, acho que vou escrever “Fazendo ovo mexido”, foi o auge do meu dia de hoje e de ontem, e amanhã? Me achem algo para fazer por favor…

terça-feira, 8 de novembro de 2011

São Paulo encanta. Não mais a cidade em si. As pessoas. Aqui tem gente.
Gente igual, gente diferente, gente legal, descolada, arrumada.
Gente que é a cara do Jonnhy Deep e vai ao Cirque.
É gente que usa salto mas ele quebra.
Gente que pega taxi na Vila Madalena.
Gente que anda a pé, de bike está na moda.
No Ibirapuera vi gente feliz, correndo, andando de skate. Gente grande, bem grande. Tinha cabelo branco, mas andava de skate.
Gente sem medo de ser gente diferente.
Adoro ver que existe um mundo que fervilha, que as pessoas estão aqui, vivendo, andando, saindo, acontecendo, voltando, mudando, amando, largando.
Amigo vai morar em Berlim, amigo publica livro, amigo conquista cadeira, amiga lê para crianças. É gente de verdade passando de fase.
Isto me encanta cada vez mais. Talvez por eu não saber ao certo o meu caminho e ver tantas pessoas em caminhos diferentes me faz bem.
Renova as energias e volto cheia de vontade de mudar, explorar. Talvez eu queira morar em Berlim, publicar um livro, conquistar uma cadeira ou ler para as crianças, talvez eu queira passar desta fase.
Foi bom me sentir querida, ver amigos, rir e chorar com eles.
Até mais São Paulo.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Sonoterapia

Sempre que chego em São Paulo é assim, a casa da minha mãe me dá um soninho...
Luto para não dormir tanto, mas não tem jeito, "encostar e dormir" tem sido meu lema. Sábado dormi 12 horas seguidas e durante o dia de picadinho deve ter dado mais umas 5 horinhas de lambuja. Que delícia. Acho que venho para São Paulo para sonhar.
E tenho sonhado muito. Sabe aquele sonho que você vai sonhando, sonhando, acorda, se força para dormir mais um pouquinho para continuar sonhando e mudar o final do sonho e com isso tentar mudar o que a sua mente te manda fazer? Não quero este final, quero outro final... Se eu sonhar mais um pouquinho acho que consigo chegar no meu "final feliz".
A vida devia ser um sonho também. Um sonho que podemos a cada momento mudar nosso final.
No fundo sei que nosso final real também pode ser mudado a qualquer momento, mas dá trabalho. Dá trabalho sonhar com algo e depois querer mudar de sonho, sonhar de novo, resonhar (existe este verbo?) na vida real exige muito.
O bom é que os sonhos reais ou não, vem e vão, ficam se são bons, vão embora se são ruins. Mas, me deixe fechar os meus olhos e sonhar mais um pouco, suspirar e me sentir em casa, aproveitar o fresquinho desta primavera paulistana, o barulho das patinhas do Caramelo, minha cama de solteira, minhas paredes de flores, meu livro no criado mudo quase sem orelhas, meu sono se instalando, minhas meias arrancadas no meio da noite, meu pijama de calça comprida...

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Nas alturas

Lá se vai mais uma viagem, e os rituais que nela me irritam.
Porque para entrar no avião se faz aquela fila enorme de gente se debatendo e correndo? O lugar é marcado, ninguém vai pegar sua janelinha sem o seu consentimento, vamos combinar?
Opa, a não ser que você seja eu, pois sempre alguém insiste em pegar meu lugar que no susto se enganou. É tão difícil diferencialr o 21C do 21F?
A pior parte do vôo é a expectativa de quem vai sentar ao seu lado, você fica de longe dando umas espiadas e a cada passageiro, um suspiro "Opa, seria legal passar umas horinhas ao lado deste mocinho bonito, né?" Mas não. Sempre é o senhor acima do peso que ocupa quase 2 poltronas, que será a sua companhia para as próximas horas. Além disso quando passam a bandeja das balinhas, não é para pegar todas, ok. Uma só está bom. Ah! E por favor não coloquem os papeizinhos das balas nos bolsos da poltrona da frente, lá é lugar para revista e saquinhos de vômito.
Durante o vôo tudo me irrita, alguém pode não chutar minha cadeira, nem me dar comida ruim? Não deite a cadeira da frente com minha bandejinha aberta, não tire o sapato ao meu lado com este chulé? Me sinto uma sardinha em lata, isso que tenho apenas 1,58m.
E quando o avião pousa, será que as pessoas não podem esperar sair do avião para ligarem os celulares, será que todos são tão importantes assim e requisitados a ponto de não poderem ficar nem mais um minutinho desconectados? Vocês não ouviram o que o moço falou? Ligar o celular no lobby. NO LOBBY.
Ah! Que preguiça!
E para terminar a viagem de avião é fechada com chave de ouro na esteira das bagagens. Fica a dica, se a sua mala passar por você, não quer dizer que nunca mais ela volta, não precisa correr, cair, tropeçar para alcançá-la. Ela volta, pois a esteira é rolante, não é um mundo sem fim e sem volta do para sempre.
Mas. O bom de tudo isso é estar em São Paulo por uns dias.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Se eu falar... você promete me ouvir? (oração de quem não sabe rezar)

Se eu falar o que estou pensando, você promete não me criticar? Promete me dar apoio e me segurar para eu não cair?
Se eu disser tudo que penso a seu respeito, você jura não virar as costas para mim e nem me desamparar agora que estou aqui, precisando de você?
Se eu continuar minha novena, implorar aos céus, ajudar mais ao próximo, adotar aquele gatinho sarnento, parar de comer chocolate, você atende meu pedido?
Se eu rastejar, implorar, suplicar, prometer não chorar, segurar a onda, ser forte, não fraquejar e nem perder meu otimismo natural, você promete me atender?
E se eu te xingar, quebrar suas imagens, dar uma de doida e não entender porque isto esta acontecendo comigo, se eu fizer isso, depois você me perdoa?
Se eu descontar minha raiva nos que eu amo e depois me desculpar, permita que eles me desculpem?
Se der positivo, você me segura para eu não encolher, não desmaiar, não enlouquecer?
Se eu trocar de lugar com eles, você poupa meus filhos de sofrerem? Poupa a gente disso? Nos dá mais luas cheias, mais praias vazias, mais banhos bagunçados, mas corridas em volta da mesa até eu estar pronta?
E se eu nunca estiver pronta você me deixa delirar? Falar com as paredes? Acender minhas velas, jogar meus sais e culpar o mundo, a política, a falta de saneamento, a falta de interesse do homem em melhorar a vida deste lugar esquecido? Você me deixa culpar todos e tudo e maldizer a vida que em um ato de egoísmo quer em fazer sofrer?
É meu São Francisco, fizemos um acordo há anos atrás e tenho cumprido minha parte, cumpra a sua agora, cuide de minha PTK e do meu Fuka e fique na sua, não me deixe ter raiva de você, pois prezo muito a nossa amizade.
Amém

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Balaio de gato

Novela: Porque as pessoas insistem em acordar de penhoar, alguém usa penhoar? Eu mesma tive que procurar no google como se escreve penhoar, parece coisa de penhor, mas só gente de novela usa.

Ainda na novela: Acho que a Marjory Ano passado está meio velhinha para fazer papel de teen, vamos combinar?

Já que tem gato no título: Pudim, Gato e Galego vão ter que entrar no regime, nunca vi gatos tão gordos que brincam de pular do guarda roupa em cima de mim, uma delícia para os bicos de papagaio ou para meu cabelo emaranhado (próximo assunto). Comprei um parque de diversões para eles, mas nunca os vi usando, existe spa de gatos? Agora que querem transformar em lei perder a guarda pais que tem filhos obesos, fiquei mais preocupada.

Cabelo, ah! Cabelo: Falo que vou deixar crescer e corto, e corto e corto e pinto e fico loira, mais loira, e mais loira. Quero um turbante. Onde vende? Nas lojas de penhoar será que tem?

E o calor?: Mesmo neste calor, quem disse que tenho ido a praia? Porque engordo em arrobas e perco gramas? Nenhum biquini cabe em mim sem ficar uma lateralzinha (sendo otimista) saliente. Ontem comprei um biquini G e isto para mim é o final dos tempos, senti saudades da época em que eu via um biquini, pedia o tamanho P e ia embora da loja, sem nem precisar provar. Velhos tempos...

Pilates: Estou fazendo pilates para combater o assunto anterior (biquini G), mas nestes 2 meses ganhei 2 kg e perdi 60 dias.

Viagem: Estarei em SP final de outubro e quero ver minhas 3 amigas de sempre, pois as outras que prometem e não vão estão na minha listinha negra...

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Me perdendo para me achar

Me sinto assim. Perdida. Perdida dos laços, das ideias e dos ideais. Eu tinha um motivo em alguma parte do caminho, mas não me vejo mais nele. A vida é seguirmos nos reinventando e nos redescobrindo; mas e quando não se descobre nada de novo? E quando parece que a vida fez uma pausa e nada acontece e o pouco que acontece não te interessa?
Sabe o que me faz mal, por exemplo? Ver o facebook dos outros. Fico aqui morrendo de inveja das viagens, conquistas, filhos novos, separações, novos amores, novas amizades, perdas, ganhos, enfim, a vida acontecendo. Acompanho tudo de longe e penso: O que tenho vivido? O que tenho produzido? Cadê meus sonhos? E quer saber? Não acho nenhum.
Já quis ter filho, já quis escrever de verdade, já quis abrir uma ong, já quis mudar o mundo, plantar uma árvore, fazer cooper, deixar o cabelo crescer, emagrecer, ser loira, ser ruiva. Já quis muitas coisas que não quero mais.
E nesta falta de sonho, me sinto assim, perdida num mundo que não me pertence, não me enche de energia, cansaço, emoções. Moro em um paraíso que não tem me dito nada. Cuido dos gatos, brinco com os cachorros, saio com meu Nêgo, vou à praia, tomo sol, ouço música, vejo o mar e volto para o nada.
Esta fase acaba me deixado com o pé balançando sempre que sento, na inquietude por mudança da minha atitude. Jogo paciência, e haja paciência para transformar esta pessoa aqui em algo que valha a pena. Bichinho de cidade grande vivendo no cercado. Em um povoado. Tudo no cercadinho desta vila me parece um filme, ou uma novela, onde os núcleos se misturam com suas intrigas e seus segredos, tudo acaba parecendo meio fake, meio Ilha da Fantasia.
Mas, dizem por aí, que às vezes precisamos nos perder para nos achar. Estou na fase de me procurar. Um dia, me acho. Espero que em breve.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Tá na moda

Tá na moda falar mal de si mesmo, em troca de uns trocados. Tudo começou com Biafra na propaganda do Bradesco, depois veio o Cigano Igor na propaganda da Fiat e agora Anderson Silva com o Burger King.
Poxa, deve ser muito dinheiro que rola para Biafra ficar com aquela carinha no banco de trás do carro cantando e espantando os bandidos. E o pobre do Cigano Igor que aparece sendo um péssimo ator ao lado de Dustin Hoffman, vendo a atuação dos dois é de chorar o pobre do ator grandão de um papel só se esforçando para ser pior ainda do que ele já é. Mas, o Anderson Silva sendo sacaneado por sua vozinha fina foi o auge. Gente o cara é bom de briga, figura máscula que faz sobrancelha, mas sua voz fina deve ser motivo de certa vergonha para ele.
Talvez estas propagandas sejam uma tendência. Eu apoio, deve ser melhor que terapia. Sou péssimo cantor mesmo, e daí? Sou o pior ator brasileiro, e daí? Sou o cara cheio de músculos e voz fina, e daí?
Tá na moda.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

A arte de ser bobolhona (com teste de bobolhonice)

É duro confessar. Mas eu confesso. Sou uma bobolhona. Sou a maior bobolhona que já nasceu neste mundo ou pelo menos que eu conheça neste mundo.
Sabe aquela pessoa da novela, que só se ferra durante meses e somente no último capítulo algo acontece de bom para ela; depois de derramar lágrimas e mais lágrimas e quase desidratar? Pois bem... eu sou assim.
Sabe aquele filme "Mensagem para você", com a Meg Ryan, que ela é dona de uma livraria que não sabe revidar um xingamento? Pois bem, eu sou assim.
Sabe aquela pessoa que anda pela rua borboletando, sorrindo, cumprimentando os pássaros, os cachorros e os taxistas, mas quando você bate o olho logo de cara diz "Olha lá uma bobolhona?". Provalmente sou eu passando.
E sabe que atitude eu tomo nestas horas onde a coisa aperta, quando alguém duvida da minha palavra, quando alguém fica de gracinha para ver se me tira do sério? Peço licença e choro.
Por exemplo, quando a psicóloga doida me expulsou do consultório no ataque de médica doida, vocês sabem o que eu fiz? Chorei.
Mas sabem porque eu choro? Choro de raiva por não ser aquela pessoa bacana que sabe se defender. Não sei dizer "Não" em alto em bom som. Choro por ser uma bobolhona de 36 anos.
Saio como um cão sarnento, de rabo baixo, com o queixo tremendo, segurando as lágrimas até virar a esquina e ligar para meu nêgo: "Nêgo, eu sou bobolhona, buá, buá, buá". E ele responde: "Mas você é a maior bobolhona que eu conheço no mundo". Buá, buá, buá.
Mas vocês acham que eu desisto fácil? Não, não desisto, todos os dias volto para ser enxotada de novo, pois acordo pensando "esquece, vai lá, seja menos, menos, bem menos bobolhona. Reaja mulher". Só que é mais forte que eu.
Por isso amigas, se você responder a 1 sim do teste a seguir, pode fazer parte da minha turma das bobolhonas. Estou imprimindo carteirinhas, criando sites, botons, campanhas...
1- Se você está com uma suposta amiga e ela diz que você fez algo que não fez, e você vê que não adianta discutir, você vai embora, desiste e chora?
2- Se você está quieta no seu canto, alguém sorri para você, você sorri de volta e uma terceira pessoa acha que isso é teoria da conspiração e solta um comentário besta para implicar. Você ignora na hora e depois chora?
3- E se você sabe que uma pessoa esta mentindo só para te irritar, só para te tirar do sério contradizendo tudo que você acredita e o que você sabe que é o correto. Você sai e chora?
E se você respondeu nenhum sim, por favor, me ensina a ser a pessoa normal da novela, aquela da trama secundária que não chora tanto assim, ou a ajudante da livraria da Meg Ryan que nem precisa chorar pois o papel era bem pequeno e ninguém incomodava a paz dela.
Amigas bobolhonas ou não, vamos nos unir e me ensinar a dizer um belo "sai bobolhona deste corpo, ele não te pertence", vamos?

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Lá no fundo dói...

Lá no fundo dói ainda a saudade. Dói quando respiro fundo e seguro o ar para ele não me faltar. Te perder, me deixa ainda sem ar. Eu respiro, respiro, mas não tem ar suficiente no mundo que preencha meus pulmões. Inspira, inspira fundo, olha ali a dor aparecendo, de novo.
Nada adianta quando sinto a sua falta, fico dias com um vazio enorme, uma saudade que o tempo não amenizou, parece que o tempo nem passou, que foi ontem que te perdi.
Inspira.
Dói lembrar do seu riso moleque, da sua chatice constante, do seu falar sem fim.
Dói lembrar do seu monoassunto, do seu cheiro e seu cantarolar depois do banho.
Inspira.
Ainda sinto seu perfume seguido do seu "Oba, oba, oba".
Inspira.
Dói o seu vazio. Dói o seu silêncio. Dói as suas lembranças.
Dói lembrar do seu "Não entendo porque mora sozinha se liga o dia inteiro". Queria poder ligar só para ouvir isso e eu diria "Ah! É? Vou parar de ligar então". Inspira. Aí vinha seu riso e seu deboche "Quer falar com sua mamãezinha?"
Dói.
Inspira.
Sinto sua falta todos os dias. Queria aquele lugarzinho dentro de mim cheio ainda, aquele cantinho que você ocupava em mim. Queria ele cheio de você ao invés da saudade, e do ar que não preenche.
Cada dia uma nova lembrança, cada data uma nova importância, cada momento uma nova falta de ar e uma nova dorzinha se instalando.
Cada mar azul, cada lua cheia, cada dia dos pais, cada aniversário, cada conquista, cada derrota, cada bobeira, cada gatinho, cada novidade, cada fofoca, cada riso, cada choro, cada passo me falta você. Ainda. E quer saber? Lá no fundo ainda dói. E muito.
Queria acreditar em Deus, ou em um Deus que me fizesse entender o sentido desta dor. Queria que você viesse "puxar meu pé" como sempre ameaçou. "Ah! se eu morrer venho puxar seu pé". Mentiroso. Nunca veio. Te esperei. Para ver se a respiração voltava ao normal. Mas não volta.
Cada suspiro, cada brilho, cada comida, cada cheiro, cada sabor, cada travessura, cada cochilo, cada olhar, cada instante ainda me falta você.
Este post dói lá no fundo. Inspira. Passou o dia dos pais. Expira.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Amigos Imaginários

Faz um tempinho, li um post da Flavia do blog Bacanérrimo, que fica aqui do ladinho nos meus preferidos, falando de suas amigas imaginárias e até hoje me pego pensando em quantas amigas imaginárias encontrei pelo meu caminho também, esbarro em uma aqui, outra acolá, levo tombos, me levanto e vou em frente, pois no fundo viemos ao mundo para viver e nos relacionarmos.
Mas o pior dos amigos imaginários é que nos doamos de coração, acreditamos, damos sem querer nada em troca, pois amizade para mim é algo que se dá sem cobrar, se faz sem perceber, nos alegra e nos completa sem muitos esforços.
E com esta ideia fixa, meio jururu da vida recebo um recadinho da Kiki relembrando nossos risos diários e constantes sobre o nada, nossa cumplicidade estampada nas nossas caras, nossa amizade de riso e de choro, de altos e baixos, de anos e anos que nem a distância ameniza. Lendo as 2 linhas que ela me escreveu, me pus a chorar. Viver longe das pessoas que amamos é a parte mais difícil desta jornada.
Pois neste mundo novo eu não sou niguém, não tenho passado, não tenho cumplicidade, não tenho com quem confidenciar coisas que muitas vezes nem precisam ser ditas, pois bastava um olhar para ser entendida. Bastava um sorriso torto para entenderem, um abraço apertado para ganhar colo, um suspiro mais fundo para sentar ao meu lado e olhar de verdade para mim a espera do desabafo. De amigos imaginários eu não preciso de mais nenhum, os meus já me bastam. Não quero "oi, tudo bem", quero "oi, tudo bem???".
Então que tal circular por aí, hein? Vamos parar de mandar email? Hein? Hein?
Amiguinhos imaginários, vamos brincar de esconde esconde? Vou contar até 1000. 1, 1,25, 1,35, 1,78, 2, 2,10...

terça-feira, 9 de agosto de 2011

É pic, é pic

Hoje minha mãe faz aniversário, e como eu queria estar por perto. Queria o básico. Dar uma abraço, um beijo, olhar para a carinha dela, rir provavelmente de sua maquiagem torta ou de alguma coisa qualquer, pois se minha mãe tem um dom, é o dom da risada fácil.
Queria estar perto para me sentir completa, acolhida, amada.
Queria estar perto para achar sentido na distância.
Queria aquele cheiro conhecido, o gosto especial, aquele silêncio acolhedor.
Queria aprontar com ela alguma travessura que só nós duas entenderíamos o valor.
Queria uma guloseima escondida, uma escapada gastronômica, um olhar cúmplice debochado.
Por hoje ser dia de festa que eu aqui de longe fico com o coração apertado de saudade, suspirando, sonhando, desejando que o mundo nos dê muitos outros aniversários para comemorarmos juntas e infinitos outros dias para vivermos o de sempre, o básico que nos une, o de sempre que nos faz sermos felizes juntas.
Parabéns mãe por mais este dia, este ano de vida. Com amor.
Sua filha

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Ah, não! Ele vai cantar de novo?

Assistir a TV Globo sem um controle remoto por perto está se tornando muito nocivo aos meus ouvidos.
- Ah, não! Luciano Huck vai cantar a musiquinha do Criança Esperança? Cadê o controle? Cadê?
Minutos depois...
- Ana Maria Braga vai cantar, pega o controle. Pega Nêgo. Corre. Socorro!!!
Minutinhos depois...
- Não, Luan Santana ninguém merece, não vou ouvir isso de novo, cadê a %$#*@ do controle?
Alguém já conseguiu ouvir até o final os números? Achei que no meio do Jornal Nacional a Fatima Bernardes ia levantar e puxar o William para cantar, ninguém merece. Menos, muito menos.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Vai trabalhar vagabunda!!!

Quando eu trabalhava em São Paulo pensava que a vida podia ter muito mais a oferecer, ficava frustada nos dias de sol pois imaginava quanta coisa dava para se fazer ao invés de ficar dentro de um escritório acompanhando o dia terminar pela janela de um prédio com vista para outro prédio, nos dias de chuva me frustava imaginando as pessoas felizes que ficam em casa tomando cafézinho e vendo filminhos de dias de chuva como "Curtindo a vida adoidado" entre uma soneca e outra, e dizia: "Deve existir mais da vida do que isso, tenho certeza".
Aí, me mudei para cá, para a vida no Nordeste, no Nordeste do Nordeste, no veraneio eterno. Aprendi a costurar, abri uma lojinha só minha, fechei abri outra, fechei e agora só fabrico bolsinhas e coloco em uma loja de outra pessoa, assim não preciso ficar de vendedora sorrindo o que engloba eu não precisar mais me relacionar com pessoas, não preciso mais sorrir, vender, falar boa tarde, blá, blá, blá. E penso: "Deve existir mais da vida do que isso, tenho certeza".
E cá estou eu me achando uma vagabunda sem saber que parte da vida estou perdendo, querendo horários, compromissos, encheções de saco, loucura, sanidade, e outras coisas que fazem da vida estressante para poder nos dias de folga pensar: "Puxa, que delícia de dia, ainda bem que não tenho nada para pensar".
Mas outro dia, no meio desta crise, acordei e fui andar à cavalo pela praia, um caminho lindo que passa pelo mangue e pelos coqueirais. Era uma quarta-feira ensolarada. No fim do dia encontrei uma boa amiga e vi o dia terminar tomando um cafézinho ao ar livre, batendo um papinho e pensei: "Puxa, que triste eu não aproveitar assim todos os dias da minha vida".

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Voltamos com a nossa programação normal

Após 2 meses sem computador, estou de volta a este cantinho, cheia de saudades.
Obrigada aos que voltaram depois deste meu abandono, aos que n˜åo deistiram de mim... rs.
Minha cyber vida está de volta.
beijos

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Rico, te amo Tota

Tota sou eu, em um apelido que não pegou nunca, eu mesma me dei, mas nunca ninguém me chamou assim. Rico, te amo Tota esteve pixado em frente da casa da minha mãe, no muro ao lado da padaria, onde hoje é uma banca de jornal, pixado com tinta azul, por anos e anos, anos e anos e mais anos, anos que duraram este "amor".
É bom ser jovem e ociosa, né? Lá pelos meus 13, 14 anos estava na rua com meu cachorro Sunset quando passa um menino lindo, uns 4 ou 5 anos mais velho que eu, loiro, olhos azuis, alto, talvez ele tenha me olhado e por isso desencadeou a obsessãozinha (ok, até então obsessãozinha) e não lembro bem porque, mas estava lá na rua sem fazer nada, mocinho loiro passando e lá fui eu seguindo o tal pela rua até descobrir a casa que ele morava.
Depois disso a vida foi mais fácil, a lista telefônica me deu seu número (fixo, celular nem existia), sobrenome, nome do pai...
Liguei. Alô, quem fala? Se era mulher eu desligava (não existia bina), se era homem com voz de moço eu perguntava, descobri 2 nomes, Pedro e Rico, mas não sei porque me encantei pelo nome Rico, tão Copacabana "His name was rico, He wore a diamond..."
Nesta mesma semana ele foi na farmácia pedir um termômetro e berrou para a mãe "Estou com febre" e eu que vivia na janela feito uma "maluquinha" (por enquanto apenas maluquinha) ouvi e desci correndo para comprar o termômetro usado por ele, pensando bem agora com os trinta e tantos anos que me cabem, que coisa mais nojenta, esteve no suvaco dele aquele vidrinho com mercúrio. Mas era só o começo.
Estipulei que dia 15 de março era o nosso aniversário de algo, não era namoro, pois ele não me amava, não era paixão, pois ele não era apaixonado por mim, não era nada na verdade, pois ele nem me conhecia. Mas todo dia 15 passei a procurá-lo. Primeiro contato me apresentei como uma apaixonada por ele, por telefone, foi bem fácil, até ele querer me conhecer pessoalmente e eu praticamente enfartar.
A partir daí resolvi investir naquele amor e fazer da minha vida ociosa algo muito útil e passei a persegui-lo profissionalmente.
Todos os dias eu saía da escola e ia até a casa dele esperá-lo sair ou chegar. Passei a ser íntima de todos naquela casa, revirava o lixo, colava suas bitucas de cigarro na minha agenda que relendo para escrever esta história senti um cheiro meio ruim.
Mas dia 15 eu me superava, mandava cartas, flores, chocolates, telefonava e dizia em alto e bom som "1 mês que te amo", "1 ano que te amo", "1 ano e 3 meses que te amo", "3 anos e 7 meses que te amo", (estão achando muito?), "4 anos e 5 meses que te amo", "5 anos que te amo", "5 anos e 3 meses que te amo", "6 anos e 11 meses que te amo", (cansaram?), "7 anos que te amo", "7 anos e 9 meses que te amo", "8 anos que te amo".
O ano era 1996, eu já estava formada, namorei uns mocinhos neste meio tempo, ele ficou meio careca, já tinha uns 26 anos e eu uns 21 anos. Ele morou na França, e mesmo assim recebia cartinhas religiosasamente datadas (o coitado me deu o endereço).
Ele noivou e desnoivou, me ligou algumas vezes, agradeceu outras pela minha insistência, mas acho que por dó quando completou 8 anos ele resolveu acabar com aquela história, afinal, com a idade isso podia se agravar, virar algo mais psicótico ainda e me convidou para sair.
Quando minha mãe chegou e disse: "Renata, o Rico no telefone" Eu cortei meu dedo, pois estava no meio de um trabalho de kirigami que fazia na época, chupando o sangue que jorrava e falando ao telefone, sentada no chão, pois as pernas desabaram, só pude dizer "Sim, te espero, ok. beijo" e nesta noite fomos ao cinema, jantamos, conversamos de verdade pela primeira vez. Mas eu precisava pensar e fazer este encontro se prolongar "esqueci" no carro dele minha agenda eletônica (é, a modernidade estava chegando) para no dia seguinte ele me ligar dizendo que encontrou a agenda ou eu ter uma desculpa para ligar.
PAUSA: Jogada de mestre, hein meninas? FIM DA PAUSA
Ele ligou, não para falar da agenda, aliás ele nem viu, mandou lavar o carro e nunca mais foi vista, mas isso nem interessava, tinha que fingir que perdi a agenda em outro lugar então... o que importava é que ele ligou para me ver de novo e de novo, e de novo, e de novo, visitei a casa dele, conheci a mãe, veio em casa, isso tudo em 11 dias, estava achando tudo muito rápido, muito apressado ele, poxa, 8 anos depois e "BUM" me pede em namoro? Pedir em namoro já é sinal de algo errado existia com ele. E depois de 8 anos e 11 dias de amor esta história acabou com um singelo: Rico, precisamos ir mais devagar e não sei se é isso realmente que eu quero, te ligo, tá?

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Enquanto isso na civilização...

Passar uns dias em São Paulo é perigoso para uma carioca radicada no Nordeste, pois lembro o quanto a vida é diferente e organizada longe da minha baguncinha chamada lar.
Aqui não tem a fauna completa me irritando, sem mariposas a noite, sem pererecas ou siris pela casa.
Vejo que fui criada aqui, no meio de onde tudo acontece e me afasto disso na minha clausura que adoro, porém ficar tanto tempo sem me civilizar é perigoso, pois me vejo delirando ao ver uma muzzarela de búfala ou uma loja do Amor aos Pedaços.
Acho que andando no shopping as pessoas vão perceber que eu não calçava um sapato desde o ano passado e que minhas roupas de inverno são as mesmas que deixo aqui na casa da minha mãe muito pouco usadas desde que me aventurei na minha odisséia Nordestina. Me olho no espelho e não me reconheço tão composta. É estranho.
Vejo muito carro, muita gente, uma cidade limpa com calçadas, sem sujeira, sem poluição visual, lixos reciclados, gente educada, sorrisos, bons dias dados espontaneamente, boa noite delicada, gentil. Percebo que o que mais me faz falta é esta civilidade.
Adoro estar aqui por uns dias respirando outros ares e sempre me prometo não demorar tanto para fazer isso, voltar mais vezes, não me afastar tanto das minhas raízes, pois eu gosto disto tudo, adoro uma buzina, um barulho, um caos.

Não esqueçam do After Dark do Passei dos Trinta no Seo Gomes no dia 31/5...

terça-feira, 10 de maio de 2011

Ele é assim...


Há quem diga que conseguimos explicar porque amamos uma pessoa, mas não acho que conseguimos definir o objeto amado tão bem assim, mas vou tentar.
Ele é assim, um menino grande que tem um coração maior que ele. Com seu 1,90m se encolhe todo para abraçar um gatinho da rua e me olha com aquela cara de "Você decide, mas podemos levar para casa? Diz que sim..." e eu, dura como sou, digo não, pois se dependesse dele, todos os bichinhos da rua teriam um lar, o nosso lar, certa vez adotou um potrinho que achou perdido, já imaginei aquele cavalo crescendo em nosso quintal... Mas por sorte achou um sítio para ele.
Quando vamos para a Praia dos Carneiros ele paga a hora do cavalo que puxa carroça para ele sair do sol e descansar.
Quando viu um carro atolado certa vez, encheu tanto o saco do cara para deixá-lo desatolar, que depois de uma havaiana arrebentada, uma bermuda rasgada ele saiu todo feliz de seu feito.
Um dia de folga, ouviu uma triste história de um cachorro sofrendo sem tratamento, convenceu a dona do cachorro a deixá-lo levar o pobre cão para ser tratado e lá foi ele para Recife ajudar o bichinho de outra pessoa que nem estava assim tão preocupada com ele.
Ele é assim... se um amigo está sem emprego e jururu da vida ele dá emprego, casa, comida, roupa lavada até o amigo se reerguer e não pense que depois de alguma maneira cobra por isso, joga na cara, se torna mesquinho, exige pelo menos telefonemas... não, ele não é assim, faz por se sentir feliz e isso lhe basta.
E ele é assim a pessoa mais altruísta que conheço. Pessoa de riso fácil, abraço sincero, amigos constantes, carinho terno, bom humor habitual. Agradeço por tê-lo em minha vida, pois aprendo muito com ele, aprendo o real valor das coisas materiais, o real valor de uma vida, o valor de ter acima de tudo um amigo de toda hora.
É, fizemos 11 anos juntos e este post é porque ele é assim... o meu amor.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Era uma vez...



Ah! Será que toda mulher sonha em ser princesa? Se sonha, o momento para sonhar é agora. Imagina você, plebéia porém de família rica, uma emergente dos dias de hoje e de repente se apaixona e se casa com o futuro Rei da Inglaterra.
Imagina agora que sua vida vai mudar radicalmente em nome deste amor. Seus passos serão "para sempre" vigiados, não vai mais sair com as amigas para falar mal do marido, nem beber além da conta, fofoquinha então? Nem pensar. Não vai mais ao shopping olhar vitrine nem pegar um cineminha de bobeira. Não vai mais poder errar no corte de cabelo, nem na cor, aliás não vai mais escolher seu novo corte de cabelo sem uma legião de assessores. Não vai mais falar mal da família do marido, nem passar os Natais com a sua família. Não vai mais repetir roupa, que disperdício usar um vestido lindo uma vez só na vida, o vestido te caiu tão bem...
Não vai mais pegar seu carro e dar uma voltinha para espairecer, nem vai abraçar e beijar seu marido em público, muito menos andar ao seu lado, dois passos atrás é o recomendável. Não vai mais chorar na frente dos outros. Não vai mais mascar aquele chicletinho e de repente fazer uma bola. Não viajará de férias sem que tenha um paparazzi examinando sua forma física. Engordar só será permitido para gerar um herdeiro, de preferência homem, cuja educação você pouco fará parte.
Sua vida será regida por este amor, tudo girará em torno das suas vontades que melhor se encaixam na vontade de seu povo. E você?
Viverá no luxo, dormirá em lençois engomados, não vai precisar nem pegar um copo d'água. Lembrar o dia de pagar uma conta? Nunca mais este mundo irá te pertencer. Seu nome entrará para os livros de história e a partir de agora você se tornará uma instituição e não mais uma pessoa com o direito de ir e vir, berrar e chorar, rir e gargalhar.
Sempre quis ser uma princesa como toda menina e hoje agradeço aos livros de conto de fadas que terminam suas histórias no dia do casamento com um singelo "felizes para sempre". Isso nos conforta, ameniza os percalços que a princesa irá passar daqui por diante, pois ser feliz para sempre com tantos nãos, etiquetas, cerimoniais, rituais e restrições não deve ser fácil, tenho certeza que eu tropeçaria já na igreja seja na barra do vestido ou no véu de 20 metros ou ainda dando um beijo e um abraço com o rímel escorrendo na Rainha.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Tabata, a jabuti

São Franscisco achou que no universo de cães e gatos a vida ia muito bem obrigada, eu já tinha minha cota de pecados para pagar e para cuidar. Já tinha meus filhos para alimentar e amar, mas existem milhares de universos do mundo animal, né São Francisco?
- É - eu respondo batendo pézinho.
Quando ouvi:
- Ela está morando dentro de um balde.
- Ela vai ser doada e se eu não conseguir vou colocá-la na rua.
- Ela vai acabar atrofiando as patinhas por viver dentro de um balde.
Preciso dizer que meu "frio" coração se derreteu e que agora tenho uma jabuti para chamar de minha.
Apresento para vocês.... tchan, tchan, tchan...

Tabata, a jabuti. Ela é muito gostosa, passa a manhã toda caminhando, caminhando, mesmo assim não emagrece. Só come frutas e verduras e mesmo assim é bem pesadinha. Coloco ela na banheirinha para se molhar pois é muito calor e ela quase nada, mas é muito pesada, afunda. Sou solidária a ela. Deve ser difícil viver no mundo de cães lindos, gatos maravilhosos e ser assim, cascuda, meio antipática, meio anti social, ela sofre de bullying em casa, tento inibir esta atividade, mas tadinha, ela é um ser novo e estranho que não tenho e nem sei como interagir, mas que estou aprendendo amar.
O único problema é que ela vai viver mais uns 80 ou 100 anos e agora vou ter que fazer um testamento ou ter um filho de verdade para herdá-la, mas fazer o quê? A vida é assim mesmo, aquele santinho que sempre apronta comigo me deu mais esta missão. Peraí que vou apertar um pouqinho daqui, esmagar dali e fazer com que a minha gordinha cascuda caiba no meu coração.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Show do Milhão

A nossa geração inventou ou ouviu alguém falar e resolveu seguir a seguinte teoria: "Para ser uma pessoa bem sucedida tem que ter 1 milhão até os 30 anos".
Opa, peraí, mesmo se eu não gastasse nenhum centavo dos meus salários desde os 17 anos, que foi quando eu comecei a trabalhar, mesmo assim eu não teria 1 milhão, aliás não teria nem metade disso, ou melhor nem um terço. E mesmo que eu ainda estivesse usando as calças cintura alta, ou clochá, que usava aos 17 anos sem gastar 1 centavo em nenhuma lojinha sequer, mesmo que eu não comprasse ração importada para meus filhos, mesmo que eu morasse ainda com os meus pais sem pagar uma conta e não saisse de casa nem para tomar 1 caipirinha, mesmo assim eu não teria 1 milhão e sem contar que seria um ET cafona sem amigos e provavelmente sem emprego, pois onde já se viu uma designer chegar em uma entrevista usando a tal calça clochá?
Bem aí também eu não poderia cortar cabelo, fazer depilação, pois para chegar aos 30 anos com 1 milhão eu teria que ser uma mulher macaca e cabeluda. Ainda por cima tenho cabelo branco desde sempre, seria a própria Maria Bethânia, sendo que ela ganhou 1 milhão só para fazer um blog e eu faço ele de graça, é praticamente um trabalho voluntário.
E mesmo que eu abdicasse do carro pois como iria gastar comprando um e colocar gasolina então? Nem pensar. E se eu nunca fosse a um cineminha sequer, nem um teatrinho, nem a um show para não gastar e guardar tudo para conseguir o famoso 1 milhão, mesmo assim eu não teria este 1 milhão aos 30, nem aos 36, se continuar assim, nem aos 40 e eu teria me transformado na mulher macaca, sem amigos, burra, solteira, virgem e ainda teria que andar com a tal da calça clochá. E ai de mim que engordasse estes 10 kg que devo ter engordado desde os 17 anos, teria que fazer uma imenda na calça clochá para eu poder caber, pois todo o meu rico dinheirinho seria encaminhado para o sonho do 1 milhão.
Sem contar que se eu não tivesse amigos, não saisse de casa e não tivesse namorado minha única diversão seria comer e chorar em filme triste que passa na Globo, pois nem TV a cabo eu poderia ter.
E mesmo assim fazendo as contas eu teria aproximadamente 300 mil que iria ser muito pouco útil para mim já que o sonho do 1 milhão se completaria somente perto dos meus 90 anos.
Em resumo: parabéns para meus amigos que me contam que alcançaram o tal sonho pois eu, não cheguei nem nos milzinho na conta, mas este nunca foi meu sonho, nunca foi a minha meta e acho que não sou menos feliz por isso, pois eu gastei alguns salários em caipirinhas com os amigos, dezenas em salão de beleza, centenas em roupas e milhares em diversão.

terça-feira, 5 de abril de 2011

No meu tempo

A gente podia comer um ovo sem culpa, depois veio um papo que ovo só uma vez por semana e olhe lá! Agora descobriram que ele é bonzinho, não é aquele vilão do colesterol, colesterol? O que era isso? Nem existia.
Fumávamos cigarrinho de chocolate sem nossos pais irem para cadeia por estar nos induzindo ao vício.
A Floresta Amazônica era chamada de pulmão do mundo, hoje dizem que ela acelera o efeito estufa.
Comprava "solarcaine" antes mesmo de ir à praia, pois sabíamos que depois do sol, íamos ficar ardendo passadas às 8 horas na praia e ninguém olhava para meus pais e diziam que ele estava causando um câncer de pele em suas filhas.
Passava o camelô vendendo Raito del sol, uia que delícia, era sinal que naquele dia ia ficar nêga e usar muito mais solarcaine que o normal.
No meu tempo podia-se comer tudo, muito queijo, muito café, muita empadinha de queijo.
Os carros, eram coloridos, azuis calcinha, verde abacate, amarelo ovo... hoje a vida virou monocromática demais.
O certo e o errado eram menos pesados.O politicamente correto era menos valorizado, pois o acesso a tudo era mais restrito.
Não víamos garotas de programa ganhando reality show, aliás o mais reality que tínhamos na TV era o Chacrinha jogando seu abacaxi ou seu bacalhau no meio de uma platéia. Imagina hoje em dia, neste mundo careta que vivemos o Faustão jogando um bacalhau fedido nas pessoas? Ah! O mundo está muito certinho.
Que lugar é este que transformamos? Para onde aquelas pessoas caminharam?
Hoje levam seus filhos para o show do "restart" pois são os únicos garotos que usam roupas coloridas e por isso são modernos, deixam suas filhas verem Bruna Surfistinha pois ela sofria "bullying" na escola e ao invés de enfrentar a vida virou puta e mostra isso com glamour em um filme tão pobre de cultura que na lição final diz em outras palavras "Sou puta e sou feliz, vale a pena, arranjei um amor, ganho dinheiro e isso basta e é isso que importa".
No meu tempo a educação prevalecia, o dinheiro era consequência.
Era certo ser boêmio, era erradíssimo ser careta demais. No meu tempo a vida era mais leve, menos cheia de padrões, menos sofrível e menos cheia de pré requisitos inflacionados. Mas sabe? Acho que éramos mais felizes com estes padrões hoje ditos deturpados. Aprendeu-se muito e evoluimos muito nos últimos anos, impondo regras, mas acho que esquecemos o mais simples, esquecemos da única missão que nos foi imposta: a de sermos apenas humanos.

terça-feira, 29 de março de 2011

Bendita



Bendita sou por ter te conhecido.
Bendita sou por ter te amado.
Bendita fui nos dias em que estivemos juntos, e foram muitos.
Bendita foi a vida que me deu você.
Bendita seria se este encontro tivesse durado mais uns anos, poucos já iam bastar.
Bendita sou por viver com as minhas lembranças.
Bendita seria se eu ainda pudesse te ligar para contar as coisas da vida, as bobagens diárias, as histórias dos cachorros...
Bendita seria se eu escutasse você falar comigo, só mais uma vezinha.
Bendita é a vida que deixa saudades.
Bendita sou e sempre serei por ter tido um pai. Bendito.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Fragmentos de um Carnaval

Fuçando pela internet achei um site com muitas histórias de carnaval, de beijos que acabaram cedo demais, encontros rápidos que podiam ter demorado mais uns dias, paixões que durou segundos, da Colombina que esbarrou com seu Pierro no Cordão do Bola Preta e a multidão os separou, a Smurfete que se encantou pelo Papai Smurf, o Flamenguista que arrasou com a Vascaína, e infinitas outras histórias de amores de carnaval, amores descartáveis, mas que de alguma marcaram.
Vejam o site, se chama "Oncinha cadê você?"
Me fez lembrar dos carnavais de Iguaba na casa de uma amiga, íamos todos os anos para o mesmo clube em Araruama, encontrávamos as mesmas pessoas, nos apaixonávamos e nos reapaixonavamos todos os carnavais.
Lembro de um mocinho vestido de índio, logo eu que não sou fã de índio, fiquei apaixonada por ele, era última noite de carnaval, a bateria saiu do clube e fomos atrás dela, o dia estava nascendo, nos perdemos ali, entre berros:
- Qual seu nome?
- RENATA E O SEU?
- Ivan, decora meu telefone, vai?
- HAN?
- Decora meu telefone? xxxxxxx.
- xxxxxxx.
- Isso.
- Decorado.
- Jura que me liga do Rio? Jura? Jura para mim?
- Juro.
Não precisa dizer que não decorei e que nunca mais vi o índio Ivan.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Só no miudinho

Com o carnaval chegando eu me lembro de um grande trauma de infância. Infância de uma carioca que gosta de carnaval. Não sou daquelas que decora os sambas, programa viagens, tours, que fica horas vendo todos os anos as Escolas de Samba, mas gosto de carnaval, e me ver sambar é simplesmente triste, patético e ofensivo ao samba. Se algum sambista me ver tentando me ritmar vai me mandar parar e voltar para casa, constrangido.
Harmonia, zero, nota zero.
Evolução, zero, nota zero.
Ritmo, zero, nota zero.
Bom senso, zero, nota zero.
Até que com o meu pé direito eu sei fazer direitinho, coloco na frente viro para a direita e cai atrás certinho, mas quando o esquerdo vai acompanhar eu fico parecendo uma pata manca rodopiando no próprio eixo eternamente. Meu pé esquerdo não sabe fazer o rodopio para a esquerda e dar a caidinha para trás, sabem? Mas quem disse que isso me inibe? Não isto não me inibe, é claro, e eu tento compensar no rebolado o que significa tragédia garantida.
Mas o negócio tende a piorar quando a cabecinha dá a viradinha de sambista, aí meus amigos, é puramente caso de internação. Mas eu não ligo, pois é carnaval.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Eu queria ser a Tati Bernardi (faz tempo)

Não, não vou segui-la na rua.
Não, não vou plagiá-la, nem mudar meu corte de cabelo.
Não, não vou virar "Mulher solteira procura".
Não, não vou mudar de personalidade só para escrever como ela.
Não, não vou descobrir coisinhas da vida dela investigando o Facebook, Twitter, Orkut, Google.
Não, não vou virar psicopata para ser amiga dela.
- Quem é Tati Bernardi? Os desavisados me perguntam, eu respondo, é a dona dos melhores textos que li. Sabe aqueles textos que você lê e só consegue pensar na insignificância do seu vocabulário, da sua vida, do seu pseudo dom? "Porque eu não escrevi isso?" É o que sempre digo lendo ela. Que raiva que tenho. (vaca)
Queria viver os desamores dela e depois escrever textos tão intensos que me fazem ficar com raiva do moço que a rejeitou. Em outro texto, queria ser o chefe dela que estava no restaurante enquanto ela dava um dos melhores foras da sua vida.
Ela é neurótica, moderna, e se eu continuar escrevendo vão me achar meio doidinha. Leiam e me digam depois? Me digam que eu jamais serei a Tati Bernardi, por favor? Preciso me libertar.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Cordeleando no mundo moderno


Uma baronesa nunca confessa
Seus sentimentos mais profundos
Apaixonou-se por um rei e a casta não permitia
A casta não aceitava
Baronesa sai desta vida, sai de mim, vai viver
Baronesa ouviu, pois baronesa ouve e obedece
Baronesa foi viver
Foi esquecer que seu rei nunca seria barão
Talvez Conde
Título nobre demais para quem não merece
Rei disse: Vivo bem sozinho, não preciso de rainha
Baronesa disse: Serei feliz sem barão, sem rei, sei reinado
serei feliz sem vosmice para me perturbar
E assim saiu farrapando com a vida
Pegou a estrada até um vilarejo distante
4 dias de caminhada
As solas se gastaram
As forças esgotaram
Chegando lá, dormiu outros 4 dias e noites
E ainda assim, a vida farrapou com ela
Virou tabacuda
Virou abestalhada
Mas foi achar seu reinado
E na cidade da terra vermelha ela achou um moço e perguntou:
Vosmice quer ser meu barão?
Ouviu um não
Perguntou de novo para outro moço
Não
E de novo
Não
Até que ouviu um sim. Finalmente. Um sim
Baronesa casou e foi feliz com seu barão. Não no para sempre dos contos de fada, isso aqui é um cordel
Até que...
...na terra distante, um dia o tal rei percebeu que baronesa era mais importante que ele imaginava e que de nada adiantava ter um reino sem rainha, ter uma terra marrom, sem saber ara-lá e um palácio sem vida
Foi atrás da baronesa
Andou 4 dias e 4 noites até que achou seu novo vilarejo
Baronesa, quero te fazer minha rainha
Sua casta agora é a mesma minha
Baronesa olhou bem, pensou e disse:
Na sua casa tem Tv a cabo?

* Nota da autora: Era para fazer sentido este Cordel?