Nunca contei esta história para os amigos, pois ela é tão sem pé nem cabeça e me desorientou tanto e por tanto tempo que eu nem conseguia contá-la, mas hoje estava pensando e resolvi falar e fazer uma enquete: quem é a louca da história?
Vamos lá, me ajudem...
Em junho do ano passado, passei por uma crise braba, sabe? Um luto tardio, uma insatisfação com o trabalho, estava cansada de ficar sozinha em São Paulo e o Renato longe, estava estressada com tudo e todos, enfim, após ficar uns dias chorando sem parar, indo trabalhar de pijama e com vontade constante de sumir, fui fazer terapia.
Confesso que sou uma pessoa muito fechada para isso, mas fui, precisava de um auxilio urgente para pelo menos ter coragem para trocar de roupa antes de trabalhar, recorri a doutora doida.
Estava indo bem, eu ia toda segunda à tarde, fui durante umas 6 semanas quando um certo dia ela não podia me atender na segunda, me ligou e remarcou para quinta, mas eu tive um imprevisto de trabalho na quinta e deixei recado no celular da doutora doida:
- Oi Doutora Doida, aqui é a Renata e não poderei ir hoje, vamos continuar na segunda que é mais fácil para mim. beijos me liga.
Na sexta ela me liga toda brava pois eu havia "faltado a sessão", e era para eu estar lá em uma hora, era uma ordem, missão simples para quem mora em São Paulo no Morumbi e ela atende no centro, né? Umas 6 da tarde de uma sexta-feira? Melhor ainda.
Avisei que não iria, pois tinha outros planos e que havia deixado recado no celular que ela afirma que não recebeu e ela ainda disse que eu devia ter ficado ligando até conseguir falar com ela. Bem, eu sou da geração que acredita na tecnologia, o recado do celular chega na hora, ou marca que meu número ligou para ela, certo?
Bem, na segunda chego na minha sessão e ela me diz:
- Antes de mais nada precisamos conversar, foi muito feio o que você fez não me avisando que iria faltar a sessão, e não dando pioridade a terapia, você tinha que ter vindo quando te liguei.
- Hãn? Eu não vou assumir que não liguei, pois eu liguei, tudo bem eu pago a sessão que eu não vim, se é isso que importa, apesar de eu ter avisado com antecedência, mas eu não vou assumir que estava errada.
- Sabe de uma coisa mocinha, saia daqui agora. - aos berros - Sai daqui, saia, xô, xô, xô, sai, sai, SAIIIIIIIIII, me carregou até a porta do consultória e me expulsou de lá.
Eu estava em tratamento sério, pois chorar por 4 semanas seguidas e initerruptas não é normal, né? Eu estava tendo que tomar uma decisão difícil, largar meu emprego, minha família e tudo mais para vir morar aqui no Nordeste, e ela ficar carente por eu não ter ligado (segundo ela), nem ter corrido para o centro da cidade às 6 da tarde saindo do Morumbi (pois eu não sou louca de verdade, só finjo). Quem em sã conciência sobrevive a este trauma? O pior, eu saí de lá chorando, não disse uma palavra e fui chorar no colo da minha mãe, que óbviamente queria ir lá socar a doutora doida.
Agora vem a enquete para aliviar ou amaldiçoar minha alma:
Uma médica pode fazer isso com um paciente em tratamento? Falar xô, xô, xô, sai da minha sala e pegar a paciente pelo braço até a porta do consultório e ainda bater a porta na cara dela? Pode? Sem motivo nenhum? É normal? Quem é a doida? Quem?