segunda-feira, 26 de julho de 2010

Cuidado com a Cuca, Que a Cuca te pega e pega daqui e pega de lá

Quando criança, morria de medo da Cuca do Sítio do Pica Pau Amarelo, tinha tanto medo que uma babá que eu tinha chamava minha irmã de Cuca e eu de Fofinha, tadinha da minha irmã, deve ter sido traumático. Lembro que nossas canecas tinham escrito Cuca e Fofa. Bem, este não é um post sobre bicho papão da infância, aliás, nem sei porque comecei falando sobre a coitada da Cuca e da minha irmã. O assunto é sim assustador, mas de outro programa infantil que ilustrava os palcos da Rainha dos Baixinhos, é, a dengue.
Pense na pior dor de cabeça do mundo, some enjoo, dor por todos os cantinhos do corpo, isto é a Cuca, ops a Dengue. E depois de 5 dias, você já se acostumando com tudo de ruim no mundo vem a pior parte: a coceira.
Tudo aquilo que antes doía, passa a coçar, coça, coça, coça muito e de repente você percebe que tem 3 joelhos, dedos do tamanho de coxas, pés de pata, coça, coça e corre para o postinho médico da cidade.
- Doutor, tire esta coceira de mim!
(abre parênteses) Em Porto não existe hospital, apenas este postinho médico com um doutor delicado e simpático como, como, deixa eu pensar o que, como a Cuca. Isto, doutor que parece a Cuca de tão delicado em sua roupinha verde e seu chinelão (fecha parênteses).
- Precisa tomar injeção.
- Ah! Mais injeção, doutor? Dói muito? - pergunto já calejada de tanta dor.
- Você já teve menino? - pergunta o doutor Cuca.
- Não.
- Você já teve cólica renal? - pergunta novamente o doutor Cuca.
- Não!!!
- Então você vai descobrir o que é dor.
Passando o momento delicadeza do doutor Cuca espantando a criancinha que tem medo de injeção, senti sim, uma dor como de quem teve um menino com cólica renal e 3 dias depois a coceira passou.
Agora digo. Se você acha que teve gripes fortes, doenças chatas, viroses insuportáveis, é porque você não teve a dengue. Cuidado mesmo. Pois a Cuca te pega daqui e te pega de lá.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Cansado da propaganda das Casas Bahia?

A vida pode ser difícil, viu gente? Fica o conselho. Eu odiava ver os comerciais das Casas Bahia a cada intervalo, com sua narração berrenta, eu pensava: Não, nada pode ser pior do que ver este conjunto de sofá de "chenille", nem esta cozinha Veneza que vem com a mesinha de mármore de graça com 4 cadeiras, nada pode piorar no mundo. Mas pode ser pior e muito. No canal aberto ando sentindo falta do Boa Noite bonitinha, Boa Noite bonitinho do sempre elegante Ronnie Von, ver os lançamentos da Marlene Enxovais. Ai que saudades. Bons tempos eram aqueles. Os canais abertos daqui são de programações locais, existe o programa Cardinô, que se eu contar aqui o tema central do programa de hoje vocês vão pensar, não, lá vem ela falar mal de Nordestino, não, não darei este gostinho para as pessoas de plantão loucas para brigar comigo. Mas o bom dos canais locais é que tudo surpreende de repente, faz você perder o ar, o chão, o norte, os valores, o cérebro e perceber, que hoje um Boa Noite bonitinha seria incrível até mesmo naquele dia que o programa só mostra coisas de seguros, ou da nutricionista gordinha dando dicas de dieta, ou ainda das histórias do botânico, cantor, apresentador, empresário, decorador e modesto Ronnie. Queria ilustrar o que eu falo, pois com palavras não saberia me expressar e procurei incansávelmente o comercial das Tintura Marcia, mas não achei, triste, só quem pega a Globo Nordeste sabe o que estou falando. Mostra uma moça de cabelos longos e pretos lindos. Ela sacode o cabelo para um lado para o outro, com um figurino de deixar qualquer cantora de Calypso doida para descobrir quem fez aquela roupinha tão sexy, até aí tudo bem se na cena final não aparecesse um gay esteriotipado dizendo: A Marcia abalou. E fim. Mas lembrei de uma outra propaganda que para mim resume bem o tamanho da minha indignação. Não sei linkar vídeo direto do youtube aqui, por isso copiei o link, por favor abram e me dizem se eu não tenho razão para sentir falta até dos canais abertos paulistanos, e se alguém entender o sentido desta propaganda existir, podem me contar a história dela, o sentido, o brifing inicial, o target, ou algo que me mostre que minha mente pouco criativa não captou. Divirtam-se e lembrem-se: se a gente acha que já viu tudo no mundo, a vida reserva surpresas...

http://www.youtube.com/watch?v=mqYkUu6BSL4

Nota da blogueira: a saudades de Ronnie é sincera.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Fricoteira


Realmente eu achava que a minha vida já estava mudada demais, estava cheia de novos cheiros, novas cores, novos amores, novos sons, novas amizades...
E estava adorando a vida de dona de casa e dos meus peludos, sem nada para fazer o dia todo a não ser cuidar da grama, do sol, da maré, das ondas desta vida de surfista, mas de repente tudo muda de novo e ainda nem me acostumei com a vida antiga e já vem uma nova? Mas já?
Mas é com imensa alegria que comunico que abri uma loja aqui em Porto. Uma lojinha de peças minhas criadas com uma grande amiga que fiz aqui, a Cássia, minha professora, amiga, fiel escudeira e agora minha costureira oficial.
A minha lojinha se chama Fricotes, pois ela é cheia de fricotinhos para todos os gostos, bolsinhas de tecido, kits de viagem, lixinhos de carro, jogo americano, linha pet... tudo feito com o maior amor para encantar os turistas que por aqui passam e quem sabe, ainda faturar algum trocado, né?
Em breve farei a lojinha virtual da Fricotes para quem está longe poder comprar e compartilhar desta nova fase da minha vida. Quem vier para Porto, não se esqueça de passar lá e tomar um cafézinho comigo. Fica no Shopping novo, bem no calçadão, o calçadão único da cidade, não tem erro.
Que esta nova fase venha repleta de sonhos realizados e amigos velhos e novos para dividir sempre as coisas importantes.

PS. Ainda falta ar condicionado, tapetinho, letreiro, cartãozinho... Vou mostrando depois as fotos quando for atualizando a loja, tá?

terça-feira, 6 de julho de 2010

Filha, acorda, filha você está bem?

Aaaaaaaaaaaaahhhh!!!!! Acordei com o maior berro do mundo, no susto, quase infartando. Mas vamos rebobinar a cena?
Certo dia, eu estava dormindo tranquila no meu quarto rosa da casa dos meus pais, meu quarto cheio de flores na parede, barulhinho de vento, tudo de bom, quando acordo com a voz da minha mãe me chamando "filha, acorda, filha, você está bem?" Eu vou acordando, o som sai do sonho, percebo que é real e abro os olhos e me deparo com a seguinte cena: meu pai segurando uma vela iluminando o rosto dele e minha mãe mais a frente me tocando. Eu berro, lógico que eu berro, muito e alto, minha mãe percebendo a falta de noção tenta explicar "Filha, é que faltou luz, vim ver se você está bem?". Eu ainda com o coração na boca, assustada, semi infartada, tentando entender a lógica familiar. "Tô, tô, tô sim".
Hoje eu lembro desta cena com muitas saudades, saudades de um tempo em que eu era tão querida que alguém se preocupava até sem ter sentido algum. Que falta faz para alguém que está dormindo a luz? Eu durmo sem ar condicionado, sem TV ligada, sem ventilador, sem nada que possa vir a fazer falta na hora do sono. Passei dias rindo deles.
Domingo a tarde choveu forte. Por uns segundos lembrei desta cena, fiquei rindo. Rindo do super protecionismo, rindo do mimo excessivo, rindo da ideia de girico dos dois. E a noite, faltou luz. Ficou tudo muito escuro. Muito silencioso. Eu ainda estava acordada, sem nenhuma luz de celular por perto, ou luz de vela para acender. Aprendi que nunca mais alguém vai iluminar meu sono. E isso é ser gente grande? Enfrentar o escuro sozinha? Até que achei uma luz de emergência que meu pai me deu, apertei o botão e saí do escuro, com uma vontade louca de chorar, berrar, rir, acreditar que para ele, eu ainda sou aquela que dorme no quarto florido e que precisa ser salva da escuridão.

sábado, 3 de julho de 2010

Mãe natureza

Nunca tinha reparado que a dama da noite floreia um dia antes da lua cheia, todo mês. Aliás na lua cheia a maré fica bem vazia e dá para ver todos os corais para fora, mas também quando a maré enche, a praia some.
Quando chove os mosquitos aparecem mais, as pererecas também, e o sapo gordo que mora no jardim, fica feliz. E normalmente chove mais na lua cheia.
Na lua cheia o Zézinho foge mais de casa. Os gatos ficam mais eufóricos. Brigam mais.
Faz tempo que não vejo o morcego que mora no portão de casa, chamo ele de Alberto, mas é lua cheia, ele deve aparecer hoje.
As lagartixas, já contei que tenho 2 lagartixas? Dorothy e Cristina, ficam mais felizes em dias de chuva, pois além dos pernilongos aparecem aquele bichinho de luz, mas com asas pretas, um monte.
Se a vida é regida pela lua cheia, vivemos 3 semanas por mês à deriva esperando a lua encher? Sem a lua o que aconteceria? A vida continua, as marés enchem, minguam, chove menos, Zézinho fica mais calmo, Dorothy não briga com Cristina... Mas na lua cheia tudo muda. Todos ganham vidas diferentes, é estranho.
Gosto de imaginar que quando saí da cidade grande, perdi muitas coisas, mas ganhei a mãe natureza me ensinando que fazemos parte de algo que não tem concreto, abri meu olhar para outras coisas que nunca antes foram explicadas para mim, menina de cidade grande, aprendendo aos 35 anos que na lua cheia as flores florecem, os animais se animam e a noite fica encantada.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

A Copa do Mundo é nossa!

Vocês repararam como está todo mundo animado? Achando que já somos Hexa? Mas para falar a verdade eu acho que esta Copa do Mundo está parecendo uma pelada em um campinho da Varzea, com o Ibis entrando em campo para disputar o título da 5ª divisão. Sou só eu que vejo assim?
E como aqui não pega a Globo muito bem, tenho visto pela Band o que é um alívio de certa forma, pois não ouço a voz do Cid Moreira falando "Jabulani", que ainda estou sem entender o porquê daquilo, sempre acho que Mister M vai entrar em campo para fazer mágica e levo um susto e ainda sem entender revelo aqui que deve ser um estado avançado de gagazice, só pode ser. Com isso nem preciso ouvir também o otimismo exagerado de Galvão, mas como nem tudo é perfeito, sou obrigada a ouvir o Luciano do Vale chamando o goleiro, é o único gato de verdade da seleção, de Júlio Batista por três vezes seguidas, sem ninguém corrigir e para piorar existe o Neto como comentarista. Não sei o que é pior não, estou na dúvida ainda.
E eu que já estava de luto desde ontem quando meus queridos jogadores italianos voltaram para casa, tristes e cabisbaixos, sem um ombro amigo para consolá-los, vou ter que revelar agora meu lado brega, que fez meu coração parar por uns segundos que foi quando o Cristiano Ronaldo tirou a camisa, não deu tempo para contar quandos gomos eu vi, perdi a conta, a paz, a visão, vi que nem tudo está perdido, a Copa do Mundo pode ser nossa ainda, quando falo nossa, falo nossa, da gente de tem raíz portuguesa, sou uma Cintra, posso torcer por Portugal agora? Desculpe Brasil, mas está difícil torcer por Michel Bastos ou Ramirez, né? Não vou nem falar de Lúcio, tá?

quinta-feira, 24 de junho de 2010

É inevitável,

Impossível não pensar no famoso "e se". E se eu tivesse dito aquele não ou aquele sim, talvez. E se eu tivesse acordado mais tarde, dormido mais cedo, saido apressada ou feito tudo com calma. E se eu pegasse a rua errada, o sinal abrisse, o carro engasgasse. E se eu não tivesse te visto, não tivesse te ouvido, não tivesse te amado. E se eu optasse pelo duvidoso ao invés do certo, se eu escondesse meu sentimentos, meus medos. E se eu não escutasse, me calasse, aceitasse, omitisse. E se num certo dia eu tivesse desaparecido, mudado de foco, mudado de vida. E se eu resolvesse que era a hora certa e não a hora errada. E se a vida tivesse me obrigado a voltar atrás, juntar meus cacos, coração em frangalhos. E se na hora do adeus, eu tivesse dito até logo, até breve, te ligo amanhã. E se por causa disso eu estivesse sofrendo, angustiada, amedrontada. E se eu fugisse. E se eu chorasse. E se eu berrasse. E se eu implorasse. E se eu me materializasse, saisse do pedestal, perdesse meu ar misterioso. E se eu resolvesse ler ao invés de escrever. E se eu ouvisse tudo a seco, engolisse. E se eu acreditasse no seu para sempre. E se eu ainda te amasse, se ainda sentisse sua falta. E se... a saudades apertar e eu ainda quiser deitar ao seu lado durante a sesta? E se, meu pai, eu ainda acordar com saudades e pensar em te ligar? E se?

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Sou só eu?

Que toda vez que ouve o nome "Soccer City" ri? Estou me sentindo o Joey de Friend's.

terça-feira, 15 de junho de 2010

O amor, simplesmente acontece



Certo dia chovia, chovia muito, choveu dia e noite sem parar, choveu até alagar a rua, a praça, a cidade. Choveu. Chovia. E iria continuar chovendo.
O portão de casa se abre para meu marido sair, algo que veio com a chuva corre na direção dele, se protege em suas pernas, se agarra cheio de medo, o que será isso cheio de lama? Lembrava levemente um gato. Ele pega no colo e me acorda. Me mostra o que a chuva nos trouxe de presente, mais um presente com 10 cm de pelo, sem dentes, esfomeado e cheio de amor para dar. Dou banho nele, ou nela, não sabemos ao certo o sexo do novo amor da casa. Mas chamamos ele de little, little love, little gato, little cat... infinitos littles cabem nele, nome provisório mas que combina com definitivo. Serzinho provisório que chegou em uma casa cheio de provisórios que se tornam definitivos, conquistando seus espaços.
Quando foi apresentado aos outros gatos, todos sairam correndo com medo de tamanha falta de jeito do "little", menos a minha Biscoitinha que adotou ele com todo amor. Castrada não sabia o que era ser mãe, agora sabe. Deixa meu "little" mamar nela, mesmo sem leite. Dá banho nele, mesmo sem ter saído de dentro dela. Ama ele, mesmo sem entender o que é amor e para que serve o amor. Só sabemos que eu e Biscoitinha aprendemos juntas uma coisa: que o amor, simplesmente acontece.

*nota da blogueira: comunico a São Francisco que minha cota está encerrada, não aceito mais nenhum animalzinho aqui, entendido? Estamos conversados? Hein? Olha que te pego na saída.

domingo, 6 de junho de 2010

A Natureza Zeziniana


Zézinho, ah! Zézinho. Sempre o mais animado, o mais esperto, o mais safado. Sempre o que acorda mais cedo, briga mais com os gatos, come menos e brinca mais. Corre para pegar sagui, mata timbú, gatinho perdido pela rua... Sempre o mais cheiroso e barulhento. Sempre nos lembrando que a natureza dele é diferente da natureza canina normal. Ele não se entrega por um prato de comida e nem por uma cama quentinha, não. Ele não se rende aos chamegos normais que qualquer cachorro daria a vida, não. Ele não se intimida diante de hierarquias, convenções, hábitos, não. Ele é indomável por natureza. É dele. Ser livre.
Quando o achei, que dia feliz, chegou em casa e logo se apossou da varanda, do canto mais alto do sofá e do meu coração. Virou meu filho trabalhoso querido, um doce disfarçado de diabinho, um ser peludo que ronrrona e odeia gato, salta muito alto mas não é coelho.
Morar em apartamento com você era fácil, sem muitas tentações, mas foi só nos mudarmos para casa que você mostrou sua natureza Zeziniana e desde então haja vela aqui em casa, haja São Francisco para te proteger. Seu nome está embaixo de todos eles, trabalhando para salvar este ser a quem dei a sorte (ou o azar) de batizar de Zé, José, José Francisco, um legítimo filho de quem nunca foi convencional, um legítimo vira-lata que nunca será domado, apenas amado por seu jeitinho de ser.
Fujão, briguento, nervosinho, arisco, doce, levado, querido, gilosinho, que pela milésima vez fugiu de casa e me deixou assim, neste desespero, colada no portão, andando pela rua de pijama feito uma doida varrida. Ah! serzinho querido que se mistura com a gangue de rua mais safada que existe, se esquece da gente e de sua casa. Estamos te esperando. Com vela acesa, promessa para Seu pai, Seu Chico, e sorrisos querendo se abrir. Lágrimas paradas. Estancadas. Para serem soltas de alegria. Na alegria do seu retorno. Que espero que seja breve.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Só em São Paulo

Existem coisas que só São Paulo tem: gente bonita, simpática, lugares finos, meias grossas com cachecol, Oscra Freire, almoço no Seu Maurício, histeria, trânsito infernal, modernidades, ponte estaiada, só São Paulo tem amigos de sempre, que nunca nos víamos antes, pois São Paulo nos afasta. Só São Paulo tem novidades por toda parte, tem shoppings com Tiffany's assaltada, tem lojas super modernas, tem Benedito Calixto com chorinho todo sábado, por lá um velhinho me abordou, seu nome? José Francisco*, escritor de um livro sem pé nem cabeça, comprei por 10 reais, com dicas de do-in, só São Paulo tem, after dark com amigas queridas, exposição na Oca para trabalhar, jantar na casa de amigo querido incentivador do blog, com Nespresso, muito moderno, muito chique, mas só tem em São Paulo, estas pessoas que são distantes fisicamente porém presentes na empatia, no repertório, no paladar.
Entrar em uma loja de um shopping e sair maquiada de Yves Saint Laurent, só São Paulo tem, ver Sex and the city com minha mãe maquiada chiquérrima então, só São Paulo pode ter. Tem luzes, tem piscas, luzes vermelhas para quem vai, brancas para quem vem. Tem ex-síndico do meu ex-prédio que me conhece e me abraça e promete me visitar, só São Paulo pode ter, pessoas que fazem com que mesmo longe da minha casa de hoje eu ainda me sinta fazendo parte de algo, parte de um sonho. Eu vivo o sonho dos paulistas, eu fugi de lá, mas volto para perceber que fugir foi a solução para eu voltar a ver o que só em São Paulo tem com o deslumbramento inicial, porém com os dias contados para voltar para casa, para o meu sonho de paulista**, sonho de viver longe dali, longe do caos, caos que faz com que só quem vive em São Paulo sabe, só quem vive por ali, quem sonha por lá poderia entender, que só em São Paulo nós podemos respirar um pouco do mundo todo.
Volto em breve, pode deixar, pois só em São Paulo tenho meu quarto cor de rosa.
* José Francisco é o nome oficial do meu cachorro Zézinho
•• Ok, sou carioca...

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Até logo...

A vida feita de até logos, por obséquios, como vai, pois não, por favor, sorrisos amarelos, frases inacabadas, certezas absolutas, teorias infundadas, nada científicas, nem um pouco categóricas e tudo isso para provarmos que fazemos parte de algo quem nem nós sabemos o que é ao certo. Do que queremos fazer parte afinal? De uma sociedade? De uma estrutura? De uma corporacão? De uma falsa convicção que estamos certos nesta vida? Somos os bem resolvidos nas cadeiras de seus analistas?
Pois bem, odeio certezas absolutas, sorrisos sem olhar, sem ser escrachado, aberto, amplo, sem verdade, sem aperto, sem afeto, sem aquela mão que te toca e você sabe que está no caminho certo, no caminho da real felicidade, a felicidade feita de momentos, momentos pequenos porém que parecem ser eternos, que te fazem suspirar por semanas, meses, momentos que sonhamos acordadas, desavisadas, até a realidade aparecer e perceber que preciso dizer um até logo, por obséquio, como vai, por favor...

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Eu escrevo

Eu escrevo para não esquecer, escrevo para lembrar, para anotar, para não apagar o que foi importante. Escrevo para que a memória reviva, eu revivo. Escrevo pois sempre gostei de falar. Escrevo pois nunca fui prolixa. Escrevo para ler, para contar, para trocar.
Escrevo, pois sou teimosa, sou persistente, sou cabeçuda e sofro de amnésia precoce não diagnosticada cientificamente pois chamam isso de distração.
Escrevo pois quem escreve liberta, põe pra fora, desabafa, descarrega, desinibe, desmente, reprova, aprova.
Escrevo pois a saudade às vezes aperta, apavora, cresce e algo parece explodir.
Escrevo pois às vezes na minha mente bagunçada acho que escrevendo tudo se organiza, os pensamentos fluem e eu leio e me entendo. Escrevo pois fico orgulhosa de ver que mais alguém lê, é vaidade.
Escrevo o que penso, às vezes sem a travinha da censura o que já me causou alguns desconfortos. Certa vez escrevi sobre a família talibã, a facção da minha família que briga por tudo, eles leram e eu, me ferrei, falei mal de uma mocinha do trabalho, acreditam que ela leu? Maior rebuliço. Mas escrevo mesmo. Falo mal dos meus hóspedes, mas não deixo de escrever. Adoro escrever, digitar, soltar, desabafar.
Vou continuar escrevendo enquanto minha cabeça mandar, enquanto as ideias aparecerem, ou enquanto eu quiser desabafar.
Obrigada por me lerem, obrigada pelo incentivo e pela amizade que faz com que o "passei dos trinta" complete hoje 4 anos de vida.
Obrigada

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Passei dos Trinta "After Dark"

Data: 27 de maio
Horário: 18h30
Local: Bar Veríssimo - Rua Flórida, 1488
Quem confirmou presença: Claudia, Ana, Vivi, Daniel, MH e eu
Quem vai confirmar presença? Quem? Quem mais?

sexta-feira, 14 de maio de 2010

O breve retorno

Para chegar em São Paulo significa um dia de viagem, 2 horas de carro até Recife, 1 hora de aeroporto, 3 horas de voo, 2 horas de Guarulhos até Congonhas, 1 hora de Congonhas ao Morumbi, casa de minha mãe.
É estranho voltar a cidade que me criou, apenas como turista, vim para trabalhar, por uns dias, mas ainda assim, me sinto uma turista.
Fazia tempo que e não tinha uma casa na minha cidade, um carro, um amigo me esperando no aeroporto, Kiki sempre fazia isso com meu pai, faz tempo...
Hoje posso me sintir como Baudelaire, flanado a prórpra cidade, revendo as esquinas, os avanços, olhando o trânsito sem me envolver e sem tentar achar soluções cabíveis, sem me indignar com a cidade que não é mais minha.
Flanar meu bairro de infância, tão real, tão real parque de sempre, o grito do colégio da rua de trás, a feira de quinta e de domingo, a padaria às 6 da tarde, que cheirinho bom, cheirinho de pão e eu flanando, flanando por pessoas que não fazem mais falta na minha vida "Bom Dia Gilvan", "6 pãezinhos por favor", nada disso faz parte da minha vida, minha essência de hoje, mas vou flanando, "Caramelo quer passear", as ruas tem os mesmos cheiros, vou flanando, flanando sem me preocupar sem me abater, deixar a saudade não apertar, aqui não é o meu lugar, minha rua não tem asfalto, minha casa não tem número, casa L, casa L, vou flanando pelo meu passado com a saudades do meu presente, olhando como turista tudo o que um dia chamei de meu, minha cidade, meu bairro, minha casa, minha rua, minha padaria, meu porteiro, meu passado.

PS. Flanando por São Paulo poderíamos marcar um novo "passei dos trinta after dark"*, que tal?
*After dark não era o nome da boite de Barrados no Baile?

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Médica e monstro

Nunca contei esta história para os amigos, pois ela é tão sem pé nem cabeça e me desorientou tanto e por tanto tempo que eu nem conseguia contá-la, mas hoje estava pensando e resolvi falar e fazer uma enquete: quem é a louca da história?
Vamos lá, me ajudem...
Em junho do ano passado, passei por uma crise braba, sabe? Um luto tardio, uma insatisfação com o trabalho, estava cansada de ficar sozinha em São Paulo e o Renato longe, estava estressada com tudo e todos, enfim, após ficar uns dias chorando sem parar, indo trabalhar de pijama e com vontade constante de sumir, fui fazer terapia.
Confesso que sou uma pessoa muito fechada para isso, mas fui, precisava de um auxilio urgente para pelo menos ter coragem para trocar de roupa antes de trabalhar, recorri a doutora doida.
Estava indo bem, eu ia toda segunda à tarde, fui durante umas 6 semanas quando um certo dia ela não podia me atender na segunda, me ligou e remarcou para quinta, mas eu tive um imprevisto de trabalho na quinta e deixei recado no celular da doutora doida:
- Oi Doutora Doida, aqui é a Renata e não poderei ir hoje, vamos continuar na segunda que é mais fácil para mim. beijos me liga.
Na sexta ela me liga toda brava pois eu havia "faltado a sessão", e era para eu estar lá em uma hora, era uma ordem, missão simples para quem mora em São Paulo no Morumbi e ela atende no centro, né? Umas 6 da tarde de uma sexta-feira? Melhor ainda.
Avisei que não iria, pois tinha outros planos e que havia deixado recado no celular que ela afirma que não recebeu e ela ainda disse que eu devia ter ficado ligando até conseguir falar com ela. Bem, eu sou da geração que acredita na tecnologia, o recado do celular chega na hora, ou marca que meu número ligou para ela, certo?
Bem, na segunda chego na minha sessão e ela me diz:
- Antes de mais nada precisamos conversar, foi muito feio o que você fez não me avisando que iria faltar a sessão, e não dando pioridade a terapia, você tinha que ter vindo quando te liguei.
- Hãn? Eu não vou assumir que não liguei, pois eu liguei, tudo bem eu pago a sessão que eu não vim, se é isso que importa, apesar de eu ter avisado com antecedência, mas eu não vou assumir que estava errada.
- Sabe de uma coisa mocinha, saia daqui agora. - aos berros - Sai daqui, saia, xô, xô, xô, sai, sai, SAIIIIIIIIII, me carregou até a porta do consultória e me expulsou de lá.
Eu estava em tratamento sério, pois chorar por 4 semanas seguidas e initerruptas não é normal, né? Eu estava tendo que tomar uma decisão difícil, largar meu emprego, minha família e tudo mais para vir morar aqui no Nordeste, e ela ficar carente por eu não ter ligado (segundo ela), nem ter corrido para o centro da cidade às 6 da tarde saindo do Morumbi (pois eu não sou louca de verdade, só finjo). Quem em sã conciência sobrevive a este trauma? O pior, eu saí de lá chorando, não disse uma palavra e fui chorar no colo da minha mãe, que óbviamente queria ir lá socar a doutora doida.
Agora vem a enquete para aliviar ou amaldiçoar minha alma:
Uma médica pode fazer isso com um paciente em tratamento? Falar xô, xô, xô, sai da minha sala e pegar a paciente pelo braço até a porta do consultório e ainda bater a porta na cara dela? Pode? Sem motivo nenhum? É normal? Quem é a doida? Quem?

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Menina do Rio*

Sabe quando a gente sonha com uma coisa por muito tempo e parece que se esta coisa acontecer vai até ficar sem graça, de tanto que você sonhou?
Eu tinha um sonho, sonho simples, fácil de se realizar: ser surfista.
Ah! Como invejava aquelas loirinhas saradas com aquelas roupinhas justas pegando onda. Invejava mesmo. Nada desta história de inveja branca, era inveja clássica. Elas eram rodeadas por surfistas lindos, morenos da cor do pecado que enfrentavam aquelas ondas imensas apenas com uma prancha. Um "Q" de herói, sabe?
Pois em plena quinta-feira, desta minha vida muito agitada que levo na cidade pequena, acordei cedo, fui me encontrar com marido e amigo de marido e fomos surfar.
Contratamos uma mocinha que tinha um corpo completamente perfeito, loira, óbvio, e lá fomos nós, enfrentar as "gigantes" ondas de Porto. Tá, nem tão gigantes assim.
Primeiro a aula começa na areia, fica em posição deitada, dobra a perna, faz força no braço e se joga em movimentos completamente impossíveis até que os dois pés que estavam lá atrás subam até a prancha. Simples, né? Com a surfista professora fazendo parecia ser muito simples, fácil demais.
Porém, na realidade durante 45 minutos eu bebi mais água salgada que o Bob Esponja, tive mais areia no meu biquini que criança que fica fazendo castelinho de areia na beira do mar, meu cabelo, ah! meu cabelo, após 4 lavagens acho que sairá a areia. Mas quando eu estava quase desistindo e me conformando que aquele ideal de vida "Menina do Rio" não era para mim, eis que aparece a onda perfeita (tá bom, era mais uma marolinha que uma onda propriamente dita), consegui fazer tudo aquilo que estava no script, força no braço, empina a bunda se segura pelo dedão do pé direito, passa a perna esquerda, joga o corpo, alinha os pés e 4 segundos depois estava eu caida no chão com a alegria de ter ficado 4 segundos inteirinhos em pé em cima da prancha. Depois foi só remar, ir de novo, mais 4 segundos, e de novo, e de novo, quando peguei a prática, jurei que iria tatuar um dragão no braço, estava radiante, areia não mais me incomodava, os roxos na perna, na bunda, no joelho, na nuca, no cotovelo, tudo parecia coisa do passado, eu consegui em 1 hora de surf ficar uns 30 segundos no total em cima da prancha. Ah! que 30 segundos mágicos, até que...
... a prancha do meu marido bateu na cabeça dele abrindo um rombo e o final desta manhã perfeita de surf terminou com a viatura dos salva vidas nos levando para o posto médico. Cabeça raspada e 2 pontos depois, é hora do Dorflex senão é bem capaz de eu não andar por exatos 35 dias ou mais.

* Título sugerido pela Claudia através do Facebook.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Política, futebol e samba

Política: ando bem cansada de política, Lula, Dilma, hidrielétrica desmatando, mudando o curso de um rio, matando mais florestas, isto parece uma coisa tão anos 70 para mim, que prefiro pensar que este ano é ano apenas de Copa e não de eleição.
Futebol: eu devia ser técnica da seleção, tenho dicas incríveis a respeito disso. Dunga, me ouça: pega o time do Santos, e na reserva leva aqueles meninos que jogam em Milão, Roma, Turquia... Leva Kaká pois ele é bonitinho, o Pato eu não gosto não, leva o Ronaldinho pois ele é temido por alguns e quem sabe ele no banco de reservas aprenda algo. Escala o time do Santos e quero ver alguém perder a Copa. Quero ver, duvido!
Samba: ah! Era só para o título ficar bacana, não entendo nada de samba, nem de política e muito menos de futebol, mas isso não vem ao caso.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Adotar é tudo de bom

Como sabem... sou fã de cachorro, amo meus filhos peludos, 2 destes meus filhos vieram das ruas e hoje, me orgulho em ver como pude fazer a diferença na vida de Zézinho e da PTK que sem mim, estariam na rua, sem cuidados, provavelmente mortos, atropelados... ou outras infinitas maldades que acontecem por aí. Por isso este post é para divulgar este site que a Ana (todos conhcem ela do Vanila Coke) está fazendo. Se eu pudesse adotava todos. Divulguem.
http://www.adocaopet.blogspot.com/
Parabéns Ana.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

A novela imita a vida

Dizem que a novela imita a vida e é por isso que gostamos tanto de ver novela, pois nos identificamos com os personagens, torcemos pelo final feliz da mocinha, para o vilão ser preso e todo blá, blá, blá...
Aí, ontem estava vendo novela e pensei, que personagem eu posso me identificar para torcer, sofrer, chorar, vibrar? Nenhum, óbvio.
Uma menina no auge da carreira, uma chata, mimada e cheia de vontade, sofre um acidente, fica tetraplégica, e vira um amor de pessoa, sem revolta nenhuma com a vida e ainda arranja um grande amor que a ama assim de cara, sem pesar os prós nem os contras. Quem já viu isso na vida real?
Uma outra top model, casa com um velho rico e ninguém questionou se casou por amor ou dinheiro, aí ela larga a carreira dela por 4 longos meses, arranja um bonitão alto, loiro, lindo, e assina um contrato pela sua volta às passarelas. Quem estava com saudades de ver a Helena desfilando? Ficou só 4 meses fora, não dá nem para chamar isso de retorno. E ainda a Top model chata da Helena tem a faca e o queijo na mão para se vingar do marido velho traidor... Estou namorando seu filho, seu velho nanico e fazem disso um dramalhão sem proporção.
Vamos mudar de núcleo e ver se de outro lado acho algum personagem com cara de real.
A Giovana Chata Antonelli, por exemplo, mãe da criança mais chata de Buzios, engravida, diz que o pai é o argentino, mas tem certeza que o filho é do velho nanico, o argentino é um amor com ela, dá casa, comida, cuida da filha só que eles não tem nada e ele tudo bem, acha normal. E ela grávida e sendo acolhida ainda inventa de querer que o filho seja do velho nanico? Esquece isso, fica logo com o argentino sua chata.
Sem contar que na vida real eu nunca vi um Rodrigo Delícia Hilbert namorar uma Bárbara cara de tacho Paz. Na boa? Alguém já viu isso? E ainda na falta de mulheres bonitas na Globo, colocam a Bárbara cara de tacho Paz para ser Top Model. Qual a altura mínima exigida para ser Top Model no Brasil? 1,50m?
Continuando a minha busca incansável para me identificar com a novela...
Aquele gêmeo arquiteto, é um chato de galocha 7 léguas amarela e tem 4 pretendentes? É falta de homem, só pode ser. O que faz a novela parecer um pouco mais real neste quesito, pois 3 moçoilas irão chupar dedo, e ele vai escolher quem? Óbvio que a médica mãe do menino erudito que precisa ter um final feliz já que ela é boazinha, loirinha e linda.
Buscando mais personagens para parecer a minha vida menos real, já que ali na novela a vida é real, vamos falar de Tereza. Casada 30 anos com o velho nanico, aguentava todas as traições e ainda é toda boba por ele, aí aparece um amor do passado, que ficou 30 anos esperando por ela, o cara é um francês, enólogo (sendo que isso é quase sinônimo de gente chata, mas isto é assunto para outro post), que de cara quer levá-la para a França em lua de mel. Opa, que parte eu perdi? Alguém aí, se separou e de repente apareceu um francês querendo te levar para Paris? Após 2 encontros? Han, han... Bem real.
Indo para o núcleo favela com cenas gravadas em 16 mm. Querem apostar quanto que o cara que levou um tiro vai virar bonzinho? Por amor ao seu filho? Gente!!! Cai na real. Na vida real o traficante da favela largaria a chata da mulher, arrumaria outra e continuaria na vida bandida, óbvio.
Para terminar queria deixar aqui minha indignação: ninguém toma café da manhã com blusa de seda e pantalona. Um pijaminha básico de algodão às vezes dá um clima de vida real, pelo menos para mim.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Vida nova

Minha vida nova tem cheiro de mar, tem gosto de manga, tem ronrronar pela manhã, tem dama da noite na lua cheia, mosquitos às 3 da tarde, cachorros num eterno abanar de rabos.
Minha vida nova me mostra a cada dia que podemos recomeçar, reconciliar, reprogramar, rediagramar, redirecionar, revigorar, repaginar a nossa excência para o lado que quisermos, pois a vida não tem um rumo certo, mas sim vários caminhos incertos.
Minha vida nova me fez entender o sentido do "nada é para sempre", acompanhado de um "te amo hoje", só por hoje. Prometo não dar espaço para a tristeza, somente hoje prometo não beber algo que possa envenenar minha alegria por viver, somente hoje eu prometo olhar a lua nascendo, ao sol se pondo, à maré baixando. Somente hoje me orgulho da minha nova vida e prometo me orgulhar dela amanhã, pois a cada dia vejo que é simples, tudo é simples, a gente que complica.
Minha vida nova é plena, é cheia das 24 horas que nos deram para viver em um dia de cada vez e consequentemente, uma vida de cada vez, não vou viver outra vida senão a minha, quero viver a vida que eu escolhi para mim, não a de mais ninguém.
Minha vida nova não tem "diz que me diz", não tem certezas absolutas, nem definitivas, não tem sapatos fechados, nem blazers abertos. Não tem medos que valham a pena, nem ideologias sem fundamentos.
Na vida nova que eu vivo sinto falta de amigos, de trocas, de escrever mais e de debates caloros sobre aquele filme francês que era chato para dedeu.
Na vida nova que eu vivo, eu vivo e não sobrevivo cheia de mágoas, peso, rompantes e medos.
Na minha vida velha aprendi que ser sozinha é bom e na minha nova vida percebi que acompanhada é melhor ainda.*

* Este post para a minha nova vida com meus 10 amores.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Êêê São Francisco...

Lembram que eu contei a história da Melzinha que teve cria sozinha, largada no mundo, com a sua superioridade felina? Pois bem, ela arregou, pediu ajuda, implorou clemência e certa noite quando abro a porta do meu quarto, eis o que eu encontro...




... 5 filhotes lindos. E agora São Francisco? Está rindo da minha cara? Está me testando? Está zombando de mim? É? Saiba que não teve graça nenhuma...

domingo, 28 de março de 2010

Eu não queria ser um animal nordestino

Um homem e seu cavalo param em um bar, pendura a conta, o dono do bar não gosta, afinal o homem do cavalo fica devendo R$ 12,30, tudo isso, R$ 12,30! O dono do bar então como vingança, enfia um pedaço de pau pelo ânus do cavalo do homem que não tinha R$ 12,30 e deixa lá, o cavalo agonizando de dor até a morte, o dono do bar deve ter dormido tranquilo naquela noite, pois se sentiu vingado, sentiu que recebeu de volta seus R$ 12,30.
Minha vizinha criou um cachorro por 13 anos, um dia ela me chama: "Renata, acho que minha cachorra vai morrer, foi para a beira da piscina e está sofrendo" Eu mais que prontamente me ofereci para chamar a veterinária, ou levá-la lá, mas ouço "Nada, já gastei muito com ela, deixa ela morrer", uma semana depois eu ainda indignada pergunto pela cachorra e ouço "Continua lá, deitada". Nada foi feito, pois gastar com uma cachorra velha que viveu 13 anos em uma família seria quase que um pecado, e o pecado não seria deixar a cachorra sem nenhum consolo? Conforto? Amor?
Certo dia meu marido achou um cachorro na rua muito doente, pegou o coitado e levou ao veterinário, ele só queria que a veterinária desse uma injeção para ele morrer em paz, a veterinária olha para o meu marido carregando um cachorro visivelmente doente e diz "Sai daqui com este cachorro doente, ele vai contaminar meu consultório" Que juramento fazem os veterinários mesmo?
E sabe o que é irônico disso tudo? Que a cidade tem São Francisco espalhado por todas as lojas e casas. Na casa da vizinha tem um bem grande, lindo, de barro, deve ter custado mais caro do que uma consulta veterinária.
Ufa, fica aqui minha revolta e só um último pensamento: será que um dia vamos aprender com os animais como viver em sociedade? Será que vamos aprender a dar amor e receber sem pedir nada em troca? Será que nós os "seres racionais" somos mesmo racionais?

sexta-feira, 19 de março de 2010

A última vez


É, hoje você faria 72 anos. Lembro do seu aniversário de 70, fingimos que não seria nada demais, apenas um almoço no shopping, você acreditou, te dei a trilogia dos Piratas do Caribe, você olhou torto e trocou pelo Lost no mesmo dia. No dia seguinte fizemos sua festa surpresa, que surpresa para você. Acreditava que ia pagar almoço para todos no Rubayat, vieram muitos amigos, foi especial.
Veio o tio Paulinho do Rio, Clarinha te deu um livro de extra-terrestres que você ia adorar ler, Americo chegou cedo com a esposa, veio aquele homem de nome e sobrenome, você ficou todo orgulhoso, a família toda do Rio e a gente de casa. Você estava tão feliz. Lembro da roupa que usou, uma camisa listrada azul, lembro da roupa que usei, um vestido cinza, a sua cara de susto com a festa e se para você homem não chora, você choraria, eu quase chorei, mas eu sou manteiga derretida, choro por tudo. Era sábado de Aleluia. Aleluia. Eram seus 70 anos, e quem diaria que o último aniversário seu com a gente.
Sou muito esquecida, mas lembro de cada dia que se passou depois disso. Lembro do último presente que você me deu, um bichinho de pelúcia, feio que só ele, que ganhou de brinde no mercado. A cachorrada destruiu ele, e mesmo assim eu guardei com tanto carinho, por tanto tempo como se fosse uma jóia. Ah! E nosso último almoço juntos? Você fez um robalo, o melhor robalo que já comi, tavez eu nunca mais coma outro, pois o gosto daquele está ainda na minha memória.
A última vez que te vi acordado, no hospital, você na UTI, se recusava a deitar na cama, "quem deita na cama morre", você dizia, te ajudei a tomar sopa, fiquei zoando sua camisola florida, quando fui embora olhei para trás, me deu vontade de voltar correndo e te dizer que te amo, mas você estava com dificuldade para respirar e fui embora. Nossa última troca de olhar foi assim, sem saber se ela seria tchau, até logo, adeus, até breve, nunca saberiamos.
E hoje no seu aniversário, penso em quantos últimos momentos vivemos na vida sem saber que são últimos, sem saber que jamais viveremos aquela situação com aquela alegria, com aquela paz de saber que tudo está onde devia estar, no seu devido lugar, tudo está como conhecemos, como a vida devia ser, sem perdas.
Depois que você se foi, não sei mais como a vida deveria caminhar, que rumo ela deveria tomar, que bifurcação pegar, só sei que caminho, tento caminhar com as últimas lembranças suas.

domingo, 7 de março de 2010

Um amor de verão

Ah! Com o verão acabando me lembro de como era triste esta época do ano, começava a contagem regressiva para as aulas e a vida real. Significava ir embora para São Paulo e deixar lá no Rio minha amiga Lanica, minha tia Helena, minhas primas e um amor ou outro de um verão sempre inesquecível.
Foram amores gostosos intensos, ingênuos, que deixavam uma saudades tão grande que na época de adolescente parecia que nunca mais eu ia me recuperar de tal perda. Parecia que o destino me odiava e o mundo conspirava para eu ser para sempre infeliz. "Ó adeus meu amor de verão". "Trocaremos cartas", "Confidências", "Telefonemas", "Suspiros"...
Que delícia o drama de ser adolescente. Me lembro de um "amor" que eu conheci na Sumol, uma casa de sucos na Figueredo Magalhães com a Barata Ribeiro, trocamos olhares, nenhuma palavra, mas o destino fez com que na mesma noite numa boite (é era boite e não balada, pelo menos não sou do tempo da Discoteca, ufa) estivéssemos lá. Eu atrás dele no balcão pedindo uma água, provavelmente, quando ele se vira com sua cerveja e despeja tudo no meu vestido. Ao invés de desculpas ele me disse "Você, (suspiro) você estava na Sumol hoje." Estava, estava sim (sorriso). Pronto bastou esta coincidência da vida para eu ter certeza no auge dos meus 15 anos que era para todo sempre. Hoje o nome dele? Hum... não me lembro. Foi um verão inteiro de tantas juras, tantas trocas, tantos banhos de praia a noite, mas não lembro mais o nome. Assim como no verão seguinte eu iria conhecer o loiro do jiu-jitsu que morava na Nascimento Silva, tão poético morar na rua que morou Tom Jobim, ele chorou muito quando fui embora, lembro que ele era meio estranho, adivinhava minhas peças no jogo de dominó e guardava as unhas que cortava para queimá-las depois.
No outro verão foi a vez do cigano surdo-mudo que rendeu um post só para ele, depois provavelmente o mocinho que queria fazer exército. Ah! E teve também o futuro cirurgião plástico que partiu meu coração.
Era tão bom quando chegava o verão e esperar para ver que novo amor, no para sempre adolescente, eu conheceria, o que o calor de 40º das praias cariocas iriam me reservar...
Ah! Sabem que mesmo passando dos trinta, sinto falta do tempo em que verão significava mais, muito mais, muito além de dias sem escola e sem horários. Significavam dias felizes para me apaixonar e viver.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

A nobreza felina

Sempre fui louca por cachorros, amo meus cachorros, pego na rua, cuido, alimento os vira-latas mais sarnentos, cato carrapato deles, dou carinho, amor. Nunca tive gato, minha mãe tem pavor, sempre morei em apartamento e a dinâmica de ter gatos e cachorros no mesmo espaço me parecia inviável.
Desde que vim morar aqui, em Porto, achei uma maneira de alimentar os gatos sem que eles se encontrassem com meus cachorros, eles ficam na varanda do meu quarto e os cachorros no andar de baixo, e com isso foram surgindo cada vez mais felinos para alimentar, dar carinho, arrancar um ronrrono sem compromisso.
Mas, dentre todos os gatos que vem pra cá todos os dias uma em especial me cativou. Ela é da rua, é do mundo, não fica de chamego, não aceita desaforo, briga com todos os outros, come só em cima da minha cômoda sozinha, sem ninguém por perto, depois olha para trás e se despede de mim com um olhar doce e vai embora.
Só que ela apareceu grávida, ficou tão pequenininha com aquele barrigão desproporcional, tinha que colocar a comida dela no telhado, pois ela não conseguia mais pular e ficava ofegante se recuperando para retornar para as ruas. Hoje eles nasceram, aonde? eu não sei. Ela apareceu com sua nobreza única para se alimentar e vi que estava mais magra. Fiquei pensando em como a natureza é, o pai dos gatinhos nem se preocupou com nada, nem sabe que os filhos nasceram. Fiquei imaginando ela sozinha tendo os filhotes, escolhendo o melhor lugar para tê-los, sem conforto, sem apoio.
Me deu vontade de abraça-la, aperta-la, e dizer parabéns minha menina, que no auge dos seus 6 meses provavelmente teve que cuidar sozinha de tudo, assim como muitas mulheres fazem, muitas cadelas, muitos passarinhos.
Parabéns Melzinha, espero que seus filhos sejam lindos e que você ensine a eles a nobreza que é ser um gato.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

É de endoidar qualquer um

O que é aquela propaganda da Caras com a princesa Paola imitando a Maria Antonieta?
Porque tem um gatinho lindo na rua que escolheu tomar conta do orelhão como se fosse dele não deixando ninguém usá-lo sem antes ganhar um "super ataque"?
Vai acabar o horário de verão e anunciam isso aqui no Nordeste incansávelmente como se mudasse a nossa vida, porque?
Porque mesmo eu indo à praia todo dia, ainda me oferecem passeios de bugue como se eu fosse turista? Helloooo! Olhem meu bronze!
Porque as Casas Bahia se uniram ao Grupo Pão de Açucar? Querem dominar o mundo?
Porque os mosquitos conhecidos por aqui como muriçocas não percebem que não são bem vindos?
Porque minha casa faz 5 meses que não pára de ter hóspedes? E porque os hóspedes não percebem que não são tão meus amigos assim para ficarem aqui em casa? E porque tive que ouvir de um hóspede que "Pior que carioca só argentino"? Ei... Eu sou carioca. Combinado?
Porque quando eu ouço Chico paro de escrever este texto, suspiro, sorrio e percebo que ainda ele dá um caldo?
Porque todo Pernambucano insiste em me contar que o Eduardo Campos governador daqui é filho bastardo do Chico Buarque? Ele não é, está bem? Ter olho claro não quer dizer nada.
Porque chamam xarope de lambedor? Lambedor para mim parece que é um tipo de pirulito. Ai, que tosse. E eu me recuso a pedir isso em voz alta.
Porque o simples fato de eu estar sem emprego significa que as pessoas possam me pedir favores esdruxulos como planilhas em excel. Sou designer não expert em pacote office, ok? Escrevos meus textos em clariswork. Preciso dizer mais?
Vamos endoidar outra pessoa? Que tal? Gira a roleta aí, vai.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

O primeiro...

beijo, o primeiro amor, a primeira dor, a primeira alegria plena, a primeira decepção, o primeiro susto, o primeiro choro contido, o primeiro "eu te amo", seguido de um "eu também", o primeiro amor platônico, a primeira carta de amor, a primeira perda, o primeiro ganho.
A primeira falha, a primeira mentira, a primeira amizade sincera, a primeira troca, a primeira trova, a primeira linha, a primeira palavra, a primeira certeza, o primeiro engano, o primeiro sorriso, o primeiro jantar, a primeira noite, o primeiro dia, a primeira certeza.
A primeira lambida, a primeira gargalhada, o primeiro suspiro, a primeira palavra, o primeiro cheiro, o primeiro abraço, o primeiro arrepio, o primeiro adeus, o primeiro suspiro, o primeiro frio na barriga, o primeiro choro compulsivo, a primeira saudade que dói como se fosse a primeira vez todos os dias.
O primeiro sim, o primeiro não, o primeiro senão, talvez, pode ser, até breve, o primeiro até um dia, sem certeza, sem previsão.
A primeira estrela cadente, com o primeiro pedido na primeira esperança de que a segunda vez será diferente do primeiro sonho, do primeiro beijo, o primeiro amor, a primeira dor...

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Quase meio século

Outro dia fui passear em João Pessoa, já que minha mãe e minha madrinha estão por aqui, estávamos lá, na Ponta do Seixas quando o guia fala:
- Este farol foi construido em 1972 ele tem quase meio século.
Acabou a viagem para mim neste momento. Como assim de 72 e tem quase meio século? Se eu que sou de 74 tenho "quase" quase meio século? Este blog terá que se chamar agora "quase meio século"? Faça as contas Sr. Guia, 1972 para hoje, não dá nem 40 anos, como você diz meio século, assim, na lata, na cara?
Fiquei mal humorada até o final do dia com uma ideia fixa na minha cabeça "Quase meio século, quase meio século, quase meio século" quando o guia solta uma pérola que me aliviou a alma:
- João Pessoa é a 3ª cidade mais antiga do Brasil, só fica atrás de São Paulo e Brasília.
Han? Ele não sabe mesmo fazer conta, não sou eu que tenho quase meio século, Brasília que tem quase meio século e como pode ser uma das três cidades mais antigas?
Ufa. Respirei aliviada, eu não tenho quase meio século e nunca mais comentaremos o assunto, ok?
Agora um parêntese: (Sr. Guia vamos estudar história antes de falar tanta besteira e quase fazer uma turista cortar os pulsos com a faquinha do bolo Pullman?)

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Novos hábitos

Mudar a vida e morar em veraneio, nas férias sem fim, muda tudo, incluive coisas que antes pareciam ter importância ou relevância.
Sapatos - Para que ter 50 pares de sapatos se você só usa Havaianas?
Hidratante - Só serve para você suar mais.
Calça jeans - 4 meses que não uso.
Protetor solar - 1 frasco do fator 98 (novidade!!!) por semana.
Cabelo - João foi a melhor solução.
Mosquitos - 4 raquetes de dar choque neles.
TV - Nenhum canal aberto pega razoavelmente bem, portanto SKY.
Livros - 1 por semana.
Cachorros - Muitos e sujos (pra que aqueles banhos em pet shop caríssimos se eles vão ficar sujos no mesmo dia?).
Música - Rádio nunca mais. Otto e Mombojó para entrar no clima.
Plantas - Muitas. Agora a moda é plantar citronela para espantar mosquitos.
Gatos - 3 oficiais (Gagato, Pudinzinho e Biscoitinha).
Biquinis - Muitos e coloridos.
Unhas - Rosa chiclete.
Amores - 1 humano. 4 caninos. 3 felinos.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Respira Renata, respira.

Hóspede em casa é bom, por 1 ou 2 semanas, mas 2 meses começa a estessar.
O hóspede em questão é o amigo do meu marido que resolvemos acolher, por estar numa fase difícil da vida, mas abuso tem limites, vê se concordam:
• Cozinhar às 11 da noite e deixar a louça suja na pia;
• Deixar tudo espalhado pela casa;
• Sair para pescar e deixar o anzol ao alcance dos meus cachorros;
• Deixar a roupa suja no chão da casa;
• Toalha molhada nas cadeiras da sala;
• Deixar sapato cheio de areia na sala;
• Comer tudo e não deixar nada para o café da manhã e nem comprar nada depois para repor;
• Tomar conta do controle remoto da TV e não deixar você ver a sua novela;
• Chamar a namorada para vir visitá-lo sem respeitar o prazo estipulado por mim, afinal janeiro a casa estará lotada e só tenho 2 quartos de hóspedes;
• Não encher a garrafa de água gelada;
• Nunca fazer a cama;
• Usar o banheiro e deixar todo molhado com a bermuda pendurada no box;
• Fazer pipoca de madrugada e não limpar nada, e ainda deixar cair pipoca pelo sofá;
• Sentar com a bermuda cheia de areia no sofá novo;
• Dormir com a luz acesa;
• Deixar copo molhado na mesa de madeira;
• Deixar o portão aberto quando sai e quando vou ver meus cachorros estão na rua sozinhos.
Enfim, se eu continuar falando aposto que vocês vem correndo para cá expulsá-lo da minha casa. Eu e o meu maridinho estamos nos revezando entre o que vamos falar com ele, mas é difícil você falar para um marmanjo o básico da vida então, tem dias que sou eu e dias que ele que tem que falar.
Outra noite precisávamos lembrá-lo de trancar o portão, pela milésima vez, para não termos surpresa com nossos cães pela rua a noite, aí meu maridinho diz:
- Renata, fala para ele do portão.
- Ah! Não fala você. Está na sua vez.
- Amor, temos que ser o policial bom e o policial mal, eu sou o policial bom e você é a má.
Ficamos horas rindo e nos demos conta da vida insana que estamos levando, peguei uma vassoura para colocar atrás da porta, aí meu marido viu e disse:
- Que feio Rê.
Eu quase tirando a vassoura, me achando a pior pessoa do planeta por recorrer a simpatia mais básica para expulsar hóspedes, quando ele completa.
- Tem que ser de cabeça para baixo para dar certo.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Navegando por aí

Fui fazer um cruzeiro com meu maridinho pelo Nordeste, foram dias incríveis. Confesso que tinha preconceito quanto à cruzeiros, achei que só encontraria velhinhas e show de passistas de escola de samba, mas sabia que me surpreendi? Achei muito divertido tudo, os shows com cantores que ficaram em último lugar no Ídolos, os desafinos da pianista que acha que canta, as comidas ruins, o campeonato de buraco, o barraco da Heleninha Roitman* no corredor, os filipinos que serviam as mesas e não falavam inglês, nem espanhol, nem língua nenhuma provavelmente, as peruas e seus laquês no cabelo no alto dos seus saltos 15 para andar num navio que sacoleja mais que tudo e muitas outras coisas que eu vi e percebi que de tudo nesta vida temos que experimentar.
O destino principal era Fernando de Noronha, passamos antes por Natal, passeios de bugue pelas dunas, lugar mágico e o nordestino** é um povo hilário, cheio de histórias para contar. Conheci uma senhora que vendia bolinho de macaxeira, se chamava Maria Segunda.
- Nossa, que nome de rainha, sua mãe era Maria Primeira?
- Não, meu nome é Maria Segunda pois nasci numa segunda feira.
E tudo bem, a vida continua, é claro para ela que isso parecia óbvio e para mim algo a ser digerido, decodificado e engolido. Como assim? Se ela nascesse no sábado seria Maria Sábado?
De lá fomos para Fortaleza, outro lugar encantado, praias lindas, sol perfeito, de lá pegamos um dia inteiro de alto mar rumo Fernando de Noronha, mareada, enjoada, entediada, chegamos ao paraíso e não desembarcamos pois segundo nos avisaram não tinha condição climática e bla, bla, bla, depois descobrimos que o pier estava quebrado fazia 2 dias, enfim, pula esta parte.
Chegamos depois de mais um dia inteiro em alto mar na Paraíba, onde eu quase esqueci que não estava em Fernando de Noronha e vi uma das praias mais lindas que se chama Tambaba, praia de nudismo, mas acabou que nem tirei a roupa.
Enfim, voltamos para casa cheia de histórias divertidas, amores renovados, grau de champagne em dia e saudades dos peludinhos que ficaram em casa.

*Heleninha Roitman, era uma doida do navio que bebia todo dia até dar escândalo, e por sorte a cabine dela era ao lado da minha, pois o show mais divertido da viagem era ver em quanto tempo Heleninha iria arregar. Na primeira noite do escândalo ela começou a berrar "desgraça, help" eu acordei, coloquei meu colete salva vidas e tive certeza que o navio estava afundando, mas na verdade quem tinha afundado na bebida era ela, minha querida amiga Heleninha que promovia a "festa do pijama" mais animada.
** Como tem gente que lê meu blog e acha que eu falo mal do Nordeste, resolvi dizer que amo o Nordeste senão não morava aqui. Amo o povo, as pessoas, a história. Continuo sentindo falta das coisas que só quem mora em São Paulo entende do que eu estou falando.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

2010

Dizem que no ano novo, todos renovam as energias, as esperanças, as crenças.
Dizem que vestir branco traz sorte, comer uvas traz dinheiro, pular ondas traz renovação.
Dizem que calcinha vemelha atrai paixão, rosa amor, verde esperança.
Dizem que na passagem do ano tem que se fazer tudo o que mais gosta para o ano inteiro ser bom.
Dizem que tem que usar roupa nova, sapato novo, sonhos novos.
Dizem que fazer uma lista de promessas para cumpri-las é bom.
Dizem que ir nos Capuchinhos traz proteção para o ano todo.
Dizem que jogar rosas, perfumes, dinheiro para Iemanjá traz fartura.
Dizem que tem que estourar champagne, beijar o amor da sua vida, comer as uvas, pular as 7 ondas, ver os fogos, vestida de branco, tudo ao mesmo tempo naquele segundinho da virada é sinal de um ano perfeito.
Eu já não acredito neste segundo mágico onde tudo deve ser feito ao mesmo tempo para a vida se renovar. Acredito nas atitudes que mudam no decorrer do ano e que através delas conquistamos novas coisas positivas para a nossa vida.
Para mim, 2010 vem com cara de alívio, finalmente, ufa, até que enfim já era hora de deixar este velho 2009 no passado.
Obrigada 2010 por chegar logo. Venha rápido, vem depressa. Quero os dias que vem com ele, quero os sonhos que plantei nele, quero as esperanças, os gostos, os desejos, os suspiros, as alegrias e os choros contidos que me fazem acreditar que ele será um bom ano.
Feliz 2010.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Natal sem cara de Natal

Este Natal não teve cheiro de Natal, não teve cara de Natal, não tiveram rituais de Natal. Este ano o Natal pareceu um dia comum com troca de presentes, sorrisos simpáticos, pessoas amigas, mas não era Natal.
Natal tem que ter sapatinho no corredor, busca infinita por presentes perfeitos, parabéns para você no bolo para Jesus, Copacabana enfeitada, família reduzida... É, este ano não teve nada disso. Nem pareceu Natal. Nem chorei, nem teve a meia noite com o cumprimento feliz e sincero. Teve um brinde, uns abraços, algo estranho e diferente.
Foi bom. Foi um novo Natal que provavelmente veio junto com a nova vida. Foi um Natal onde o cheiro foi outro, o gosto foi outro e todas as novas cores deste Natal foram felizes e leves.
Continuo acreditando em Papai Noel e sei que ele me deu este Natal sem cara de Natal para ver que na vida tudo podemos mudar e nos adaptar e só cabe a nós nos abrirmos para coisas que podem ser diferentes e boas. Papai Noel não me deixou presentes no sapatinho, me deixou amor, saudades e muitas certezas, a principal delas é que na vida tudo muda, menos as nossas crenças.
Obrigada Noel.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

35. Sem crise?

Para chegar aos 35 eu mudei. Mudei de Estado, de cidade, de qualidade de vida, de casa, de tudo. E aqui estou eu, em uma vida totalmente nova completando mais um ano. Arrumei tudo para chegar aqui hoje e dizer: "35, sem nada a desejar". 35 sem planos para fazer a não ser o de continuar a ser feliz.
Fazer 35 anos assim é fácil. Facinho. Nem estou em crise. Nem estou me achando velha. Nem estou nada disso. Não, não estou nem aí.
Pára o mundo, "Passei dos 30", sem crise de aniversário? Sem crise por mais um ano de vida? Bem, não devia desejar nada mesmo, mas sou mulher e como toda mulher existe sempre algo a mais para se desejar e como toda mulher, odeio envelhecer.
A partir do dia 22 de dezembro estarei mais para 40 que para 30, estarei mais pra lá que pra cá, estarei com os números aumentados e as evidências da vida descendo ladeira abaixo e de bob no cabelo. Socorro!!! Porque a idade chega, os números crescem, o tempo passa. Porque?
Dá para desejar fazer 35 sem nada ligado a células mortas, envelhecimento, rugas, hormônios alterando virem junto? No pacote? Despencando? Empelancando? Desmoronando?
Alguém sabe se o Pitangui tem um neto que opera e tem horário para hoje?
Feliz 35 para mim e para minhas saias curtas e para todos meus lacinhos no cabelo. Feliz 35 para minhas células que hão de não me abandonar agora. Feliz 35 para mim e para vocês que envelhecem comigo. Feliz 35 pra gente.

PS. A viagem? Vão render uns 20 posts... aguardem.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Isso não te pertence mais

Morando aqui descobri que existem coisas que agora não me pertencem mais: Mussarela de búfala, Ovomaltine, arroz arbório, pão francês, Colgate Professional Clean, pedicure que faz massagem no pé, banho em pet shop, rúcula, queijo de minas, pastel de feira, queijo parmesão ralado na hora, pele macia, calça jeans, salmão, sashimi de salmão, temaki de salmão, brigadeiro, Amor aos pedaços... Você pergunta muitas vezes às pessoas por algum destes itens, que te olham com cara de "han?" e você fica parecendo uma frustada reclamando que o pão francês é ruim, o risoto é feito de arroz normal e Sorriso não é pasta de dente que eu gosto e aprende que tudo isso que para quem mora em São Paulo parece óbvio de se encontrar e para você agora se tornou artigo de luxo.
Muitas coisas fazem falta nesta minha nova vida calma e pacata que resolvi viver, mas me fazem pensar que país é este que segregam as pessoas por marcas e gostos? Quem mora aqui no Nordeste não merece um croissant? Um risoto bom? Uma rúcula gostosinha? Um bolo de mousse do Amor aos Pedaços?

PS. O que me pertence agora são as férias que vou tirar, uma semaninha aqui no Nordeste mesmo, Fernando de Noronha, Fortaleza e Natal volto no meu aniversário aguardem o post de feliz 35 para mim. beijos.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Notícias fesquinhas

Aqui não tem jornal, não tem rádio local, não tem revista, não tem nenhum veículo de comunicação que conhecemos, assim, não tem como a notícia se propagar a não ser pelo bom e velho boca a boca ou no polpular conhecido como fofoca de vizinho. E como quem conta um conto aumenta um ponto imagine como a notícia chega?
Mas para amenizar este problema existe uma mídia muito eficaz e rápida que a cidade grande deixou de lado por motivos óbvios que é o carro de som, aqui mais precisamente a bicicleta de som.
Atráves do som "mono" ouço as novidades fresquinhas da cidade: Exame de vista grátis na ótica local, o óculos parcelado em 4x sem juros, basta levar RG, CPF e comprovante de residência. Onde? Em frente a Igreja Universal perto da praça da televisão.
Sim gente, existe uma praça onde a televisão é coletiva e Igreja Universal existe em qualquer esquina, mas ótica que faz o exame de vista de graça para toda a população? Eu não sabia que isso podia ser feito. Será que lá tem todos os equipamentos necessários? Bem, a população local ficou feliz e deve ter feito fila na ótica e enquanto esperavam na fila viram TV ou oraram um pouco.
Outro dia, andando pela rua eu ouço umas moças passando e falando: "Vamos lá ver o menino afogado". Eu espichei meu ouvido e pensei: "Que coisa mais mórbida, ver o menino afogado? Será que elas vão ver o corpo estirado lá na beira do mangue? Isso é legal?" Eu, recriminei na minha cabeça, mas depois entendi quando a bicicleta sonora passou anunciando a morte do menino de 2 anos afogado no mangue. Ouvindo a notícia eu pensei que se tivesse um jornal local, mostraria a mãe da criança chorando contando o que aconteceu exatamente, a avó desmaiaria e todo o sensacionalismo que a notícia "merecia" seria mostrada. Mas com a notícia fria sem detalhes ouvida pela bicicleta de som, cabe ao povo que se interessa ir ver de perto, conferir e fazer da sua notícia uma parte da história a ser contada.
Os choques culturais são muito grandes quando se sai de uma cidade como São Paulo e vem morar numa praia de Pernambuco, pois fico indo além e pensando em como será que se sabe se o vereador daqui não esconde dinheiro na meia, ou se a praia teve o dia mais quente, ou notícias simples como a inauguração de um bistrô, ou então o aumento da passagem da lotação. Como que a notícia se propaga quando o assunto é comum de todos? No boca a boca? A bicicleta de som sai anunciando? Haja perna para o menino que anda nela o dia todo com os alto falantes mono estridentes.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Aline, Dona Flor, Zelda Scoth, Renata Cintra?

Ter um marido dá trabalho. Imagina dois? É caso para enlouquecer, virar lésbica, tomar rivrotil, sair pelada gritando, vocês não acham?
Pois bem, eu agora tenho dois maridos. (Óóóó mão na boquinha de susto?) Achei que a vida estava calma demais, então, um amigo do Renato estava muito tristinho em São Paulo, quase enlouquecendo naquele processo todo que eu já vivi e chamamos ele para morar com a gente. Chegou cheio de bagagens, vara de pescar, bagunça ao cubo e se instalou.
Agora enquanto um marido sai para trabalhar outro fica em casa e vai para a praia comigo, depois faz o almoço, afinal este meu novo marido é chef de cozinha internacional (está bom pra você?), e a noite enquanto um marido dorme de cansaço do trabalho, outro adora ver filmes até tarde comigo.
Enquanto um prepara um peixe com molho de manga para mim, outro fica tomando cerveja.
Quando brigo com um, vou bater papo com o outro e vice versa.
Quando a bagunça de um eu termino de arrumar, a do outro já está pronta para a arrumação não ter fim, infinitamente.
Quando os dois se unem nas suas conversas e divagações eu me excluo no meu cantinho feminino para não pirar.
Este meu novo marido é muito atrapalhado e distraido o que me faz ter acessos de riso intermináveis.
Estamos pensando em montar uma banda chamada "Os retirantes", sobrou para mim tocar baixo, coisa que não sei nem como começar, mas tempo é o que me sobra nesta nova vida.
Só fico pensando que será muito triste quando ele for embora do nosso triângulo nada amaroso e quiser sua própria casa, pois a vida ficou muito mais divertida assim.
A vida é fácil para vocês na cidade grande? Aqui em Porto das Galinhas, bairro pacato de Ipojca nos cafundó de Pernambuco nada é simples, nada é básico, nada é calmo.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Seu Chico, não abusa!


Sou devota de São Frascisco, não sou religiosa, nem carola, nem frequento igreja, mas São Francisco tem algo que me cativa. Ele sempre fez a parte dele direitinho com meus cachorros, eles vivem bem e com saúde sem nenhum susto no meio do caminho. Em homenagem a ele coloquei o nome do meu caçula de José Francisco (é, o Zézinho se chama José Francisco), mas ultimamente Seu Chico anda abusando de mim.
Quando cheguei aqui, logo na primeira semana, o jardineiro estava capinando o mato alto do terreno e acabou atingindo um jabuti, que rasgou o casco, lá fomos para o veterinário com o jabuti na mão, descobrimos que era uma jabuti fêmea na verdade, e ela morrendo de medo da gente, fez suas necessidades básicas na varanda de casa, na minha mão, no meu pé, no caminho todo para o veterinário, enfim, sorte que nada atingiu ela gravemente e achamos o dono dela.
Depois foi o dia que um timbu entrou aqui em casa, Zézinho (sempre Zézinho) pegou o timbu, mordeu o pobre bicho que morreu aqui em casa, como era muito tarde, deixamos o pobre bicho no terreno vizinho para no dia seguinte fazermos o enterro, mas quando acordamos descobrimos que o timbu safado deve ter se fingido de morto, pois ele sumiu sem deixar vestígios.
Aí, se não bastasse, outro dia entrei no meu quarto e em cima da minha cama vejo o Gagato (o gato que Zézinho tinha explusado de casa), até aí tudo bem, ele aparece às vezes ainda para ganhar uma comidinha, um carinho gostoso e volta para a vida dele na rua, mas só que desta vez ele apareceu com uma gatinha de colerinha rosa, dei o nome de Mel, os dois ficaram na minha cama sem cerimônias, cada um no seu travesseiro preferido, deitei entre eles, brinquei um pouco, e agora eles resolvem aparecer no meio da tarde e ficam me chamando para eu alimentá-los.
Depois, ainda teve o outro timbu bebêzinho que resolveu se esconder no outro quarto de cima da casa, lá estava ele, bem pequenininho, assustado, tiramos ele do quarto, colocamos no quintal e ele sumiu, mas tenho quase certeza que está se criando aqui dentro em algum canto.
E hoje como se não bastasse, tudo isso que meu amigo Seu Chico me manda para cuidar, acordei com um gato na janela, olhei para ver se era um dos meus folgados amigos de sempre, mas era outro felino, peludinho, bem bonitinho, que me acordou às 6 da manhã, entrou no meu quarto, pediu comida, deitou na minha cama e resolveu se unir ao triângulo amoroso que mia.
É Seu Chico, tenho um altar cheio de imagens sua aqui em casa para poder sempre agradecer o que você faz pelos meus cachorros, sei que tenho te dado trabalho extra com meu caçulinha Zézinho, mas será que já não estamos quites? Hein? Daqui a pouco vou virar uma filial do Centro de Zoonose.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Redundância é...

... Thaís Araujo no papel de Helena falar para o médico: "Doutor, ando muito enjoada".

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

A agitada vida de um vizinho do Zézinho

Faz meses que só vem um nome em minha cabeça "Zézinho", este nome invade meus sonhos, meus pesadelos, invade a minha casa, meus ouvidos, minha paz, minha vida.
Acordo ouvindo seu nome, durmo ouvindo seu nome, queria muito conhecer quem é Zézinho. Este nome sempre veio seguido de um "cadê você?" ou um "já pra casa". Ah! Esta minha nova vizinha deve ter um filho muito levado, mas não entendia quando ela berrava "deixa o gato! Não pega ele, não" ou ainda "solta, solta, não morde isso, cospe, cospe" Coitada este filho dela devia ser treloso demais, pensei.
Mas outro dia recebi a visita de um dos cachorros da vizinha, ele pulou meu muro, foi até a minha cozinha brincar comigo e depois ficou na piscina brincando com meus cachorros, bati lá e falei "vizinha, um dos seus cachorros está aqui" ela saiu assustada e disse "só pode ser o Zézinho" percebi que meus delírios agora tinham um rosto, um rabo e pelos, muitos pelos.
Então Zézinho é um cachorro? E faz toda esta algazarra nesta família? 5 da manhã já vejo minha pobre vizinha me acordando e saindo de casa de pijama procurando o tal peludinho dela, em seguida seu marido de moto.
Agora quando estou na rua já procuro e sei que vou encontra-lo desde que ele resolveu morar na rua toda noite. Assim que a minha vizinha vai dormir, lá sai ele pulando o muro, rasgando a cerca e subindo na caixa d'água para se libertar.
Semana passada, eu estava na praia e vejo meu amigo de 4 patas, chamei em alto e bom tom "Zézinho!!!" E lá veio ele feliz falar comigo, peguei meu carro ele entrou e cheguei em casa com ele ao meu lado: "Vizinha! Olha quem eu encontrei na praia." Ela saiu de casa com cara de acabada, mas feliz e falando: "Graças a Deus, Graças a Deus, não sabia mais aonde procurá-lo"
Bem, são 9 da noite, acho que vou dormir mais cedo hoje pois amanhã sei que às 5 da manhã a minha pobre vizinha descabelada e de pijama irá me acordar, sair pela rua berrando "Zézinho, Zézinho já pra casa".

PS. Para saber mais sobre Zézinho, leiam o que o Daniel escreveu carinhosamente sobre ele. Divirtam-se: http://danielrbo.blogspot.com

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Vivendo o agora

Desde que cheguei em Porto de Galinhas, vivo tendo pequenos acidentes. Levei mordida separando briga de Zézinho com Fuka, tomei anti rábica, conheci o hospital de Nossa Senhora do Ó e do Cabo de Santo Agostinho, cai da escada, furei a sola do pé na praia, prendi meu dedo montando a cama, machuquei minha perna separando outra briga canina, unha encravada, cicatrizes novas no joelho...
Enfim, comentei com uma amiga minha e ela me disse: "Você está vivendo agora". E é verdade. Quando se passa 10 horas do seu dia fechado num ar condicionado de uma empresa, 2 horas no trânsito, 8 horas dormindo, 1 hora comendo, 2 horas vendo TV e 1 hora arrumando a casa todos os dias, não sobra tempo para se viver, se machucar, se acidentar, correr atrás de Zézinho, regar a grama, se molhar, andar na praia e fazer das 24 horas do dia algo que faça com que a vida fora de casa deixe marcas.
Estou adorando meus novos acidentes, me divertindo com as minhas novas cicatrizes que ensinam que existe vida para viver e que a hora para viver é agora.

domingo, 15 de novembro de 2009

Abaixo a caretice

Uma moça de 20 anos, sai de casa para ir para a faculdade, coloca a sua mini saia rosa, entra em uma universidade paulista e é ovacionada como uma mulher a frente do seu tempo, é da turma dos que formam opinião, dos que se rebelam, dos que pensam, agem, entram em luta contra a ditadura e a opressão.
Esta moça, sabe que em uma universidade se aprende a confrontar, a pensar, a diversificar os conhecimentos e as escolhas, elas foram criadas para formar mentes para o futuro e esta moça, sabe disso.
Estamos nos anos 60, onde muitas meninas disseram que não queriam mais fazer apenas o curso "normal" para serem professoras primárias, queriam ser cientistas, astronautas, engenheiras, médicas, para acompanhar toda esta liberação usavam mini saia, biquini ousado de duas peças, se libertaram das funções de esposas e donas de casa. A mini saia era apenas um reflexo disso. Não é sua roupa que dizia quem era esta moça de 20 anos, era a atitude, uma consequência, ela pode vestir o que quiser, ela se libertou, ela estuda, ela fuma, ela faz sexo sem casar, ela lê Sartre, ela tem opinião.
50 anos depois, outra moça de 20 anos não pode mais usar sua mini saia em uma universidade sem causar outra comoção nacional, sem ser vaiada e xingada, estamos falando ainda de uma mini saia? Não. É mais que isso que a moça da Uniban enfrentou. Neste país tropical que na TV vemos dançarinas de funk dançando para closes de câmeras quase ginecológicas, vemos homens de terno e gravata matando e roubando e lindas moças de tailler sonegando impostos absurdos incentivando contrabandos, aquela moça de 20 anos que usou uma simples mini saia rosa em 2009 foi pagar o pato por que mesmo?
Será que agora nas universidades mulheres terão que vestir uniformes? Mulheres vão se masculinizar ainda mais para poderem ser respeitadas?
Uma mini saia causou sim uma revolução para nós mulheres, uma boa revolução no passado, esta nova revolução que veio agora, eu não quero fazer parte, não quero acreditar que a cabeça dos jovens de hoje julguem uma pessoa pela roupa que veste, não quero viver em um mundo que o futuro estará nas mãos de pessoas que condenam e absolvem com o preconecito e a caretice como armas.
Quero continuar a usar a minha mini saia rosa, aos 35, 40, 45 anos sem que alguém tenha alguma coisa a ver com isso. Quero acreditar que a juventude não vai se encaretar ainda mais, pois jovem que não ousa nem inova e apenas recrimina vai melhorar em que o nosso futuro?
Abaixo a caretice!!!

terça-feira, 10 de novembro de 2009

No mercado

Hum, vou comprar um chocolatinho para decorar o bolo, ah! posso fazer uma panqueca de chocolate, derreto o chocolate em banho maria e coloco no recheio e sirvo quente senão fica duro, ah! posso colocar creme de leite com o chocolate no recheio da panqueca, ai, que coisa de gorda, agora você coloca biquini todo dia e neste calor compre frutas, mas um chocolatinho cairia tão bem, frutas, chocolatinho com banana, hum, frutas ok, vou comprar frutas, onde ficam os chocolates neste mercado, frutas, frutas, chocolate, chocolate, frutas e chocolate uma coisa não anula a outra, não? Não. Não anula, compre frutas e uma barrinha de chocolate pequena, bem pequena, minúscula, um talento de 4 quadradinhos, ah! Talento de 4 quadradinhos não engana ninguém. Frutas, decidido.
- Oxê, onde ficam os chocolates, moço?
- No freezer, junto com a manteiga.
- Uia.
Num lugar que faz tanto calor que o chocolate fica no freezer junto com a manteiga, decidido, vou comprar Uva.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Bate-papo de finados

Será que precisa de um dia no ano para que as pessoas se lembrem dos que se foram? Falam: "Opa, hoje, vou lembrar da minha avó". Este feriado teria mais sentido se no dia 2 de novembro, pudéssemos dar uma ligação para os nossos mortos, só uma, por 5 minutos, eu ligaria para meu pai:
- Oi Paizão. Que saudades.
- Oi Amoreco.
- Como você está?
- Bem e você?
- Bem também, o que você conta daí?
- Ah! Tenho feito tantas coisas, outro dia fui nadar com um cavalo.
- É? O cavalo era bravo?
- Era muito bravo, mas domei ele rapidinho, agora quando me vê, vem atrás de mim para fazer festa. Parece um cachorrinho.
- Jura? O que mais?
- Ah! O de sempre, me pedem conselhos sobre tudo e como eu sei de tudo sou muito requisitado, encontrei muitos amigos aqui e fiz alguns novos.
- Imagino - sorrio um pouco - e já foi pescar?
- Fui, na praia outro dia te ver, aproveitei para pescar.
- É?
- É, você não me viu, mas você me sentiu, né?
- Senti sim pai, na hora começou a tocar a música "Mais que nada" no meu mp3, não foi?
- Foi sim, minha filha, era eu.
- Pescou algo grande?
- Não, você sabe que só pesco peixinhos, você sim era uma pescadora melhor, pescava os grandes, desde pequenininha.
- Nunca mais pesquei.
- É, eu sei. Preciso desligar. Amanhã nos vemos de novo no mar?
- Com certeza. Amanhã cedo estou lá, olhando para você, pai.
- Te amo amoreco.
- Te amo, até ano que vem ou até amanhã.

Isso sim seria um feriado que faria sentido...

sábado, 31 de outubro de 2009

Eu odeio feriado

Sabe aquela pessoa chata do seu trabalho que diz: "Feriado só serve para acumular trabalho" ou ainda "Com tanta coisa para fazer, tinha que ter um feriado, droga" ou "Feriado é coisa de brasileiro para não trabalhar", eu sempre odiei estas pessoas, e o pior, elas existem, juro. Já ouvi coisas absurdas deste tipo que me faziam ficar com cara de coxinha, murchar minha alegria e fingir que também estava tão ocupada e preocupada (ah! até parece). Feriado é coisa sagrada para os legais trabalhadores (que não é mais o meu caso), só os chatos odeiam feriado, os chatos ou as pessoas mal amadas.
Pois bem, agora que moro em cidade de veraneio eu passei para o clube dos chatos e mal amados e isso me preocupa muito, feriado para mim virou pesadelo de verdade.
A praia fica suja, cheia, barulhenta, as casas vizinhas ficam lotadas de pessoas felizes demais que chegam na praia e fazem "Uhu!!!", ligam o som no máximo com a música mais cafona que existe e ficam até às 4 da manhã te acordando com risadas exageradas, gritinhos histéricos (aposto que acharam uma barata voadora*) e berros de "vira, vira, vira" seguidos do "tira, tira, tira".
Sem contar que no feriado fico sozinha em casa, pois meu marido trabalha feito louco (tá, são nos feriados que ele ganha dinheiro), então, coloco meu mp3 com músicas calmas, declaro mantras, ohmmmmmm, respiro 30 vezes e ainda assim continuo irritada.
Me diz, eu virei uma daquelas pessoas odiosas mesmo, ou é uma fase? E, dia15 de novembro não será feriado, né? OBA!!!

* nota da blogueira: barata voadora, tema para um outro post.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Velha infância

Hoje senti saudades de uma infância que não foi a minha, não morei em casa com pé de cajú, não tomei banho de esguicho, não ralei meu joelho caindo de árvores, não cuidei dos gatos de rua, não peguei perereca na mão para ver se era gelada, não tenho cicatrizes de pular muro, não cortei o rabo da lagartixa... Podia ficar aqui infinitamente contando coisas que senti falta na minha infância por morar sempre em grande cidade, na metrópole que nos anos 70 eram mais seguras, porém de pedras e concretos, com salões de festas e playgrounds.
Hoje fechando meu portão fiquei parada revivendo esta infância distante que não foi a minha. Três meninas passavam pela praça que tem em frente de casa, voltavam da escola com suas mochilas, rabos de cavalo e uniformes quando viram uma mangueira regando a grama, se olharam, largaram as mochilas e embaixo do sol de meio-dia se deliciaram ali, na água, nos esguichos rodando, corriam atrás dos jatos com seus uniformes e de novo pulavam para pegar mais água, empurravam uma a outra, rolavam na grama e se molhavam mais.
Fiquei ali parada por minutos que pareceram horas, pois lembrei da sensação de roupa molhada no corpo, quis ser criança, me juntar a elas, brincar de pega-pega, esconde-esconde, polícia-ladrão, queimada, molhar meu uniforme branco, revivendo algo que nunca vivi.
Quando acabou a brincadeira, elas pegaram as mochilas e retomaram o caminho de casa, com um sorriso lindo e encharcadas. Eu entrei em casa sorrindo. Sei que a mãe delas vai dar a maior bronca, brigar, esperniar, pois ela não vai entender como essa brincadeira foi importante para elas e para mim.

sábado, 24 de outubro de 2009

Vem Zézinho...


Numa segunda-feira ensolarada, 7 da manhã, calor de matar, resolvemos levar os 4 caninos para a praia. Que ideia feliz. Eu e Renato com Fuka, PTK, Zézinho e Tróia chegamos na praia, cantinho calmo e vazio. Soltamos as coleiras. Que alegria, olha como estão felizes, que coisas mais lindas, olha o Zézinho como está feliz, PTK mordendo as ondas, Fuka surfando e Tróia latindo.
- Renato, você não acha que o Zézinho está indo longe demais?
- Não, ele vai voltar.
- Jura? Onde ele está?
- Filho da ∆@&ƒ*#, corre ele está fugindo.
5 km depois...

... achamos Zézinho em Maracaípe brincando com outros "amigos" que encontrou pelo caminho, eu aos prantos, Renato exausto, PTK mancando, Fuka saltitante e Tróia deitando.
Já sei quem não será convidado para a próxima praia, numa segunda-feira ensolarada, às 7 da manhã.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Daqui para o final do ano...

Na região daqui existe apenas um marceneiro, o Joãozinho. E este Joãozinho que sabe viver, descobri isso e passei a adotá-lo como meu ídolo de infância.
Renato precisa urgente que ele conserte umas janelas para a pousada e liga:
- Joãozinho, e minhas coisas?
- Sabe como é Seu Renato, estava com pouco trabalho e dispensei o pessoal.
- Mas e o meu trabalho?
- Não se estresse que estou fazendo. Daqui para o final do ano está tudo pronto.
- Mas quando você vem aqui? Estou há 3 meses esperando.
- Daqui para o final do ano. Ó, já estamos em outubro, até dezembro se tudo não apertar eu apareço.
- Mas já está pronto? Eu vou pegar.
- Olhe Seu Renato, pronto, pronto, não está, já cortei as madeiras só falta juntar, visse? Mas não se aperreie, até o ano novo está aí.
E assim Joãozinho vive feliz. Daqui para o final do ano tudo se ajeita. E ele fala isso como se estivéssemos no meio de dezembro, e vi, que este stress e esta maneira de ver as coisas com os olhos e a correria de São Paulo é o que faz com que sejamos menos felizes.
Minha irmã me ligou chateada, pois o negócio dela deu uma parada, e eu agora sábia da filosofia Joanesca digo:
- Mas Dea, sigo agora meu guru, o Joãozinho marceneiro, daqui para o final do ano tudo se acerta.
Para que a pressa? O quarto está parado sem janela, sem poder hospedar ninguém, mas para que se estressar? Daqui para o final do ano, tudo tem jeito.
Sei que até o final do ano ele não vai aparecer e aí mudo meu lema junto com ele, "Daqui até o carnaval, tudo tem jeito"...

domingo, 18 de outubro de 2009

Alien, o rebelde

Desde que cheguei aqui em Porto de Galinhas para morar, percebi uma coisa estranha acontecendo comigo. Algo que não devia começou a se rebelar de maneira descomunal, de modo que preciso agora chamá-lo por um nome próprio, como se ele resolvesse ter vida fora de mim, vida paralela, vida independente.
Tudo começou no primeiro dia de praia, ele saiu do meu controle ali, naquele instante, e de lá para cá, cada dia de praia tem se tornado algo que exige muito de mim para educá-lo.
Ele quer ficar livre, solto, da maneira que o vento permitir, ir sentindo as ondas (e que ondas), ele quer mostrar que está ali e que manda no pedaço.
Mas eu me prometi não mais tentar domá-lo de forma tão violenta, com corretivos, ajoelhar no milho, passar ferro, formol, chapa, secador...
É, meu cabelo anda com algo estranho de rebeldia em excesso, querendo ir para Woodstock, fazer parte do movimento Black Power, ser do fã-clube da Vanessa da Matta ou do Wilson Simoninha e a cada dia vejo que o nosso fim será um só, ou ele ou eu sobreviveremos a este ataque.
Que vença o melhor.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Oxê, quanté?

Semana passada fui para Recife passear com uma amiga no Mercado São José, eu com meu jeitinho carioca paulista de ser:
- Oi, por favor, quanto custa isto aqui?
- 25 reais. Respondeu o vendedor da barraquinha com sorriso de orelha a orelha.
Minha amiga me olhou e disse "Não custa nem 10 reais, pergunta com sotaque" e me ensinou a falar direitinho:
- Oxê, quanté? - Mas tem que falar bem rápido.
E para confundir o vendedor pergunta rapidinho o preço de outras coisas:
- E esse? E esse? Este aqui? Oxê. Apontando para todos os lados.
Esta dica preciosa tem sido aplicada em tudo desde então, na praia, na tapioca, nas lojinhas, pagar mais caro por causa do sotaque, oxê, nunca mais.

domingo, 11 de outubro de 2009

Ele sabe, ela desconfia (um conto)

Ela ouvia sim, eu caso, ele dizia não, vamos dar um tempo, ela ouvia os sinos, ele as sirenes, ela acreditava nas meias verdades dele e ele nas meias mentiras dela, e nunca saberiam quais seriam as verdadeiras, quais eram as corretas e certas para se seguir.
Ela com mais de trinta, ele também, ela pintava seus fios brancos, ele deixava todos ali a mostra, afinal era seu charme, passava um ar de confiança. Ela nunca quis contradizê-lo, ele sempre discordava dela.
Num mundo de opostos a vida continua, entre uma acomodação daqui, uma mentira dali, uma incerteza sempre a batucar, pois em que mundo ela e ele se completariam como nos contos de fadas.
Fadas? Elas não existem - ele berrava com ela.
Han, han - ela aceitava para não discutir.
Mas o sonho existe em algum canto das diferenças. Ela sempre se perguntou o que aconteceria depois do sim, do felizes para sempre, porque as histórias não continuam, não mostram os filhos nascendo, os cachorros ficando velhos, o amor amornando. Depois do sim acaba a vida?
Ela sempre via "E o vento levou..." na esperança dela construir seu próprio final onde Scarlett acha uma maneira de ter Rett Butler de volta, já que "Tomorrow is another day".
Ele, achava que era tempo demais para perder vendo este filme, afinal em 4 horas se pega um avião e voa até muito longe. O cálculo de horas para ele era diferente também do cálculo de tempo dela.
Ela ria de si, ele ria dela. Ela ouvia os conselhos da sogra, ele odiava sua mãe. Ela aceitava tudo pois depois dos trinta, pode ser a última chance de se ter uma família.
Triste - ele pensava.
Determinação - ela retrucava.
Assim o medo da mulher balzaca entregue ao relento de uma vida solitária, enquanto ele poderia procriar até muito mais tarde, aliás quanto mais tarde e melhor sucedido, melhor seria seu passe. Ela os anos não ajudavam. Menopausa uma palavra não tão distante, infertilidade também, morrer sozinha dava arrepios.
Enfrentar, aceitar, se calar. Se rebelar, enrraivecer, crise choro, pânico. Postura reta, carro esporte, jogar squash. Quãos absurdos podem ser os desejos dele e dela. Lá de perto alguém via e tentava dar conselhos, mas o melhor conselho é que o dia passa, o tempo voa, e tudo na vida tem fim. O fim? Só ele que descordava e ela que concordava, era enfrentar uma nova vida. Outra vida. Que vida? Só ele poderia saber. Ela imaginava. Ele estava meio calvo em cima, em poucos anos seria careca. Ela uma lipo e uma andada no parque.
Planos feitos tchau sem sofrimentos, nenhuma dor dura para sempre.
Ela descobriu diversos talentos, ele que a calvice era inevitável e que sentia uma barriga apertando sua cintura. Ela aceitou a idade, ele se escondia dela. Ela ouviu sirenes, ele sinos. Era tarde. Era bem tarde. Tarde demais para se lembrar dos motivos, das meias verdades, dos contos de fada. Era hora do destino aparecer e cuspir na sua cara "Você não tem mais 20 anos, moço" e ela ouvia o destino dizer "Melhor a cada dia".
Dia, tempo, horas, ela tinha de sobra, sem preparar o banho especial das quintas-feiras dele, nem engomar suas camisas, tempo, era algo que lhe sobrava agora com salão, depilação, caminhadas, yoga, reunião da Tapeware. Qualquer lugar é lugar, qualquer sorriso é simpático. Ele? bem, esquece, não vale a pena lembrar.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Um pouquinho de nostalgia

Desempacotando caixas passou um filminho da minha vida, são tantas lembranças em formas de objetos, muitas vezes sem valor nenhum, com histórias que são só minhas.
Um livro do "piu piu e frajola" que eu ganhei do meu mendigo quando eu tinha 3 anos, ele era meu mendigo pois todos os dias depois do almoço tínhamos que ir até a esquina da Barata Ribeiro em Copacabana onde ele ficava, levava comida e batia papo com ele, minha mãe me levava e eu dona de mim no auge dos meus 3 anos, ficava lá com o meu mendigo, ele comia e depois levávamos o prato de volta, todos os dias este era o caminho depois do almoço, antes dele mudar de "morada" ele me deu este livro, que guardei até hoje; uma caneta escrito Renata que meu tio Antônio me deu, aquele tio que eu jurava que era o Chacrinha; um avental com uma vaquinha pintado pela minha tia Helena; uma canga que comprei na última viagem com meu pai, a super 8 que ele me deu para eu ser cineasta; um quadro com uma foto tirada quando meu afilhado fez 18 anos em que os 5 primos estão juntos e felizes, coloquei perto do meu cantinho de trabalho; meu vestido de casamento; meu palhaço que estava na mesa de bolo do aniversário de 1 ano do filho de uma amiga, e de tanto elogiá-lo ela me deu, o que causou grande discórdia entre as amigas dela; um livro de costura que a Cláudia me deu como incentivo para meus futuros empreendimentos; uma Barbie Yasmim que ganhei da Kiki quando engravidou.
São muitos fantasmas, saudades, momentos que não voltam mais, mas que gosto de saber que estão perto de mim, gosto de vê-los como amuletos da sorte recheados de certezas e que preciso deles para me sentir em casa. Agora que tudo está no seu devido lugar, cachorros no quintal, caixas na reciclagem, estante da sala arrumada, sobra energia e força para recomeçar com o pé direito. Amanhã, que venha o sol para eu usar meu protetor solar novo.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

A chegada

Chegando em Porto só queria a minha cama, meu sono, meu sol e toalhas limpas, porém, nem tudo são flores nesta vida, entrei em casa e vi 81 caixas, é, minha mudança constava de 81 caixas, e todas elas estavam na sala, arranjei um cantinho no quarto para dormir. Dormir? Eu sonhava com isso, mas não, as emoções de 4 dias de viagens não acabam assim. Seria lindo chegar e tudo estar pronto te esperando, mala desfeita, cama pronta, papel higiênico no banheiro.
E como dureza nunca vem sozinha, Zézinho brigou com o Gagato (é, gente eu tinha um gato) e ele fugiu (o gato, não o Zézinho), PKT brigou com Fuka, Tróia (é, gente eu tenho uma rotweiller também, chamada Tróia) brigou com PTK, e em certa hora da noite todos brigaram com a gata prenha (é, gente tem ainda a gata prenha que vem comer em casa). Separadas as brigas, "mertiolate" para todos os curativos, veio a fase da cerca que não segurava Zézinho, Gagato que não voltou para comer em casa, pererecas pulando em mim, pernilongos não me deixando dormir.
Com as olheiras na altura do nariz, desmaiei na cama, ai que soninho (bocejo com espreguiçada), vento forte, varanda do quarto balançando cortinas. Sol nascendo, 7 da manhã de pé (nem na época de escola acordava tão cedo), hora do moço que vem limpar o jardim. É, eu tenho um jardim, cachorrada acordou de bom humor, sem brigas aparentes, desempacotando caixas. Sol? Praia? Aonde?
Ainda não vi o mar, o que pensando bem me faz crer que ainda não cheguei em Porto, estou numa espécie de purgatório antes de ir para o paraíso, vou desembrulhar a caixa nº 54 e já volto com a vida no lugar, depois de achar o Gagato.

PS. O nome é Gagato pois eu acho que ele é gago, acho não, tenho certeza. Absoluta.

sábado, 26 de setembro de 2009

Porque eu mereço

No segundo dia de viagem, dormimos em Jequié no único hotel da cidade que aceitou a galera, os cães não os sogros. O quarto era daqueles que você chora, roupa de cama desencontrada, banheiro imundo, a toalha de banho era tão dura e encardida que preferi me secar no sereno, mas na hora de ir embora eu vejo o tapetinho da entrada "Porque você merece!" Com exclamação e tudo, aí eu pensei, não, eu não mereço, isto é o anti slogan. Pensem "Porque você merece!" o quê? Mereço o carro de som na porta? Mereço os berros do culto da igreja que fica dentro do hotel? Mereço aquela toalha dura? Mereço os pernilongos? Mereço o café da manhã com risoles frito? Mereço o ralo do banheiro estar entupido e eu ter que desligar o chuveiro antes de nadar pelo quarto?
Mas como nem tudo no mundo pode ser assim tão sofrido, chegamos hoje em Aracaju. Que surpresa de cidade. A gente pensa em um Nordeste sujo, com axé, forró, sujeiras na rua, poluição visual e sonora, praias lotadas, trânsito infernal, tapioca pra todo lado, pois pensava assim por não conhecer Aracaju. Uma capital que é linda, limpa, prédios lindos, sem sujeira na rua. Aqui sim devia ter o slogan "Porque você merece!" Exclamação! 3!!!
Amanhã chego em casa, preciso me acostumar com a ideia de falar minha casa, pois minha casa tem grama, minha casa tem varandas, minha casa tem árvores, minha casa tem banco no jardim, minha casa é de tijolo, minha casa fica pertinho da praia, minha casa é em Porto de Galinhas, ou como diriam lá em Jequié, porque eu mereço!!!

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

3 horas ou 2672 km?

Podemos pegar um avião e em 3 horas estar longe da nossa cultura, nossa terra, dos nossos amigos, ou... ir de carro.
De carro vamos vendo a passagem da paisagem, a mudança da cultura, sentindo o aperto do peito minguar, dá tempo para as lágrimas secarem e a respiração aliviar. A distância devia ser contada em quilometros, metros, amigos esquecidos, nunca em horas.
Posso viajar de avião e em poucas horas estar em lugares tão distantes e nunca perceber o quão distante estamos do ponto de partida.
Para virar nordestina tem que fazer tudo direitinho: pega um carro grande, PTK, Zézinho, sogra, sogro e eu. Biscoito povilho. Obra na estrada. Ração. Água quente. Estrada, estrada, estrada. Primeiros 800 km de viagem, chegamos em Ipatinga e aos poucos vou deixando lá atrás a saudade e ficando mais ansiosa para a nova vida que me espera. Onde será que vamos estar amanhã?

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Dia cinza


O dia está cinza, nesta São Paulo, assim é mais fácil me despedir, pois adoro esta cidade com sol. Nos dias cinzas lembro que existe calor, existe sol, existe mar num lugar distante. Deixar esta São Paulo num dia cinza é fácil, fácil, fácil demais, o difícil é deixar as pessoas que moram dentro do dia cinza. Difícil é voltar a me sentir em casa numa cidade que não é cinza, não tem prédio, não tem o ar pesado daqui. Difícil vai ser acreditar que aquela vila distante vai me acolher e em breve chamarei de "lar".
É doído deixar algo que acostumamos, mesmo que caótica, a nos identificar. Reclamando do trânsito, sei que sentirei falta de pensar na vida enquanto fico parada na Berrini, sentirei falta do caos, da cidade que eu sempre disse que só existe, se entende e amamos, pois ela pulsa.
Pulsa num compasso de misturas e ideologias. Uma cidade que administra as diferenças, os desecontros, os desconfortos. Cidade que une, se choca e assim renasce, pulsando, batucando, se reinventando.
Adoro a São Paulo que pensa e sofre, e que da sua maneira torta de ser, acolhe. Sentirei falta de chamá-la de lar.