segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Sonoterapia

Sempre que chego em São Paulo é assim, a casa da minha mãe me dá um soninho...
Luto para não dormir tanto, mas não tem jeito, "encostar e dormir" tem sido meu lema. Sábado dormi 12 horas seguidas e durante o dia de picadinho deve ter dado mais umas 5 horinhas de lambuja. Que delícia. Acho que venho para São Paulo para sonhar.
E tenho sonhado muito. Sabe aquele sonho que você vai sonhando, sonhando, acorda, se força para dormir mais um pouquinho para continuar sonhando e mudar o final do sonho e com isso tentar mudar o que a sua mente te manda fazer? Não quero este final, quero outro final... Se eu sonhar mais um pouquinho acho que consigo chegar no meu "final feliz".
A vida devia ser um sonho também. Um sonho que podemos a cada momento mudar nosso final.
No fundo sei que nosso final real também pode ser mudado a qualquer momento, mas dá trabalho. Dá trabalho sonhar com algo e depois querer mudar de sonho, sonhar de novo, resonhar (existe este verbo?) na vida real exige muito.
O bom é que os sonhos reais ou não, vem e vão, ficam se são bons, vão embora se são ruins. Mas, me deixe fechar os meus olhos e sonhar mais um pouco, suspirar e me sentir em casa, aproveitar o fresquinho desta primavera paulistana, o barulho das patinhas do Caramelo, minha cama de solteira, minhas paredes de flores, meu livro no criado mudo quase sem orelhas, meu sono se instalando, minhas meias arrancadas no meio da noite, meu pijama de calça comprida...

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Nas alturas

Lá se vai mais uma viagem, e os rituais que nela me irritam.
Porque para entrar no avião se faz aquela fila enorme de gente se debatendo e correndo? O lugar é marcado, ninguém vai pegar sua janelinha sem o seu consentimento, vamos combinar?
Opa, a não ser que você seja eu, pois sempre alguém insiste em pegar meu lugar que no susto se enganou. É tão difícil diferencialr o 21C do 21F?
A pior parte do vôo é a expectativa de quem vai sentar ao seu lado, você fica de longe dando umas espiadas e a cada passageiro, um suspiro "Opa, seria legal passar umas horinhas ao lado deste mocinho bonito, né?" Mas não. Sempre é o senhor acima do peso que ocupa quase 2 poltronas, que será a sua companhia para as próximas horas. Além disso quando passam a bandeja das balinhas, não é para pegar todas, ok. Uma só está bom. Ah! E por favor não coloquem os papeizinhos das balas nos bolsos da poltrona da frente, lá é lugar para revista e saquinhos de vômito.
Durante o vôo tudo me irrita, alguém pode não chutar minha cadeira, nem me dar comida ruim? Não deite a cadeira da frente com minha bandejinha aberta, não tire o sapato ao meu lado com este chulé? Me sinto uma sardinha em lata, isso que tenho apenas 1,58m.
E quando o avião pousa, será que as pessoas não podem esperar sair do avião para ligarem os celulares, será que todos são tão importantes assim e requisitados a ponto de não poderem ficar nem mais um minutinho desconectados? Vocês não ouviram o que o moço falou? Ligar o celular no lobby. NO LOBBY.
Ah! Que preguiça!
E para terminar a viagem de avião é fechada com chave de ouro na esteira das bagagens. Fica a dica, se a sua mala passar por você, não quer dizer que nunca mais ela volta, não precisa correr, cair, tropeçar para alcançá-la. Ela volta, pois a esteira é rolante, não é um mundo sem fim e sem volta do para sempre.
Mas. O bom de tudo isso é estar em São Paulo por uns dias.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Se eu falar... você promete me ouvir? (oração de quem não sabe rezar)

Se eu falar o que estou pensando, você promete não me criticar? Promete me dar apoio e me segurar para eu não cair?
Se eu disser tudo que penso a seu respeito, você jura não virar as costas para mim e nem me desamparar agora que estou aqui, precisando de você?
Se eu continuar minha novena, implorar aos céus, ajudar mais ao próximo, adotar aquele gatinho sarnento, parar de comer chocolate, você atende meu pedido?
Se eu rastejar, implorar, suplicar, prometer não chorar, segurar a onda, ser forte, não fraquejar e nem perder meu otimismo natural, você promete me atender?
E se eu te xingar, quebrar suas imagens, dar uma de doida e não entender porque isto esta acontecendo comigo, se eu fizer isso, depois você me perdoa?
Se eu descontar minha raiva nos que eu amo e depois me desculpar, permita que eles me desculpem?
Se der positivo, você me segura para eu não encolher, não desmaiar, não enlouquecer?
Se eu trocar de lugar com eles, você poupa meus filhos de sofrerem? Poupa a gente disso? Nos dá mais luas cheias, mais praias vazias, mais banhos bagunçados, mas corridas em volta da mesa até eu estar pronta?
E se eu nunca estiver pronta você me deixa delirar? Falar com as paredes? Acender minhas velas, jogar meus sais e culpar o mundo, a política, a falta de saneamento, a falta de interesse do homem em melhorar a vida deste lugar esquecido? Você me deixa culpar todos e tudo e maldizer a vida que em um ato de egoísmo quer em fazer sofrer?
É meu São Francisco, fizemos um acordo há anos atrás e tenho cumprido minha parte, cumpra a sua agora, cuide de minha PTK e do meu Fuka e fique na sua, não me deixe ter raiva de você, pois prezo muito a nossa amizade.
Amém

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Balaio de gato

Novela: Porque as pessoas insistem em acordar de penhoar, alguém usa penhoar? Eu mesma tive que procurar no google como se escreve penhoar, parece coisa de penhor, mas só gente de novela usa.

Ainda na novela: Acho que a Marjory Ano passado está meio velhinha para fazer papel de teen, vamos combinar?

Já que tem gato no título: Pudim, Gato e Galego vão ter que entrar no regime, nunca vi gatos tão gordos que brincam de pular do guarda roupa em cima de mim, uma delícia para os bicos de papagaio ou para meu cabelo emaranhado (próximo assunto). Comprei um parque de diversões para eles, mas nunca os vi usando, existe spa de gatos? Agora que querem transformar em lei perder a guarda pais que tem filhos obesos, fiquei mais preocupada.

Cabelo, ah! Cabelo: Falo que vou deixar crescer e corto, e corto e corto e pinto e fico loira, mais loira, e mais loira. Quero um turbante. Onde vende? Nas lojas de penhoar será que tem?

E o calor?: Mesmo neste calor, quem disse que tenho ido a praia? Porque engordo em arrobas e perco gramas? Nenhum biquini cabe em mim sem ficar uma lateralzinha (sendo otimista) saliente. Ontem comprei um biquini G e isto para mim é o final dos tempos, senti saudades da época em que eu via um biquini, pedia o tamanho P e ia embora da loja, sem nem precisar provar. Velhos tempos...

Pilates: Estou fazendo pilates para combater o assunto anterior (biquini G), mas nestes 2 meses ganhei 2 kg e perdi 60 dias.

Viagem: Estarei em SP final de outubro e quero ver minhas 3 amigas de sempre, pois as outras que prometem e não vão estão na minha listinha negra...

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Me perdendo para me achar

Me sinto assim. Perdida. Perdida dos laços, das ideias e dos ideais. Eu tinha um motivo em alguma parte do caminho, mas não me vejo mais nele. A vida é seguirmos nos reinventando e nos redescobrindo; mas e quando não se descobre nada de novo? E quando parece que a vida fez uma pausa e nada acontece e o pouco que acontece não te interessa?
Sabe o que me faz mal, por exemplo? Ver o facebook dos outros. Fico aqui morrendo de inveja das viagens, conquistas, filhos novos, separações, novos amores, novas amizades, perdas, ganhos, enfim, a vida acontecendo. Acompanho tudo de longe e penso: O que tenho vivido? O que tenho produzido? Cadê meus sonhos? E quer saber? Não acho nenhum.
Já quis ter filho, já quis escrever de verdade, já quis abrir uma ong, já quis mudar o mundo, plantar uma árvore, fazer cooper, deixar o cabelo crescer, emagrecer, ser loira, ser ruiva. Já quis muitas coisas que não quero mais.
E nesta falta de sonho, me sinto assim, perdida num mundo que não me pertence, não me enche de energia, cansaço, emoções. Moro em um paraíso que não tem me dito nada. Cuido dos gatos, brinco com os cachorros, saio com meu Nêgo, vou à praia, tomo sol, ouço música, vejo o mar e volto para o nada.
Esta fase acaba me deixado com o pé balançando sempre que sento, na inquietude por mudança da minha atitude. Jogo paciência, e haja paciência para transformar esta pessoa aqui em algo que valha a pena. Bichinho de cidade grande vivendo no cercado. Em um povoado. Tudo no cercadinho desta vila me parece um filme, ou uma novela, onde os núcleos se misturam com suas intrigas e seus segredos, tudo acaba parecendo meio fake, meio Ilha da Fantasia.
Mas, dizem por aí, que às vezes precisamos nos perder para nos achar. Estou na fase de me procurar. Um dia, me acho. Espero que em breve.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Tá na moda

Tá na moda falar mal de si mesmo, em troca de uns trocados. Tudo começou com Biafra na propaganda do Bradesco, depois veio o Cigano Igor na propaganda da Fiat e agora Anderson Silva com o Burger King.
Poxa, deve ser muito dinheiro que rola para Biafra ficar com aquela carinha no banco de trás do carro cantando e espantando os bandidos. E o pobre do Cigano Igor que aparece sendo um péssimo ator ao lado de Dustin Hoffman, vendo a atuação dos dois é de chorar o pobre do ator grandão de um papel só se esforçando para ser pior ainda do que ele já é. Mas, o Anderson Silva sendo sacaneado por sua vozinha fina foi o auge. Gente o cara é bom de briga, figura máscula que faz sobrancelha, mas sua voz fina deve ser motivo de certa vergonha para ele.
Talvez estas propagandas sejam uma tendência. Eu apoio, deve ser melhor que terapia. Sou péssimo cantor mesmo, e daí? Sou o pior ator brasileiro, e daí? Sou o cara cheio de músculos e voz fina, e daí?
Tá na moda.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

A arte de ser bobolhona (com teste de bobolhonice)

É duro confessar. Mas eu confesso. Sou uma bobolhona. Sou a maior bobolhona que já nasceu neste mundo ou pelo menos que eu conheça neste mundo.
Sabe aquela pessoa da novela, que só se ferra durante meses e somente no último capítulo algo acontece de bom para ela; depois de derramar lágrimas e mais lágrimas e quase desidratar? Pois bem... eu sou assim.
Sabe aquele filme "Mensagem para você", com a Meg Ryan, que ela é dona de uma livraria que não sabe revidar um xingamento? Pois bem, eu sou assim.
Sabe aquela pessoa que anda pela rua borboletando, sorrindo, cumprimentando os pássaros, os cachorros e os taxistas, mas quando você bate o olho logo de cara diz "Olha lá uma bobolhona?". Provalmente sou eu passando.
E sabe que atitude eu tomo nestas horas onde a coisa aperta, quando alguém duvida da minha palavra, quando alguém fica de gracinha para ver se me tira do sério? Peço licença e choro.
Por exemplo, quando a psicóloga doida me expulsou do consultório no ataque de médica doida, vocês sabem o que eu fiz? Chorei.
Mas sabem porque eu choro? Choro de raiva por não ser aquela pessoa bacana que sabe se defender. Não sei dizer "Não" em alto em bom som. Choro por ser uma bobolhona de 36 anos.
Saio como um cão sarnento, de rabo baixo, com o queixo tremendo, segurando as lágrimas até virar a esquina e ligar para meu nêgo: "Nêgo, eu sou bobolhona, buá, buá, buá". E ele responde: "Mas você é a maior bobolhona que eu conheço no mundo". Buá, buá, buá.
Mas vocês acham que eu desisto fácil? Não, não desisto, todos os dias volto para ser enxotada de novo, pois acordo pensando "esquece, vai lá, seja menos, menos, bem menos bobolhona. Reaja mulher". Só que é mais forte que eu.
Por isso amigas, se você responder a 1 sim do teste a seguir, pode fazer parte da minha turma das bobolhonas. Estou imprimindo carteirinhas, criando sites, botons, campanhas...
1- Se você está com uma suposta amiga e ela diz que você fez algo que não fez, e você vê que não adianta discutir, você vai embora, desiste e chora?
2- Se você está quieta no seu canto, alguém sorri para você, você sorri de volta e uma terceira pessoa acha que isso é teoria da conspiração e solta um comentário besta para implicar. Você ignora na hora e depois chora?
3- E se você sabe que uma pessoa esta mentindo só para te irritar, só para te tirar do sério contradizendo tudo que você acredita e o que você sabe que é o correto. Você sai e chora?
E se você respondeu nenhum sim, por favor, me ensina a ser a pessoa normal da novela, aquela da trama secundária que não chora tanto assim, ou a ajudante da livraria da Meg Ryan que nem precisa chorar pois o papel era bem pequeno e ninguém incomodava a paz dela.
Amigas bobolhonas ou não, vamos nos unir e me ensinar a dizer um belo "sai bobolhona deste corpo, ele não te pertence", vamos?

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Lá no fundo dói...

Lá no fundo dói ainda a saudade. Dói quando respiro fundo e seguro o ar para ele não me faltar. Te perder, me deixa ainda sem ar. Eu respiro, respiro, mas não tem ar suficiente no mundo que preencha meus pulmões. Inspira, inspira fundo, olha ali a dor aparecendo, de novo.
Nada adianta quando sinto a sua falta, fico dias com um vazio enorme, uma saudade que o tempo não amenizou, parece que o tempo nem passou, que foi ontem que te perdi.
Inspira.
Dói lembrar do seu riso moleque, da sua chatice constante, do seu falar sem fim.
Dói lembrar do seu monoassunto, do seu cheiro e seu cantarolar depois do banho.
Inspira.
Ainda sinto seu perfume seguido do seu "Oba, oba, oba".
Inspira.
Dói o seu vazio. Dói o seu silêncio. Dói as suas lembranças.
Dói lembrar do seu "Não entendo porque mora sozinha se liga o dia inteiro". Queria poder ligar só para ouvir isso e eu diria "Ah! É? Vou parar de ligar então". Inspira. Aí vinha seu riso e seu deboche "Quer falar com sua mamãezinha?"
Dói.
Inspira.
Sinto sua falta todos os dias. Queria aquele lugarzinho dentro de mim cheio ainda, aquele cantinho que você ocupava em mim. Queria ele cheio de você ao invés da saudade, e do ar que não preenche.
Cada dia uma nova lembrança, cada data uma nova importância, cada momento uma nova falta de ar e uma nova dorzinha se instalando.
Cada mar azul, cada lua cheia, cada dia dos pais, cada aniversário, cada conquista, cada derrota, cada bobeira, cada gatinho, cada novidade, cada fofoca, cada riso, cada choro, cada passo me falta você. Ainda. E quer saber? Lá no fundo ainda dói. E muito.
Queria acreditar em Deus, ou em um Deus que me fizesse entender o sentido desta dor. Queria que você viesse "puxar meu pé" como sempre ameaçou. "Ah! se eu morrer venho puxar seu pé". Mentiroso. Nunca veio. Te esperei. Para ver se a respiração voltava ao normal. Mas não volta.
Cada suspiro, cada brilho, cada comida, cada cheiro, cada sabor, cada travessura, cada cochilo, cada olhar, cada instante ainda me falta você.
Este post dói lá no fundo. Inspira. Passou o dia dos pais. Expira.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Amigos Imaginários

Faz um tempinho, li um post da Flavia do blog Bacanérrimo, que fica aqui do ladinho nos meus preferidos, falando de suas amigas imaginárias e até hoje me pego pensando em quantas amigas imaginárias encontrei pelo meu caminho também, esbarro em uma aqui, outra acolá, levo tombos, me levanto e vou em frente, pois no fundo viemos ao mundo para viver e nos relacionarmos.
Mas o pior dos amigos imaginários é que nos doamos de coração, acreditamos, damos sem querer nada em troca, pois amizade para mim é algo que se dá sem cobrar, se faz sem perceber, nos alegra e nos completa sem muitos esforços.
E com esta ideia fixa, meio jururu da vida recebo um recadinho da Kiki relembrando nossos risos diários e constantes sobre o nada, nossa cumplicidade estampada nas nossas caras, nossa amizade de riso e de choro, de altos e baixos, de anos e anos que nem a distância ameniza. Lendo as 2 linhas que ela me escreveu, me pus a chorar. Viver longe das pessoas que amamos é a parte mais difícil desta jornada.
Pois neste mundo novo eu não sou niguém, não tenho passado, não tenho cumplicidade, não tenho com quem confidenciar coisas que muitas vezes nem precisam ser ditas, pois bastava um olhar para ser entendida. Bastava um sorriso torto para entenderem, um abraço apertado para ganhar colo, um suspiro mais fundo para sentar ao meu lado e olhar de verdade para mim a espera do desabafo. De amigos imaginários eu não preciso de mais nenhum, os meus já me bastam. Não quero "oi, tudo bem", quero "oi, tudo bem???".
Então que tal circular por aí, hein? Vamos parar de mandar email? Hein? Hein?
Amiguinhos imaginários, vamos brincar de esconde esconde? Vou contar até 1000. 1, 1,25, 1,35, 1,78, 2, 2,10...

terça-feira, 9 de agosto de 2011

É pic, é pic

Hoje minha mãe faz aniversário, e como eu queria estar por perto. Queria o básico. Dar uma abraço, um beijo, olhar para a carinha dela, rir provavelmente de sua maquiagem torta ou de alguma coisa qualquer, pois se minha mãe tem um dom, é o dom da risada fácil.
Queria estar perto para me sentir completa, acolhida, amada.
Queria estar perto para achar sentido na distância.
Queria aquele cheiro conhecido, o gosto especial, aquele silêncio acolhedor.
Queria aprontar com ela alguma travessura que só nós duas entenderíamos o valor.
Queria uma guloseima escondida, uma escapada gastronômica, um olhar cúmplice debochado.
Por hoje ser dia de festa que eu aqui de longe fico com o coração apertado de saudade, suspirando, sonhando, desejando que o mundo nos dê muitos outros aniversários para comemorarmos juntas e infinitos outros dias para vivermos o de sempre, o básico que nos une, o de sempre que nos faz sermos felizes juntas.
Parabéns mãe por mais este dia, este ano de vida. Com amor.
Sua filha

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Ah, não! Ele vai cantar de novo?

Assistir a TV Globo sem um controle remoto por perto está se tornando muito nocivo aos meus ouvidos.
- Ah, não! Luciano Huck vai cantar a musiquinha do Criança Esperança? Cadê o controle? Cadê?
Minutos depois...
- Ana Maria Braga vai cantar, pega o controle. Pega Nêgo. Corre. Socorro!!!
Minutinhos depois...
- Não, Luan Santana ninguém merece, não vou ouvir isso de novo, cadê a %$#*@ do controle?
Alguém já conseguiu ouvir até o final os números? Achei que no meio do Jornal Nacional a Fatima Bernardes ia levantar e puxar o William para cantar, ninguém merece. Menos, muito menos.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Vai trabalhar vagabunda!!!

Quando eu trabalhava em São Paulo pensava que a vida podia ter muito mais a oferecer, ficava frustada nos dias de sol pois imaginava quanta coisa dava para se fazer ao invés de ficar dentro de um escritório acompanhando o dia terminar pela janela de um prédio com vista para outro prédio, nos dias de chuva me frustava imaginando as pessoas felizes que ficam em casa tomando cafézinho e vendo filminhos de dias de chuva como "Curtindo a vida adoidado" entre uma soneca e outra, e dizia: "Deve existir mais da vida do que isso, tenho certeza".
Aí, me mudei para cá, para a vida no Nordeste, no Nordeste do Nordeste, no veraneio eterno. Aprendi a costurar, abri uma lojinha só minha, fechei abri outra, fechei e agora só fabrico bolsinhas e coloco em uma loja de outra pessoa, assim não preciso ficar de vendedora sorrindo o que engloba eu não precisar mais me relacionar com pessoas, não preciso mais sorrir, vender, falar boa tarde, blá, blá, blá. E penso: "Deve existir mais da vida do que isso, tenho certeza".
E cá estou eu me achando uma vagabunda sem saber que parte da vida estou perdendo, querendo horários, compromissos, encheções de saco, loucura, sanidade, e outras coisas que fazem da vida estressante para poder nos dias de folga pensar: "Puxa, que delícia de dia, ainda bem que não tenho nada para pensar".
Mas outro dia, no meio desta crise, acordei e fui andar à cavalo pela praia, um caminho lindo que passa pelo mangue e pelos coqueirais. Era uma quarta-feira ensolarada. No fim do dia encontrei uma boa amiga e vi o dia terminar tomando um cafézinho ao ar livre, batendo um papinho e pensei: "Puxa, que triste eu não aproveitar assim todos os dias da minha vida".

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Voltamos com a nossa programação normal

Após 2 meses sem computador, estou de volta a este cantinho, cheia de saudades.
Obrigada aos que voltaram depois deste meu abandono, aos que n˜åo deistiram de mim... rs.
Minha cyber vida está de volta.
beijos

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Rico, te amo Tota

Tota sou eu, em um apelido que não pegou nunca, eu mesma me dei, mas nunca ninguém me chamou assim. Rico, te amo Tota esteve pixado em frente da casa da minha mãe, no muro ao lado da padaria, onde hoje é uma banca de jornal, pixado com tinta azul, por anos e anos, anos e anos e mais anos, anos que duraram este "amor".
É bom ser jovem e ociosa, né? Lá pelos meus 13, 14 anos estava na rua com meu cachorro Sunset quando passa um menino lindo, uns 4 ou 5 anos mais velho que eu, loiro, olhos azuis, alto, talvez ele tenha me olhado e por isso desencadeou a obsessãozinha (ok, até então obsessãozinha) e não lembro bem porque, mas estava lá na rua sem fazer nada, mocinho loiro passando e lá fui eu seguindo o tal pela rua até descobrir a casa que ele morava.
Depois disso a vida foi mais fácil, a lista telefônica me deu seu número (fixo, celular nem existia), sobrenome, nome do pai...
Liguei. Alô, quem fala? Se era mulher eu desligava (não existia bina), se era homem com voz de moço eu perguntava, descobri 2 nomes, Pedro e Rico, mas não sei porque me encantei pelo nome Rico, tão Copacabana "His name was rico, He wore a diamond..."
Nesta mesma semana ele foi na farmácia pedir um termômetro e berrou para a mãe "Estou com febre" e eu que vivia na janela feito uma "maluquinha" (por enquanto apenas maluquinha) ouvi e desci correndo para comprar o termômetro usado por ele, pensando bem agora com os trinta e tantos anos que me cabem, que coisa mais nojenta, esteve no suvaco dele aquele vidrinho com mercúrio. Mas era só o começo.
Estipulei que dia 15 de março era o nosso aniversário de algo, não era namoro, pois ele não me amava, não era paixão, pois ele não era apaixonado por mim, não era nada na verdade, pois ele nem me conhecia. Mas todo dia 15 passei a procurá-lo. Primeiro contato me apresentei como uma apaixonada por ele, por telefone, foi bem fácil, até ele querer me conhecer pessoalmente e eu praticamente enfartar.
A partir daí resolvi investir naquele amor e fazer da minha vida ociosa algo muito útil e passei a persegui-lo profissionalmente.
Todos os dias eu saía da escola e ia até a casa dele esperá-lo sair ou chegar. Passei a ser íntima de todos naquela casa, revirava o lixo, colava suas bitucas de cigarro na minha agenda que relendo para escrever esta história senti um cheiro meio ruim.
Mas dia 15 eu me superava, mandava cartas, flores, chocolates, telefonava e dizia em alto e bom som "1 mês que te amo", "1 ano que te amo", "1 ano e 3 meses que te amo", "3 anos e 7 meses que te amo", (estão achando muito?), "4 anos e 5 meses que te amo", "5 anos que te amo", "5 anos e 3 meses que te amo", "6 anos e 11 meses que te amo", (cansaram?), "7 anos que te amo", "7 anos e 9 meses que te amo", "8 anos que te amo".
O ano era 1996, eu já estava formada, namorei uns mocinhos neste meio tempo, ele ficou meio careca, já tinha uns 26 anos e eu uns 21 anos. Ele morou na França, e mesmo assim recebia cartinhas religiosasamente datadas (o coitado me deu o endereço).
Ele noivou e desnoivou, me ligou algumas vezes, agradeceu outras pela minha insistência, mas acho que por dó quando completou 8 anos ele resolveu acabar com aquela história, afinal, com a idade isso podia se agravar, virar algo mais psicótico ainda e me convidou para sair.
Quando minha mãe chegou e disse: "Renata, o Rico no telefone" Eu cortei meu dedo, pois estava no meio de um trabalho de kirigami que fazia na época, chupando o sangue que jorrava e falando ao telefone, sentada no chão, pois as pernas desabaram, só pude dizer "Sim, te espero, ok. beijo" e nesta noite fomos ao cinema, jantamos, conversamos de verdade pela primeira vez. Mas eu precisava pensar e fazer este encontro se prolongar "esqueci" no carro dele minha agenda eletônica (é, a modernidade estava chegando) para no dia seguinte ele me ligar dizendo que encontrou a agenda ou eu ter uma desculpa para ligar.
PAUSA: Jogada de mestre, hein meninas? FIM DA PAUSA
Ele ligou, não para falar da agenda, aliás ele nem viu, mandou lavar o carro e nunca mais foi vista, mas isso nem interessava, tinha que fingir que perdi a agenda em outro lugar então... o que importava é que ele ligou para me ver de novo e de novo, e de novo, e de novo, visitei a casa dele, conheci a mãe, veio em casa, isso tudo em 11 dias, estava achando tudo muito rápido, muito apressado ele, poxa, 8 anos depois e "BUM" me pede em namoro? Pedir em namoro já é sinal de algo errado existia com ele. E depois de 8 anos e 11 dias de amor esta história acabou com um singelo: Rico, precisamos ir mais devagar e não sei se é isso realmente que eu quero, te ligo, tá?

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Enquanto isso na civilização...

Passar uns dias em São Paulo é perigoso para uma carioca radicada no Nordeste, pois lembro o quanto a vida é diferente e organizada longe da minha baguncinha chamada lar.
Aqui não tem a fauna completa me irritando, sem mariposas a noite, sem pererecas ou siris pela casa.
Vejo que fui criada aqui, no meio de onde tudo acontece e me afasto disso na minha clausura que adoro, porém ficar tanto tempo sem me civilizar é perigoso, pois me vejo delirando ao ver uma muzzarela de búfala ou uma loja do Amor aos Pedaços.
Acho que andando no shopping as pessoas vão perceber que eu não calçava um sapato desde o ano passado e que minhas roupas de inverno são as mesmas que deixo aqui na casa da minha mãe muito pouco usadas desde que me aventurei na minha odisséia Nordestina. Me olho no espelho e não me reconheço tão composta. É estranho.
Vejo muito carro, muita gente, uma cidade limpa com calçadas, sem sujeira, sem poluição visual, lixos reciclados, gente educada, sorrisos, bons dias dados espontaneamente, boa noite delicada, gentil. Percebo que o que mais me faz falta é esta civilidade.
Adoro estar aqui por uns dias respirando outros ares e sempre me prometo não demorar tanto para fazer isso, voltar mais vezes, não me afastar tanto das minhas raízes, pois eu gosto disto tudo, adoro uma buzina, um barulho, um caos.

Não esqueçam do After Dark do Passei dos Trinta no Seo Gomes no dia 31/5...

terça-feira, 10 de maio de 2011

Ele é assim...


Há quem diga que conseguimos explicar porque amamos uma pessoa, mas não acho que conseguimos definir o objeto amado tão bem assim, mas vou tentar.
Ele é assim, um menino grande que tem um coração maior que ele. Com seu 1,90m se encolhe todo para abraçar um gatinho da rua e me olha com aquela cara de "Você decide, mas podemos levar para casa? Diz que sim..." e eu, dura como sou, digo não, pois se dependesse dele, todos os bichinhos da rua teriam um lar, o nosso lar, certa vez adotou um potrinho que achou perdido, já imaginei aquele cavalo crescendo em nosso quintal... Mas por sorte achou um sítio para ele.
Quando vamos para a Praia dos Carneiros ele paga a hora do cavalo que puxa carroça para ele sair do sol e descansar.
Quando viu um carro atolado certa vez, encheu tanto o saco do cara para deixá-lo desatolar, que depois de uma havaiana arrebentada, uma bermuda rasgada ele saiu todo feliz de seu feito.
Um dia de folga, ouviu uma triste história de um cachorro sofrendo sem tratamento, convenceu a dona do cachorro a deixá-lo levar o pobre cão para ser tratado e lá foi ele para Recife ajudar o bichinho de outra pessoa que nem estava assim tão preocupada com ele.
Ele é assim... se um amigo está sem emprego e jururu da vida ele dá emprego, casa, comida, roupa lavada até o amigo se reerguer e não pense que depois de alguma maneira cobra por isso, joga na cara, se torna mesquinho, exige pelo menos telefonemas... não, ele não é assim, faz por se sentir feliz e isso lhe basta.
E ele é assim a pessoa mais altruísta que conheço. Pessoa de riso fácil, abraço sincero, amigos constantes, carinho terno, bom humor habitual. Agradeço por tê-lo em minha vida, pois aprendo muito com ele, aprendo o real valor das coisas materiais, o real valor de uma vida, o valor de ter acima de tudo um amigo de toda hora.
É, fizemos 11 anos juntos e este post é porque ele é assim... o meu amor.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Era uma vez...



Ah! Será que toda mulher sonha em ser princesa? Se sonha, o momento para sonhar é agora. Imagina você, plebéia porém de família rica, uma emergente dos dias de hoje e de repente se apaixona e se casa com o futuro Rei da Inglaterra.
Imagina agora que sua vida vai mudar radicalmente em nome deste amor. Seus passos serão "para sempre" vigiados, não vai mais sair com as amigas para falar mal do marido, nem beber além da conta, fofoquinha então? Nem pensar. Não vai mais ao shopping olhar vitrine nem pegar um cineminha de bobeira. Não vai mais poder errar no corte de cabelo, nem na cor, aliás não vai mais escolher seu novo corte de cabelo sem uma legião de assessores. Não vai mais falar mal da família do marido, nem passar os Natais com a sua família. Não vai mais repetir roupa, que disperdício usar um vestido lindo uma vez só na vida, o vestido te caiu tão bem...
Não vai mais pegar seu carro e dar uma voltinha para espairecer, nem vai abraçar e beijar seu marido em público, muito menos andar ao seu lado, dois passos atrás é o recomendável. Não vai mais chorar na frente dos outros. Não vai mais mascar aquele chicletinho e de repente fazer uma bola. Não viajará de férias sem que tenha um paparazzi examinando sua forma física. Engordar só será permitido para gerar um herdeiro, de preferência homem, cuja educação você pouco fará parte.
Sua vida será regida por este amor, tudo girará em torno das suas vontades que melhor se encaixam na vontade de seu povo. E você?
Viverá no luxo, dormirá em lençois engomados, não vai precisar nem pegar um copo d'água. Lembrar o dia de pagar uma conta? Nunca mais este mundo irá te pertencer. Seu nome entrará para os livros de história e a partir de agora você se tornará uma instituição e não mais uma pessoa com o direito de ir e vir, berrar e chorar, rir e gargalhar.
Sempre quis ser uma princesa como toda menina e hoje agradeço aos livros de conto de fadas que terminam suas histórias no dia do casamento com um singelo "felizes para sempre". Isso nos conforta, ameniza os percalços que a princesa irá passar daqui por diante, pois ser feliz para sempre com tantos nãos, etiquetas, cerimoniais, rituais e restrições não deve ser fácil, tenho certeza que eu tropeçaria já na igreja seja na barra do vestido ou no véu de 20 metros ou ainda dando um beijo e um abraço com o rímel escorrendo na Rainha.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Tabata, a jabuti

São Franscisco achou que no universo de cães e gatos a vida ia muito bem obrigada, eu já tinha minha cota de pecados para pagar e para cuidar. Já tinha meus filhos para alimentar e amar, mas existem milhares de universos do mundo animal, né São Francisco?
- É - eu respondo batendo pézinho.
Quando ouvi:
- Ela está morando dentro de um balde.
- Ela vai ser doada e se eu não conseguir vou colocá-la na rua.
- Ela vai acabar atrofiando as patinhas por viver dentro de um balde.
Preciso dizer que meu "frio" coração se derreteu e que agora tenho uma jabuti para chamar de minha.
Apresento para vocês.... tchan, tchan, tchan...

Tabata, a jabuti. Ela é muito gostosa, passa a manhã toda caminhando, caminhando, mesmo assim não emagrece. Só come frutas e verduras e mesmo assim é bem pesadinha. Coloco ela na banheirinha para se molhar pois é muito calor e ela quase nada, mas é muito pesada, afunda. Sou solidária a ela. Deve ser difícil viver no mundo de cães lindos, gatos maravilhosos e ser assim, cascuda, meio antipática, meio anti social, ela sofre de bullying em casa, tento inibir esta atividade, mas tadinha, ela é um ser novo e estranho que não tenho e nem sei como interagir, mas que estou aprendendo amar.
O único problema é que ela vai viver mais uns 80 ou 100 anos e agora vou ter que fazer um testamento ou ter um filho de verdade para herdá-la, mas fazer o quê? A vida é assim mesmo, aquele santinho que sempre apronta comigo me deu mais esta missão. Peraí que vou apertar um pouqinho daqui, esmagar dali e fazer com que a minha gordinha cascuda caiba no meu coração.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Show do Milhão

A nossa geração inventou ou ouviu alguém falar e resolveu seguir a seguinte teoria: "Para ser uma pessoa bem sucedida tem que ter 1 milhão até os 30 anos".
Opa, peraí, mesmo se eu não gastasse nenhum centavo dos meus salários desde os 17 anos, que foi quando eu comecei a trabalhar, mesmo assim eu não teria 1 milhão, aliás não teria nem metade disso, ou melhor nem um terço. E mesmo que eu ainda estivesse usando as calças cintura alta, ou clochá, que usava aos 17 anos sem gastar 1 centavo em nenhuma lojinha sequer, mesmo que eu não comprasse ração importada para meus filhos, mesmo que eu morasse ainda com os meus pais sem pagar uma conta e não saisse de casa nem para tomar 1 caipirinha, mesmo assim eu não teria 1 milhão e sem contar que seria um ET cafona sem amigos e provavelmente sem emprego, pois onde já se viu uma designer chegar em uma entrevista usando a tal calça clochá?
Bem aí também eu não poderia cortar cabelo, fazer depilação, pois para chegar aos 30 anos com 1 milhão eu teria que ser uma mulher macaca e cabeluda. Ainda por cima tenho cabelo branco desde sempre, seria a própria Maria Bethânia, sendo que ela ganhou 1 milhão só para fazer um blog e eu faço ele de graça, é praticamente um trabalho voluntário.
E mesmo que eu abdicasse do carro pois como iria gastar comprando um e colocar gasolina então? Nem pensar. E se eu nunca fosse a um cineminha sequer, nem um teatrinho, nem a um show para não gastar e guardar tudo para conseguir o famoso 1 milhão, mesmo assim eu não teria este 1 milhão aos 30, nem aos 36, se continuar assim, nem aos 40 e eu teria me transformado na mulher macaca, sem amigos, burra, solteira, virgem e ainda teria que andar com a tal da calça clochá. E ai de mim que engordasse estes 10 kg que devo ter engordado desde os 17 anos, teria que fazer uma imenda na calça clochá para eu poder caber, pois todo o meu rico dinheirinho seria encaminhado para o sonho do 1 milhão.
Sem contar que se eu não tivesse amigos, não saisse de casa e não tivesse namorado minha única diversão seria comer e chorar em filme triste que passa na Globo, pois nem TV a cabo eu poderia ter.
E mesmo assim fazendo as contas eu teria aproximadamente 300 mil que iria ser muito pouco útil para mim já que o sonho do 1 milhão se completaria somente perto dos meus 90 anos.
Em resumo: parabéns para meus amigos que me contam que alcançaram o tal sonho pois eu, não cheguei nem nos milzinho na conta, mas este nunca foi meu sonho, nunca foi a minha meta e acho que não sou menos feliz por isso, pois eu gastei alguns salários em caipirinhas com os amigos, dezenas em salão de beleza, centenas em roupas e milhares em diversão.

terça-feira, 5 de abril de 2011

No meu tempo

A gente podia comer um ovo sem culpa, depois veio um papo que ovo só uma vez por semana e olhe lá! Agora descobriram que ele é bonzinho, não é aquele vilão do colesterol, colesterol? O que era isso? Nem existia.
Fumávamos cigarrinho de chocolate sem nossos pais irem para cadeia por estar nos induzindo ao vício.
A Floresta Amazônica era chamada de pulmão do mundo, hoje dizem que ela acelera o efeito estufa.
Comprava "solarcaine" antes mesmo de ir à praia, pois sabíamos que depois do sol, íamos ficar ardendo passadas às 8 horas na praia e ninguém olhava para meus pais e diziam que ele estava causando um câncer de pele em suas filhas.
Passava o camelô vendendo Raito del sol, uia que delícia, era sinal que naquele dia ia ficar nêga e usar muito mais solarcaine que o normal.
No meu tempo podia-se comer tudo, muito queijo, muito café, muita empadinha de queijo.
Os carros, eram coloridos, azuis calcinha, verde abacate, amarelo ovo... hoje a vida virou monocromática demais.
O certo e o errado eram menos pesados.O politicamente correto era menos valorizado, pois o acesso a tudo era mais restrito.
Não víamos garotas de programa ganhando reality show, aliás o mais reality que tínhamos na TV era o Chacrinha jogando seu abacaxi ou seu bacalhau no meio de uma platéia. Imagina hoje em dia, neste mundo careta que vivemos o Faustão jogando um bacalhau fedido nas pessoas? Ah! O mundo está muito certinho.
Que lugar é este que transformamos? Para onde aquelas pessoas caminharam?
Hoje levam seus filhos para o show do "restart" pois são os únicos garotos que usam roupas coloridas e por isso são modernos, deixam suas filhas verem Bruna Surfistinha pois ela sofria "bullying" na escola e ao invés de enfrentar a vida virou puta e mostra isso com glamour em um filme tão pobre de cultura que na lição final diz em outras palavras "Sou puta e sou feliz, vale a pena, arranjei um amor, ganho dinheiro e isso basta e é isso que importa".
No meu tempo a educação prevalecia, o dinheiro era consequência.
Era certo ser boêmio, era erradíssimo ser careta demais. No meu tempo a vida era mais leve, menos cheia de padrões, menos sofrível e menos cheia de pré requisitos inflacionados. Mas sabe? Acho que éramos mais felizes com estes padrões hoje ditos deturpados. Aprendeu-se muito e evoluimos muito nos últimos anos, impondo regras, mas acho que esquecemos o mais simples, esquecemos da única missão que nos foi imposta: a de sermos apenas humanos.

terça-feira, 29 de março de 2011

Bendita



Bendita sou por ter te conhecido.
Bendita sou por ter te amado.
Bendita fui nos dias em que estivemos juntos, e foram muitos.
Bendita foi a vida que me deu você.
Bendita seria se este encontro tivesse durado mais uns anos, poucos já iam bastar.
Bendita sou por viver com as minhas lembranças.
Bendita seria se eu ainda pudesse te ligar para contar as coisas da vida, as bobagens diárias, as histórias dos cachorros...
Bendita seria se eu escutasse você falar comigo, só mais uma vezinha.
Bendita é a vida que deixa saudades.
Bendita sou e sempre serei por ter tido um pai. Bendito.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Fragmentos de um Carnaval

Fuçando pela internet achei um site com muitas histórias de carnaval, de beijos que acabaram cedo demais, encontros rápidos que podiam ter demorado mais uns dias, paixões que durou segundos, da Colombina que esbarrou com seu Pierro no Cordão do Bola Preta e a multidão os separou, a Smurfete que se encantou pelo Papai Smurf, o Flamenguista que arrasou com a Vascaína, e infinitas outras histórias de amores de carnaval, amores descartáveis, mas que de alguma marcaram.
Vejam o site, se chama "Oncinha cadê você?"
Me fez lembrar dos carnavais de Iguaba na casa de uma amiga, íamos todos os anos para o mesmo clube em Araruama, encontrávamos as mesmas pessoas, nos apaixonávamos e nos reapaixonavamos todos os carnavais.
Lembro de um mocinho vestido de índio, logo eu que não sou fã de índio, fiquei apaixonada por ele, era última noite de carnaval, a bateria saiu do clube e fomos atrás dela, o dia estava nascendo, nos perdemos ali, entre berros:
- Qual seu nome?
- RENATA E O SEU?
- Ivan, decora meu telefone, vai?
- HAN?
- Decora meu telefone? xxxxxxx.
- xxxxxxx.
- Isso.
- Decorado.
- Jura que me liga do Rio? Jura? Jura para mim?
- Juro.
Não precisa dizer que não decorei e que nunca mais vi o índio Ivan.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Só no miudinho

Com o carnaval chegando eu me lembro de um grande trauma de infância. Infância de uma carioca que gosta de carnaval. Não sou daquelas que decora os sambas, programa viagens, tours, que fica horas vendo todos os anos as Escolas de Samba, mas gosto de carnaval, e me ver sambar é simplesmente triste, patético e ofensivo ao samba. Se algum sambista me ver tentando me ritmar vai me mandar parar e voltar para casa, constrangido.
Harmonia, zero, nota zero.
Evolução, zero, nota zero.
Ritmo, zero, nota zero.
Bom senso, zero, nota zero.
Até que com o meu pé direito eu sei fazer direitinho, coloco na frente viro para a direita e cai atrás certinho, mas quando o esquerdo vai acompanhar eu fico parecendo uma pata manca rodopiando no próprio eixo eternamente. Meu pé esquerdo não sabe fazer o rodopio para a esquerda e dar a caidinha para trás, sabem? Mas quem disse que isso me inibe? Não isto não me inibe, é claro, e eu tento compensar no rebolado o que significa tragédia garantida.
Mas o negócio tende a piorar quando a cabecinha dá a viradinha de sambista, aí meus amigos, é puramente caso de internação. Mas eu não ligo, pois é carnaval.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Eu queria ser a Tati Bernardi (faz tempo)

Não, não vou segui-la na rua.
Não, não vou plagiá-la, nem mudar meu corte de cabelo.
Não, não vou virar "Mulher solteira procura".
Não, não vou mudar de personalidade só para escrever como ela.
Não, não vou descobrir coisinhas da vida dela investigando o Facebook, Twitter, Orkut, Google.
Não, não vou virar psicopata para ser amiga dela.
- Quem é Tati Bernardi? Os desavisados me perguntam, eu respondo, é a dona dos melhores textos que li. Sabe aqueles textos que você lê e só consegue pensar na insignificância do seu vocabulário, da sua vida, do seu pseudo dom? "Porque eu não escrevi isso?" É o que sempre digo lendo ela. Que raiva que tenho. (vaca)
Queria viver os desamores dela e depois escrever textos tão intensos que me fazem ficar com raiva do moço que a rejeitou. Em outro texto, queria ser o chefe dela que estava no restaurante enquanto ela dava um dos melhores foras da sua vida.
Ela é neurótica, moderna, e se eu continuar escrevendo vão me achar meio doidinha. Leiam e me digam depois? Me digam que eu jamais serei a Tati Bernardi, por favor? Preciso me libertar.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Cordeleando no mundo moderno


Uma baronesa nunca confessa
Seus sentimentos mais profundos
Apaixonou-se por um rei e a casta não permitia
A casta não aceitava
Baronesa sai desta vida, sai de mim, vai viver
Baronesa ouviu, pois baronesa ouve e obedece
Baronesa foi viver
Foi esquecer que seu rei nunca seria barão
Talvez Conde
Título nobre demais para quem não merece
Rei disse: Vivo bem sozinho, não preciso de rainha
Baronesa disse: Serei feliz sem barão, sem rei, sei reinado
serei feliz sem vosmice para me perturbar
E assim saiu farrapando com a vida
Pegou a estrada até um vilarejo distante
4 dias de caminhada
As solas se gastaram
As forças esgotaram
Chegando lá, dormiu outros 4 dias e noites
E ainda assim, a vida farrapou com ela
Virou tabacuda
Virou abestalhada
Mas foi achar seu reinado
E na cidade da terra vermelha ela achou um moço e perguntou:
Vosmice quer ser meu barão?
Ouviu um não
Perguntou de novo para outro moço
Não
E de novo
Não
Até que ouviu um sim. Finalmente. Um sim
Baronesa casou e foi feliz com seu barão. Não no para sempre dos contos de fada, isso aqui é um cordel
Até que...
...na terra distante, um dia o tal rei percebeu que baronesa era mais importante que ele imaginava e que de nada adiantava ter um reino sem rainha, ter uma terra marrom, sem saber ara-lá e um palácio sem vida
Foi atrás da baronesa
Andou 4 dias e 4 noites até que achou seu novo vilarejo
Baronesa, quero te fazer minha rainha
Sua casta agora é a mesma minha
Baronesa olhou bem, pensou e disse:
Na sua casa tem Tv a cabo?

* Nota da autora: Era para fazer sentido este Cordel?

Fiat Lux


Finalmente acenderam as luzes da ciclovia daqui. Pois algo me intrigava. Tudo estava pronto faziam meses e nada da luz chegar. No dia que estava programado, faltou luz na cidade toda e nada da ciclovia se "alumiá". Não que eu pretenda andar de bicicleta, mas é a única novidade da cidade, preciso deixar vocês por dentro das novidades, oras.
Aí, um certo dia, fiat lux, acenderam as luzes e não é que elas estavam funcionando com o horário do Japão? Às 6 da manhã acendiam e às 6 da tarde apagavam e ficou assim por semanas. E eis que hoje, tcharam.... acertaram o fuso horário. Acho que devia ter uma plaquinha escrito "Made in Japan" e acharam que só funcionaria na hora deles, né? Vai saber...

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Menino do Rio

Meu pai adorava uma praia, ficava lá por horas, tomando sol, passando Banana Boat e comendo, ah! Como comia, comia de tudo, amendoim, pastel, empada, esfiha, picole, biscoito Globo...
Sentava em sua cadeirinha de praia e lá ficava. Vendo as mocinhas passar, vendo o movimento, conversando com todas as pessoas.
Certo dia o mar de Copacabana estava muito bravo, eu e a Kiki que não somos bobas, estávamos só na beira dele, molhando o pé e vendo os mocinhos passarem, quando meu pai chega:
- Meninas, entrem na água.
- Está muito bravo pai, eu não vou entrar.
- Eu também não, tio, olha como as ondas estão - disse Kiki.
- Que bobas, está ótimo o mar hoje - falou e saiu para se molhar.
Ele com seu jeitinho de menino do Rio entrou no mar e dois segundos depois levou o maior caldo, rolando nas ondas e pelas areias de Copacabana.
Eu e Kiki que vimos o espetáculo de camarote e nem conseguimos ajudá-lo de tanto que ríamos.
Hoje vi um homem no mar, na parte brava do mar de Porto, ele lembrava muito meu pai, gordinho e grisalho, entrou de lado como meu pai entrava para ter mais apoio. Ele não levou um caldo, mas a cena me pareceu tão familiar. Com excessão que eu estava sozinha na praia, sem aquela risada gostosa, sem aquele dia de verão em família, sem sentir aquele amor que estava sempre por perto, sem sentir que tudo ia ficar bem. Mas vai.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O povo gosta é de sacanagem

Agora o blogspot tem estatísticas, lá na página que abre quando você se cadastra, sabem? Então, estava lendo quais dos meus posts são mais lidos e sabe qual foi a minha surpresa?
Liderando o ranking com 383 visualizações um post lá de 2006 chamado "Noite dos Leopardos"
Em segundo lugar, mas não menos importante o post "Meu vizinho é gogo boy". E em terceiro lugar "A moça bonita entrevista Doctor Ray". Ah! Não deixa de ser sacanagem quem busca Doctor Ray no google.
Já escrevi aqui sobre coisas tão sérias e importantes, como Álbum das Princesas, Guarda-chuva de Joaninha, Histórias de amor, Ciganos surdo-mudos mas alguém quer saber disso? Não...
A partir de agora vou colocar meus títulos dos textos bem cheios de sacanagem para ver se bombo no google. Que tal este post se chamar Putaria pouca é bobagem ou A noite das virgens lésbicas ou Ricky Martin pelado e dançando para dona de bolg? Esta última opção eu me empolguei e até eu vou procurar no google. Será que tem foto?

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Me chama de lagartixa*


Quando te vejo atravesso a rua, me encosto nas sombras, fico andando pelas paredes.
Quando te vejo mudo meu rumo, meu jeito, meu destino.
Quando te vejo acho que não é hora ainda para te encarar, por isso fujo.
Quando te vejo ando toda em zigzag tentando disfarçar, não derreter, não arder.
Quando ando na rua desinteressadamente e você aparece, perco os sentidos, saio correndo e me escondo, vou atrás de um escuro, um frescor.
Quando te vejo acho que você está exagerando nesta perseguição, quero ficar bonita, linda, com o frescor de quem nunca te viu.
Quero chegar inteira no meu destino, sem você me atrapalhar, me colocar barreiras nem consequências ou osbtáculos.
Vendo você penso que eu queria estar de biquini, em uma praia, no mar o tempo todo ao seu lado. Não gosto de te encontrar no meu caminho sempre que saio de casa.
Vai, me chama de lagartixa, me joga na parede, me faz atravessar a rua, mudar meu caminho...
Mas eu sei que das 6 da tarde em diante, não vou te encontrar então volto a vida andando normalmente como se eu nunca tivesse te cruzado.

* Um post para o sol, que me faz andar na rua fugindo dele como uma lagartixa, subindo pelas paredes, buscando as sombras.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Ah! O verão.

Eu adoro o verão. Acho que nesta época as pessoas são mais felizes. As praias ficam lotadas, as pessoas tem cheiro de hidratante. Todo mundo fica mais bonitinho bronzeado.
Neste verão eu trabalhei muito. Minha irmã veio me ajudar, ficou um mês inteiro. A Fricotes bombou. Tiveram dias que ela ficou na loja e eu corri para casa para costurar mais. A loja ficou vazia, vendeu tudo. E eu costurava muito e no dia seguinte, vendia tudo de novo. Foi bom ver minhas criações sendo compradas, elogiadas e usadas. No aeroporto vi uma moça usando uma bolsa minha. Por Porto vejo algumas zanzando. Me deixa feliz. Me faz ter quase certeza do que estou fazendo.
Mas também, fui à praia todos os dias, sou filha de Deus, trabalho é bom, mas praia no verão é melhor ainda. Estou neguinha, só se vê os dentes.
Acabando janeiro, recebi duas propostas, para colocar minhas bolsas em duas lojas daqui, lojas maiores e mais bem estruturadas que a minha. Topei uma delas. E eis que agora a Fricotes é uma loja maior, mais legal, pagando menos de aluguel e dividindo a dura rotina de vender.
O que me resta dizer que agora vou trabalhar um dia e folgar dois. Talvez no meu sonho mais perfeito de vida isso pareceria surreal, mas como disse no meu post de Ano Novo, que venha um ano surreal. E olha ele aí chegando.
Com isso a minha primeira promessa de ano novo é que não tenho mais desculpas para abandonar este blog por tanto tempo, você perdoam? Perdoam esta pobre costureira que quebrou 8 agulhas neste mês?

sábado, 1 de janeiro de 2011

Na humildade

Este ano não desejei Feliz Natal para ninguém, nem Feliz Ano Novo. Não usei minha camiseta escrito "Eu acredito em Papai Noel". Não me senti no Natal, nem mudando de ano. Mas foi um ano bom. Muito bom.
Na galeria que eu tenho loja teve Papai Noel toda noite, ele descia as escadas, ao som de uma música da Disney (???), sentava em sua cadeira e ficava distribuindo doces e berrava. "Se Papai Noel não der seu presente, chora neném" Hohoho. Medo. Muito medo.
Rolaram muitos freelas gostosos de fazer com um amigo mega querido. Fiz marcas para lojas daqui de Porto. Abri uma loja que me orgulho muito, ela é linda. Foi um ano cheio de emoções. Tive perdas. Tive ganhos. Mas o saldo foi positivo. Hohoho.
Escrevi menos que gosto. Corri mais que devia. Trabalhei mais que pensava. Mas foi bom. Emagreci. Engordei. Emagreci. Fiz aula de surf. Criei gatos. Mudei de casa. Fiz amigos. Muitos. Bons. Conheci gente. Muitas. Boas. Tirei meu piercing.
E para fechar um ano meio surreal, vou usar Otto como exemplo. Aliás segundo post do blog dedicado a ele. Peraí que já chego lá.
Fomos em uma festa de Serrambi. Praia perto daqui de Porto. Muitas promessas. Festa com cascata de camarão. Não vi nenhum. Nem daqueles que só tem cheiro de camarão. Bebida a rodo. O Champagne acabou meia noite e dois. DJ maravilhoso. Tocando Celebrare. Ou cover de covers. Ou muito funk onde nem os próprios fanqueiros cantavam suas músicas e muito surreal foi ouvir "Whisky a go go" de algum cover do Roupa Nova. E mais surreal é ainda tocar o hino de Pernambuco no meio da festa, e todos cantarem "Pernambuco, imortal, imortal". Mas adoro o mundo surreal. Australian Pink Floyd, The Doors sem Jim Morrison... No banheiro tinha um quadro de um mamão, que prefiro não comentar o que ele parecia e nem entender o que um mamão estava fazendo no banheiro e não na cozinha.
Saimos da festa das falsas promessas. E fomos sentar na areia da praia perto da pousada, estava rolando uma festa de ricos e famosos. Ficamos na areia, apareceram amigos. Passou Seu Jorge procurando a chave da casa dele com uma outra celebridade que não vou falar quem era para depois não dar fofoca. Vou vender para Sônia Abraão. Ela ainda existe? Continuamos sentados. Chega Eric, aquele meu filho, 2º marido que morou conosco por 5 meses, longos meses. Demos risada. Apareceu Otto. É Otto, aquele cantor pernambucano bem doidinho que eu adoro ouvir suas músicas. E enfim, sou surreal também, oras. Eric diz: Otto, na humildade tira uma foto comigo? Na humildade ele tira a foto. Desencanamos da noite surreal na humildade, era hora de dormir.
Porto estava deserta, vazia. Mas as notícias de cidade pequena correm e soube de alguém que ficou de frente para o mar chorando, na humildade, sozinho. Otto canta para mim e não chora o mundo é surreal para quem quer muita realidade.
Que venha 2011. Meu cabelo acordou bom.
Bom ano a todos vocês, cheio de momentos reais e também sem realidade alguma, sem noção aparente, sem nexo nenhum, pois a vida merece ter certa dose de "nonsense" para nos equilibrar e nos mostrar que jamais saberemos o que é o certo da vida a não ser que Otto resolva aparecer para nos esclarecer a razão da vida, do choro. Na humildade.

"Vai teu corpo, leva de mim
Teu passado todo
Consolo
E ficar por aqui
Vai ter a quaresma na terra
E a guerra não deve existir
Só rima com escravos, não cravos
De bonitas rosas
Já que indaguei a mente e não a alma
Que bonita flor
Primeiro a imaginação
Depois eu poderia pôr
Você faz bem isso
Que te amo
Já que indaguei a mente
E não a alma
Elegi o amor" - Otto

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Mais pra lá do que pra cá


Quando criança imaginava uma mulher de 30 como uma mulher madura, sabe? De comercial? Madura daquelas que tem uma casa arrumada, apenas um cachorro, filhos, emprego fixo, marido, cidade grande.
E cá estou com 36 mais pra lá do que pra cá, mais para "enta" que para "inta", às vezes achando que está passando tudo muito rápido e eu fazendo o quê? Vivendo como nos vinte? Arriscando muito. Mudando muito. Vivendo como a vida leva. Sem emprego fixo, arriscando ter uma loja que sei que não se sustenta no inverno de uma cidade de veraneio. Cheia de bichos. Rodeada de amor, porém sem tudo aquilo que me diziam que era o certo a se fazer. Quem disse que quero ser mãe? Quem disse que tenho que ser? Quem disse que a vida tem que ter o rumo certo e não o incerto? É incerto estar chegando lá na marca dos "enta" sem nenhuma segurança padrão? Ou é errado em plena terça feira "gastar" minha manhã na praia? Meu bronzeado está lindo. Minha havaiana nova é da Puca. É errado isso?
Mas estava lá, na praia, feliz, sozinha, ouvindo radio pelo celular, músicas de sempre, única rádio, toca Belo, juro. Mas ouvi algo que me fez sentir os anos se aproximando com mais leveza. O que ouvi? Uma música do Titãs. Epitáfio. Aquela que diz: devia ter arriscado mais, ter vivido mais, ter visto o sol nascer, devia ter complicado menos.... etc.
E querem saber? Depois da praia fui para a piscina, é, juro, nadei, boiei, dei risada sozinha, cheguei em casa e coloquei Mart'nália no último e dancei. É sambei comigo mesmo, sambei meus passos sem ritmo, sem harmonia, dignos de quem nunca soube sambar, mas queria saber. Queria saber sambar o ritmo mais bem ritmado do mundo, pois se a vida está sem ritmo certo parecendo um jazz, porque não misturá-la com um sambinha? Sei lá. Só sei que faço sim 36. Coloquei um shortinho branco. Que ousadia. Sai na rua com ele. Fui com meus cachorros na praia, eles nadaram, eu ri, muito, quase chorei, eu estava feliz, pois a vida não tem rumo, nem quero que ela tenha. Se estou errada não sei, mas gosto de saber que daqui há 4 anos estarei em algum lugar incerto comemorando meus 40. Mas não me venham dizer que meu ritmo está errado. Não quero saber. Qual seria o ritmo certo. Se é um sambinha de raiz ou se é um jazz desengonçado. Quero só continuar respirando sem estar aprisionada entre 4 paredes e saber que cada dia eu faço das minhas 24 horas o que eu quiser portanto que esteja feliz. Em breve o blog: passeimesmodostrinta... rs

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Notícias do interior


Enquanto no Rio o Bope sobe morro, muitos traficantes presos, fugidos, caçados, escorraçados e as drogas? Toneladas apreendidas, muitas mesmo, 50? 60?
Aqui em Porto a vida segue agitada também. Outro dia foram apreendidas 50!!! Isso mesmo, 50 quilos de maconha e para ter certeza de toda esta quantidade exata apreendida, foi preciso ir até a peixaria para pesar. Isso mesmo na peixaria. O Rio que se cuide... Bope, vem nos salvar. Onde vamos pesar os peixes agora?

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Marmelada de banana, goiabada de marmelo


É engraçado ver o que um caju causa nas pessoas daqui. É comum nesta época do ano ver alguma senhorinha sacudindo uma árvore para cair um cajuzinho, tadinho, lá de cima que está maduro mas não quer ser comido ainda. Parece que a cidade se transforma em um grande Sítio do Pica-pau Amarelo no epsódio "O caju está maduro".
Tem o grupo que vai a caça dos cajus armados de redes de proteção e varetinhas com garrafas pet na ponta para tentar pegar as frutinhas sem danificá-las.
Outro grupo que se vê são os amigos do Pedrinho, ainda no clima do Sítio, que sobem na árvore ficam comendo e jogando a castanha na cabeça dos passantes.
Eu na verdade não gosto de caju mas adoro o cheirinho que ele deixa na cidade.
Só uma dúvida paira no ar: onde está a Dona Benta para cozinhar para mim?

PS. Foto do site www.sxc.hu
PS2. Seguindo dica de um leitor, passarei a ilustrar mais meus textos...

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Cocos na varanda

O verão chegou, a casa nova está quase com cara de casa, a vida com cara de vida. No caminho para o trabalho, às vezes vou pela praia, só para ser esnobe e pensar que ir para a loja com o pé sujo de areia é apenas uma excentricidade.
Ser excêntrica é um luxo que me dou, sempre que posso. No caminho vou pensando na vida, olho aquele mar lindo, azul, meio verde, calmo, o vento é bom, a vida tem sido boa comigo. Agradeço.
Agradeço morar neste lugar lindo, agradeço não ter mais carro e fazer tudo a pé e assim como sem culpa tudo que quero. Agradeço ter conhecido o universo felino. Agradeço ter aprendido a costurar e sempre chego na loja com a certeza das minhas escolhas.
Mas se algum dia bater uma dúvida, um tiquinho de dúvida, eu abro a porta de casa pela manhã, e vejo lá, bem na varanda da frente de casa, cocos colhidos dos coqueiros do condomínio, um chumacinho, ali, deixado pelo zelador de presente, na varanda de cada morador, para um café da manhã especial, um refresco pós praia ou só para completar o dia que será perfeito, pois o verão chegou, a casa está quase com cara de casa e a vida? A vida vai bem, bem demais.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

O mundo das vendas na Fricotes...

Cliente é um bicho muito doido, viu? Analisando eles percebi vários tipos de consumidoras.
Algumas entram na loja para te encher de alegrias e outros para te encher de raiva. Teve uma senhora que eu adorei vender para ela, uma fluminense de camiseta, carteirinha e tudo que adorou uma bolsa de estampa bem adolescente, a filha dela dizia: Ah, mãe esta bolsa é muito infantil, olha a de bolinha marrom. E ela para não contrariar resolve comprar a que a filha sugeriu, mas enquanto eu embrulhava e a filha saía da loja eu olhei para a cara dela e não era uma cara feliz e eu disse: "Posso me meter? Olha gosto de vender para quem está feliz, leva a bolsa que você gostou, e daí que a estampa é infantil, você gostou." Ela abriu um sorriso e ficou toda feliz e me agradeceu e já saiu da loja usando a bolsa. Resultado: todo dia passava lá na loja só para me falar boa noite e bater papo contando histórias do Fluminense.
Teve a cliente que vamos chamar de "não gosto de nada". O que leva uma pessoa entrar na loja e ficar falando: "Hum, não gostei de nada, nada me agrada", 2 minutos depois, "Hum, talvez esta aqui, não, muito feia". Mais 2 minutos "Ainda não gostei de nada". A minha vontade é dizer "Se não gostou de nada, tem muitas outras lojas por aqui", mas não, fico sorrindo e enquanto isso a filha dela mexendo em tudo e me deixando doida, ao final depois de remexer tudo, achar tudo feio ela pega uma bolsa e diz: vou levar esta. Óbvio que pede desconto, afinal ela estava levando algo que não gostou. Depois de 10 minutos ela volta na loja e leva mais 2 bolsas para presente, no dia seguinte de novo e leva mais 3 bolsinhas de mão, não sem antes dizer que tudo era feio e nada era a cara dela. Vai entender?
Tem as clientes que deviam pagar por elogio, sabe? O tipo, ai que lindo, ai que fofo, ai que tudo, mas não levam nada. Existem também as meninas que vem com as mães e as coitadas tem que aprender uma aula de economia na minha loja: "Filha, se você comprar esta bolsinha, não vai ter dinheiro para comprar aquela canga que você gostou, é isso que você quer?" E eu lá, no meio do D. R. familiar.
Teve a cliente sem educação mor, que entrou na loja perguntou o preço e berrou "Nossa que caro!" eu muito fina e falando baixo disse olhando para ela "Nossa, que deselegante", saiu bufando mas deve ter se tocado, espero que sim.
Mas este universo de vendas é novo, muito novo para mim. Quando adolescente, nunca tive a minha fase de fazer um bico vendendo em loja de shopping.
Agora quando compro algo tento ser o mais simpática possível, pois sei a diferença que faz isso no final do dia de alguém, uma pessoa mal humorada pode significar péssimas vendas.
Por isso, meninas, sorriam para aquelas vendedoras bem mal humoradas, beijem as bem simpáticas, pois é dureza ficar 8 horas em pé trabalhando, viu? Por experiência própria!

PS. Ok, eu não fico 8 horas em pé trabalhando, fico sentada. E por 6 horas. E com o computador, jogando buraco. Ah! Não me faça confessar que nem trabalho tanto assim, vai?

domingo, 7 de novembro de 2010

Um minuto de silêncio

Que calor! Deve estar fazendo 40º na sombra hoje. Pelo menos. Por baixo. Que roupa eu coloco? Que roupa? Leve, fresca, jovial, feliz, que combine com minha lojinha. Ah! Que calor!
Esta saia de coração tão soltinha, uma regatinha cinza combina com meu novo cabelo ruivo. Já sabiam que estou ruiva? Pois bem. Estou bem assim. Arrasei. Vamos lá caminhar meus 2 km no sol para chegar na minha lojinha. Ah! que delícia, acertei na roupa, o cabelo curto, a bolsinha, estou linda!
Que calor, que brisa gostosa da praia. Olha ali uns surfistas, aposto que vão me passar uma cantada. Óbvio. Os surfistas me adoram, eles se conectam com uma surfista, que largou o surf, ok, por um mês surfista, para sempre surfista, este é meu lema de vida. Olha vão falar algo. Silêncio pensamentos quero ouvir a cantada sem vocês na minha cabeça me atordoando. Vai fazer bem para meu ego de trintona.
- Não interessa se ela é coroa panela velha é que faz comida boa.
Silêncio. Silêncio. Silêncio! Vamos não deixar comentários para este post. Ok? Hein?

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Somos 14


Seres felizes, que riem e latem.
Alguns ronrronam, outros rosnam.
Somos 14 de dia e de noite.
Somos aos poucos uma família feliz.
Somos sãos, mas nem sempre.
Somos loucos, raras vezes.
Somos 14 pelas minhas contas.
Exageramos, mas somos assim.
Exagerados, mas não incoerentes.
Somos 14 unidos pelo amor.
Unidos pelos mesmos gostos.
Eu gosto de praia, o Fuka também.
Sou sorridente, PTK também é.
Sou arteira, Zézinho, é, ô se é.
Somos 14. Renato cuida dos cachorros.
Eu cuido dos gatos, pois são 9.
Eram 10, consegui doar uma da ninhada.
Só uma? Virou Dorinha.
Vai ser feliz. Afinal ainda somos 9 felinos.
Na hora do almoço, somos 14, na hora de dormir, somos 12.
Na hora do banho, somos 5.
Na hora de amar, somos 1 só.
O amor é igual, sem balanças.
O amor é único, sem cobranças.
Somos um casal de humanos. Um trio canino e um eneágono de felinos.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Indagações de uma mulher que passou dos trinta e está bem sem assunto

A idade do turbante
Qual a idade exata que se perde a noção do que se pode ou não se pode usar? Qual a idade que é aceitável a pessoa sair na rua de turbante e achar tudo lindo? O cabelo acordou ruim? Turbante. O cabelo está sem pintar? Turbante. Não sei o que fazer para chamar a atenção? Turbante.
Vocês já repararam no número crescente de senhoras usando turbante? Isto está me intrigando. Muito. Muito mesmo.
Mas na verdade acho que é um misto de intriga com inveja, sabem? No fundo, eu queria acordar em um dia ruim com meu cabelo e colocar um turbante, queria mesmo. Até coloco um lencinho para ir à praia, tentando evitar virar loira (e não conseguindo, enfim, assunto para outro post), mas depois da praia sair de casa de turbante, seria muito simples. Seria perfeito. Quem aí pode começar a moda do turbante para pessoas que ainda não estão na terceira idade?

Guarda-chuva
Se você, minha leitora fiel, sempre achou, como eu, a coisa mais ridícula do mundo em um dia de sol, um ser vivo sair de casa de guarda-chuva para se proteger do sol, saibam que: aqui se faz, aqui se paga; não cospe para cima que cai na testa e outros bordões destes, etc, etc, etc.
Agora chamo guarda-chuva de sombrinha e, "ai" de você que ria de mim na rua. "Ai" de você que venha a me ignorar quando me ver assim, neste estado na rua, tentando não derreter, nem virar abóbora antes da meia noite. Que sol é este minha gente?

Quem é nordestino levante...
o pé. Que pé é este minha gente? Alguém me chame uma podóloga por favor?
Detalhe para a marca da havaiana...

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Caraca

Sempre que eu volto do Rio é assim: Caraca!!!
Chego a conclusões diversas sobre a vida. Concluo que os cariocas vivem tanto pois viver no Rio é muito bom, por isso é uma cidade com alta concentração de velhinhos por metro quadrado, no Rio, pegar a fila para idosos não faz vantagem nenhuma. Concluo que uma cidade com tanta gente bonita devia ser estudada, e fico achando que beleza é contagiante. Concluo que o carioca é quem sabe viver, faz terapia a céu aberto com uma vista impecável, então para que crises existênciais? E se o baixo astral "bater" a noite, pega um taxi até a Lapa e dance, dance muito sambinha de roda, crise? Que crise menino?
E por fim, concluo que sempre que a vida parecer que a gente é aquela jujuba branca, sem sabor nenhum, xoxa, sem graça, vale a pena investir em uma ponte aerea para passar 15 minutos no Rio, qualquer bairro serve, com uma saia nem tão curta, uma roupa nem tão boa, um cabelo nem tão lindo e mesmo assim, o carioca faz com que você se sinta a tal jujuba de cereja.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

É um trelelê

Casa nova é assim: menor que a outra, porém mais perto da praia, a obra ainda não está totalmente pronta, mas tínhamos que nos mudar, falta pintar, fazer o jardim, cercar a varanda para os gatos, fazer armários, trocar chuveiro, colocar tanque para lavar roupa, varal, janela na cozinha, mas vamos embora, precisamos nos mudar, leva gatos, quantos afina? 5? 6? e os filhotes que acabaram de abrir os olhinhos? Como abandonar? Vamos com um cachorro a menos, como faz falta, mas o quintal é pequeno, tem piscina no condomínio, depois da praia que delícia uma piscininha, tem asfalto, um luxo, acabou a vida cheia de terra e poeira, não preciso mais da minha galocha 7 léguas amarela, mas a maresia acaba com tudo aqui, usa computador, empacota, usa eletro doméstico, empacota, desempacota só o que tem onde guardar, opa, então vai ficar muita coisa na caixa, deixa em um quarto, mas só tem dois quartos, um com caixas e outro com um buraco no lugar da janela, ainda bem que parou de chover, coloca tela na janela da sala Zézinho vai pular para pegar gato, Fuka quer se refrescar na piscina, PTK não tem mais sofá para você. Liga o ventilador de teto, fogo, fogo, liga para o safado do eletricista, devia estar consertado isso, safado, esta cama é grande demais para aqui, coloca umas prateleiras no corredor, coloca uma sapateira no corredor, pra que tanto sapato? E louça? Onde fica a poltrona? Corredooooooooor. Pra que serve este copo? Martini? A gente nem toma Martini? Margarita oras. Onde guardo isso? Segura aí, já, já descubro. Para que 12 toalhas de mesa? Você guarda recibos de 2003? Ainda? E Este CD do Erinaldo? Fala sério, quem é Erinaldo? Ele cantava em um barzinho de Recife, lembra? Boina? Quem tem uma pasta só para telegramas que recebeu? Eu! Quem manda telegrama hoje em dia? É clássica, podemos um dia dizer e mostrar para as futuras gerações o que era telegrama, o que era máquina de calcular sem dígitos, o que era lupa, a coleção de moedas, somos uma família clássica amor. Clássica demais, tão clássica que você chama Baygon de Detefon. Chamo nada. Chama sim. Chamo nada. O que é aquilo ali na parede? Pega o Detefon, tem uma aranha aqui!

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Mariano sonha

Mariano é o jardineiro aqui de casa, ele vem todos os dias com seu jeitinho tímido. Um homem na casa dos 40, porém aparenta ter mais, deve ser o castigo da vida.
Mas, Mariano sonha. Ele planta mudinhas com carinho. Encontra flores pelo caminho e traz de presente para meu jardim. Ele corta a grama e fica feliz ao ver tudo aparado.
Mariano estuda, acabou de completar o 2º grau, não sei como se chama hoje em dia, mas ele se formou.
Mariano fala sem segurança, entendo muito pouco o que ele fala, mas ele sonha.
Pinta o cabelo de preto, bem preto para não entregar a idade que vem chegando. Ele é avô. Avô babão.
Mariano sonha, estuda italiano. Vai com sua bicicleta toda noite para a aula. E sonha. Sonha em arrumar um emprego fixo, mais digno. Vende balas na sua casa. Limpa meu jardim. Arruma uns bicos e sonha.
Às vezes ele se esquece de ir em casa pela manhã e aparece à tarde para dizer que sonhou. Sonhou com um emprego em Suape "Quem me dera, trabalhar lá". Ele sonha e vai atrás, se inscreveu para um curso de soldador, suas mãos simples que lidam com flores são brutas para tal. E terminar os estudos foi o primeiro passo para seu grande sonho acontecer, seu próximo passo, pelo pouco que entendi do seu jeito único de falar, com seus modos simples e de sua presença pura, foi. "Agora quero ser doutor". Mariano, continue sonhando, o mundo precisa de pessoas que não se acomodam.

sábado, 4 de setembro de 2010

E foi assim...


De repente meu marido me ligou e contou: "Amor, ganhamos uma filha, linda, Tróia vai morar com a gente". Eba. Sempre gostei dela. Tróia surgiu como um presente de grego dado aos meus sogros. Ela era de um criador que vendeu para uma fazenda e nesta fazenda ela foi muito judiada, a ponto de ficar em coma, ainda bebê, foi resgatada pelo criador, que pensou: que família é tão doida a ponto de adotar uma rotweiller cheia de cicatrizes que quase morreu, com displasia e isso tudo ainda com 6 meses de vida? E eles adotaram. O tempo passou e ela se tornou a grande tia da casa.
Quando eu dormia na casa da minha sogra, ela dormia embaixo da minha janela e várias vezes durante a noite, acordava com ela espiando se estava tudo bem comigo e com o Renato dentro do quarto, aí ela ficava tranquila e voltava a dormir, mas sempre verificava, aposto que pensando: "Vai que eles precisam de mim no meio da madrugada, vou checar se está tudo bem". E assim surgiu um amor de finais de semana e com os anos quando meus sogros se mudaram para um apartamento o convite foi feito. Topar? Muito topado. Amava já aquela coisa gorda, aquela minha "a la ursa" do olhar mais doce que existe.
E neste último ano aprendi a acordar e receber ela no meio das minhas pernas toda desengonçada me empurrando e me pisando para receber carinho antes de todo mundo, um bom dia bem delicado, típico de quem tem 40 kg, mas pensa que tem 40g.
Certo dia, no meio do nada, ela aparece me chamando para algo, eu sem entender vou colocar água e ela aflita me avisando, se requebrando, me empurrando, dou comida, deve ser fome, penso eu. Mas ela não pára de se remexer, me empurrar, dar narigadas, vou para o quintal e percebo que Zézinho (sempre Zézinho) não está lá, e chamo: "Zézinhooooooo...." Quando digo o nome dele, Tróia ficou tão feliz, mas tão feliz que tinha conseguido se comunicar que só depois de 5 minutos de carinho ela me deixou sair para procurar o cachorro fugitivo. Esta era Tróia. Alegrando minha casa. Me deixando ser sua mãe em seu último ano de vida.
No seu aniversário de 10 anos, fiz linguiça para ela e dei uma inteira de presente. Dava banho e ela se exibia. Caçava mariposas. Provocava. Abraçava o pote de comida para o sapo ou os passarinhos não pegarem. Dava ossinho e ela roubava de todos sorrateiramente, com olhar doce de sempre. Quando recebia carinho, ela entendia como era especial.
Nesta quinta-feira ela se foi, finalizando uma vida plena, deixando um vazio imenso, mesmo em uma casa cheia de vida.
Obrigada Tróia por deixar a minha vida mais feliz. obrigada por amar meus filhos como se fossem seus. Obrigada pela docilidade, amizade, cumplicidade, amor e acima de tudo lealdade. Obrigada por deixar eu ser sua amiga.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Ser ou não ser

Estava vendo aí na lateralzinha do blog "quem sou eu". Puxa que pergunta difícil de responder, esta definição ao lado foi por um tempo completa, mas hoje não me competa mais, afinal, não como mais Nutella com bisnaguinhas, nem tenho uma solidão acompanhada, muito menos sou absurdinha hoje em dia, mas continuo amando mais escrever que ser designer.
Faz uma semana que me pergunto, quem sou eu para definir aí no cantinho do blog? Hum? Que dúvida. Mas vou tentar responder hoje e de hoje não passa. Quem sou eu?
Muito prazer, meu nome é Renata, alguns me chama de Regina e eu não corrijo, sou muito debochada para tal, moro em Porto de Galinhas, mas sou carioca de nascença e paulista de coração. Sou casada com um Renato, sagitariano como eu, somos muitos diferentes em algumas coisas, mas iguaizinhos em outras, somos doidos por animais ele não mata nem barata, eu sou menos radical. Moro aqui perto do mar, pertinho, tentamos virar surfistas, mas depois dos 30 a coordenação motora nos abandonou, virei costureira de bolsinhas, abri uma loja chamada Fricotes e vou tentar sobreviver dela, adotei 5 gatos de rua (Tom, Pudim, Biscoitinha, Little e Mini) e outros tantos me seguem. Tenho 4 cachorros, destaque especial para o Zézinho que rende muitos fios de cabelo branco nesta cabeça com mais de 30. Amo minha PTK (a princesa da casa), meu Fukinha (o nerd da família) e minha Tróia (mas conhecida como "a la ursa"). Tenho uma vida feliz com poucos amigos, porém sinceros, com muitas saudades dos que se foram porém sigo em frente. Sou corajosa, disso eu sei, vou onde posso encontrar minha felicidade sem medir esforços. Mudo de vida sem virar a cabeça para olhar para trás, só olho de rabo de olho, pois nada é para sempre neste mundo. Tenho uma mãe que é um personagem à parte na minha vida, Dona Silvia rende muitos posts. Ela chama as pessoas chatas de enólogas e as muitos chatas de Ed Motta. Tenho uma irmã que sinto muita falta dela por perto no dia-a-dia. Tenho um afilhado lindo e uma afilhada maravilhosa. Não tenho filhos, ainda. Amo escrever. Amo sonhar com meu pai. Queria sonhar mais. Sou devota de São Fransisco, mas nunca vou a igreja, não acredito em rituais nem em verdades absolutas. Não acredito em quem prega com palavras e não com atitudes. Acredito em ações. Acredito em educação. Acredito que a cada dia a vida pode ser melhor se existe amor. E eu vivo uma vida cheia de amor, lambidas e ronrons todos os dias.
Será que isso resume? Posso mudar o textinho ali do lado?

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

E ela achou bonito?


Jura que este é o novo padrão de beleza? Ela achou bonito e colocou silicone neste pequeno bumbum? Ela está achando que está bem assim? Bem natural ficou, não é mesmo? Eu processava este médico, e mais, olha a cara de sem graça do doutor cirurgião plástico que fez esta proeza.

Foto: tedouumdado

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Ah! Se eu te pego

Tem algum Santo lá no céu, que eu me recuso a dizer o nome, que anda gargalhando de mim, só pode ser. Já fiz várias reclamações dele aqui no blog, mas parece que ele não lê. E a cada dia que passa ele acha uma maneira de aprontar comigo.
Segue um diálogo real de minha parte, porém imaginário da parte da Mel, uma gata de rua safada.
- Oi Melzinha, bom dia, fazia tempo que eu não te via. Que barriga é esta? Está de quantos meses, hein?
- É sua humana estúpida, estou exatamente de 2 meses e hoje é o grande dia em que vão nascer seus filhotes.
Como não ouço o que ela fala, continuo na minha doce investida felina.
- Puxa Melzinha, come bastante para ficar forte. Pena que semana que vem eu vou me mudar de casa, senão eu tomava conta dos sesu filhos quando você trouxesse para mim.
- Ah! vai sonhando, humana, eu vou trazê-los para cá hoje mesmo.
- Lindinha, quer águinha fresca, entra, vou te colocar na pia para beber. Assim. Gostosa, né?
- Perfeito humana, tudo o que eu queria antes de parir era você apertando minha barriga para me colocar na pia.
- Isso, descansa um pouco antes de voltar para as ruas, eu já volto.
- Vai e traga toalhas quentes.
Minutos depois...
- Oi Melzinha, você não vai embora não? É? Quer conforto, quer ficar na minha cama um pouco, tadinha, está calor para você voltar para as ruas, né?
- Não sua estúpida humanóide, estou em trabalho de parto.
- Ah! Meu Deus, você não vai ter filho aqui, peloamordedeus, putaqueopariu. Na minha cama NÃO! No meu armário também NÃO, deita nesta caixinha.
- Trouxe as toalhas quentes?
Horas depois...
- E aí Melzinha, quantos filhotinhos são, posso contar? 1, 2, 3, 4, 5 e 6... Puxa caprichou hein? Dois loiros e quarto branquinhos malhadinhos. Vamos trocar de toalhinha para você descansar bem confortável.
- Ah! É bom ter esta humana estúpida por perto para me mimar.
Ainda te pego, viu seu Santo que eu não vou dizer o nome...

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Jacarézinho, avião, cuidado com o disco voador, tira esta escada daí

Nunca Jorge Ben Jor fez tanto sentido para mim, para vocês que acham que ele fala coisas desconexas é porque você nunca foi síndico de nada. Chame o síndico!!! Ops, a síndica.
Virei síndica da Galeria que tenho loja, não, não tenho pretenções políticas na vida, nem estou começando de baixo uma carreira brilhante no trato com o público, foi mesmo para economizar uns trocados, duros e sofridos trocados.
- Dona Renata, eu não limpo banheiro. - me fala o segurança noturno pela primeira vez.
- Odiei esta música.
- Renata, uma criancinha vomitou no corredor.
- Falta papel no banheiro.
- Tem gente chorando na mesa com este cantor, mande ele parar.
- Dona Renata, eu não limpo banheiro. - me fala o segurança noturno pela segunda vez em menos de 5 minutos.
- Passou um rato a noite pela Galeria.
- Porque você não contrata um saxofonista, tenho um ótimo por mil reais.
- Ah! Não vou pagar o condomínio pela loja que está fechada.
- Este cantor devia cobrar cinco reais por semana.
- Esta rua está escura.
- A planta vai morrer.
- Precisa de terra boa.
- Fertilizante.
- Não, ela tem que mudar de lugar.
- Dona Renata, eu não limpo banheiro. - me fala o segurança noturno pela terceira vez em exatos 2 minutos e meio.
- Esta mesa está no sol.
- Está chovendo muito.
- Lá em cima está sujo.
- O meu vizinho ligou a furadeira.
- Não quero pagar em dinheiro o condomínio.
- Ah! Corta o músico.
- Contrata um trio de jazz, tenho um por dois mil reais.
- Hoje é folga do vigia.
- Dona Renata, eu não limpo banheiro. - me fala o segurança noturno pela quarta vez em 1 minuto.
- Ô Seu segurança, vai limpar banheiro e não me encha? Vai?
Virei a Tim Maia da história, parecendo uma doida, desconexa, desengonçada, dançando sem ritmo, fugindo do compasso e pedindo arrego. Achando que vi mesmo um disco voador. Chamem o síndico!!!

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Meu nome é Renata


Nos anos 70 era moda usar colar com nome, de ouro sempre, com a escrita bem fininha. Minha irmã tinha um, eu não. Eu tinha uma pulseirinha gravada com meu nome, tive que me contentar com ela por poucos anos, pois o braço engrossou, a pulseirinha nunca mais coube em mim, aí, minha mãe me deu um anel que tinha meu nome, usei por uns anos até meu dedo engordar e nunca mais o anel coube nem no dedinho mindinho. Depois minha mãe me deu um colar que ela usava que era uma bonequinha com meu nome, mas todo mundo me perguntava se eu tinha uma filha, ninguém nem lia que estava escritro Renata. Enquanto isso, nestes anos todos, minha irmã tinha o nome dela, lindo, de ouro, ela nunca usava, acho que nunca usou para falar a verdade.
Até que no meu aniversário, minha mãe me deu o meu sonho de infância, meu nome gravado no colar. Ah! É tão anos 70. Adorei.
E sabe o que percebi tendo agora meu nome em mim "a la" Carrie? Que as pessoas se tornam suas amigas. As pessoas sabem seu nome, na fila do banco, na padaria, na loja, na praia, e te tratam como amigas. Achei ótimo analisar que se soubéssemos os nomes das pessoas o mundo se tornaria mais simpático. Seria como aquelas festas que vemos nos filmes americanos, onde colocam um adesivo com o nome na roupa. É muito mais simpático ter o colar. Todo mundo me chama pelo nome agora, até mesmo quem eu não conheço, e eu adoro isso.
Outro dia estava no shopping na fila do banheiro e passa por mim uma moça com o nome no colar. Ela me fala "Oi Renata", eu sem graça tive que para uns segundos para conseguir ler, depois de muito esforço, vi que nem para todos este colarzinho serve. Quem se chama Rosylmary? É, com dois"ipslongs". E com "L" no meio. Quem?

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Cuidado com a Cuca, Que a Cuca te pega e pega daqui e pega de lá

Quando criança, morria de medo da Cuca do Sítio do Pica Pau Amarelo, tinha tanto medo que uma babá que eu tinha chamava minha irmã de Cuca e eu de Fofinha, tadinha da minha irmã, deve ter sido traumático. Lembro que nossas canecas tinham escrito Cuca e Fofa. Bem, este não é um post sobre bicho papão da infância, aliás, nem sei porque comecei falando sobre a coitada da Cuca e da minha irmã. O assunto é sim assustador, mas de outro programa infantil que ilustrava os palcos da Rainha dos Baixinhos, é, a dengue.
Pense na pior dor de cabeça do mundo, some enjoo, dor por todos os cantinhos do corpo, isto é a Cuca, ops a Dengue. E depois de 5 dias, você já se acostumando com tudo de ruim no mundo vem a pior parte: a coceira.
Tudo aquilo que antes doía, passa a coçar, coça, coça, coça muito e de repente você percebe que tem 3 joelhos, dedos do tamanho de coxas, pés de pata, coça, coça e corre para o postinho médico da cidade.
- Doutor, tire esta coceira de mim!
(abre parênteses) Em Porto não existe hospital, apenas este postinho médico com um doutor delicado e simpático como, como, deixa eu pensar o que, como a Cuca. Isto, doutor que parece a Cuca de tão delicado em sua roupinha verde e seu chinelão (fecha parênteses).
- Precisa tomar injeção.
- Ah! Mais injeção, doutor? Dói muito? - pergunto já calejada de tanta dor.
- Você já teve menino? - pergunta o doutor Cuca.
- Não.
- Você já teve cólica renal? - pergunta novamente o doutor Cuca.
- Não!!!
- Então você vai descobrir o que é dor.
Passando o momento delicadeza do doutor Cuca espantando a criancinha que tem medo de injeção, senti sim, uma dor como de quem teve um menino com cólica renal e 3 dias depois a coceira passou.
Agora digo. Se você acha que teve gripes fortes, doenças chatas, viroses insuportáveis, é porque você não teve a dengue. Cuidado mesmo. Pois a Cuca te pega daqui e te pega de lá.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Cansado da propaganda das Casas Bahia?

A vida pode ser difícil, viu gente? Fica o conselho. Eu odiava ver os comerciais das Casas Bahia a cada intervalo, com sua narração berrenta, eu pensava: Não, nada pode ser pior do que ver este conjunto de sofá de "chenille", nem esta cozinha Veneza que vem com a mesinha de mármore de graça com 4 cadeiras, nada pode piorar no mundo. Mas pode ser pior e muito. No canal aberto ando sentindo falta do Boa Noite bonitinha, Boa Noite bonitinho do sempre elegante Ronnie Von, ver os lançamentos da Marlene Enxovais. Ai que saudades. Bons tempos eram aqueles. Os canais abertos daqui são de programações locais, existe o programa Cardinô, que se eu contar aqui o tema central do programa de hoje vocês vão pensar, não, lá vem ela falar mal de Nordestino, não, não darei este gostinho para as pessoas de plantão loucas para brigar comigo. Mas o bom dos canais locais é que tudo surpreende de repente, faz você perder o ar, o chão, o norte, os valores, o cérebro e perceber, que hoje um Boa Noite bonitinha seria incrível até mesmo naquele dia que o programa só mostra coisas de seguros, ou da nutricionista gordinha dando dicas de dieta, ou ainda das histórias do botânico, cantor, apresentador, empresário, decorador e modesto Ronnie. Queria ilustrar o que eu falo, pois com palavras não saberia me expressar e procurei incansávelmente o comercial das Tintura Marcia, mas não achei, triste, só quem pega a Globo Nordeste sabe o que estou falando. Mostra uma moça de cabelos longos e pretos lindos. Ela sacode o cabelo para um lado para o outro, com um figurino de deixar qualquer cantora de Calypso doida para descobrir quem fez aquela roupinha tão sexy, até aí tudo bem se na cena final não aparecesse um gay esteriotipado dizendo: A Marcia abalou. E fim. Mas lembrei de uma outra propaganda que para mim resume bem o tamanho da minha indignação. Não sei linkar vídeo direto do youtube aqui, por isso copiei o link, por favor abram e me dizem se eu não tenho razão para sentir falta até dos canais abertos paulistanos, e se alguém entender o sentido desta propaganda existir, podem me contar a história dela, o sentido, o brifing inicial, o target, ou algo que me mostre que minha mente pouco criativa não captou. Divirtam-se e lembrem-se: se a gente acha que já viu tudo no mundo, a vida reserva surpresas...

http://www.youtube.com/watch?v=mqYkUu6BSL4

Nota da blogueira: a saudades de Ronnie é sincera.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Fricoteira


Realmente eu achava que a minha vida já estava mudada demais, estava cheia de novos cheiros, novas cores, novos amores, novos sons, novas amizades...
E estava adorando a vida de dona de casa e dos meus peludos, sem nada para fazer o dia todo a não ser cuidar da grama, do sol, da maré, das ondas desta vida de surfista, mas de repente tudo muda de novo e ainda nem me acostumei com a vida antiga e já vem uma nova? Mas já?
Mas é com imensa alegria que comunico que abri uma loja aqui em Porto. Uma lojinha de peças minhas criadas com uma grande amiga que fiz aqui, a Cássia, minha professora, amiga, fiel escudeira e agora minha costureira oficial.
A minha lojinha se chama Fricotes, pois ela é cheia de fricotinhos para todos os gostos, bolsinhas de tecido, kits de viagem, lixinhos de carro, jogo americano, linha pet... tudo feito com o maior amor para encantar os turistas que por aqui passam e quem sabe, ainda faturar algum trocado, né?
Em breve farei a lojinha virtual da Fricotes para quem está longe poder comprar e compartilhar desta nova fase da minha vida. Quem vier para Porto, não se esqueça de passar lá e tomar um cafézinho comigo. Fica no Shopping novo, bem no calçadão, o calçadão único da cidade, não tem erro.
Que esta nova fase venha repleta de sonhos realizados e amigos velhos e novos para dividir sempre as coisas importantes.

PS. Ainda falta ar condicionado, tapetinho, letreiro, cartãozinho... Vou mostrando depois as fotos quando for atualizando a loja, tá?

terça-feira, 6 de julho de 2010

Filha, acorda, filha você está bem?

Aaaaaaaaaaaaahhhh!!!!! Acordei com o maior berro do mundo, no susto, quase infartando. Mas vamos rebobinar a cena?
Certo dia, eu estava dormindo tranquila no meu quarto rosa da casa dos meus pais, meu quarto cheio de flores na parede, barulhinho de vento, tudo de bom, quando acordo com a voz da minha mãe me chamando "filha, acorda, filha, você está bem?" Eu vou acordando, o som sai do sonho, percebo que é real e abro os olhos e me deparo com a seguinte cena: meu pai segurando uma vela iluminando o rosto dele e minha mãe mais a frente me tocando. Eu berro, lógico que eu berro, muito e alto, minha mãe percebendo a falta de noção tenta explicar "Filha, é que faltou luz, vim ver se você está bem?". Eu ainda com o coração na boca, assustada, semi infartada, tentando entender a lógica familiar. "Tô, tô, tô sim".
Hoje eu lembro desta cena com muitas saudades, saudades de um tempo em que eu era tão querida que alguém se preocupava até sem ter sentido algum. Que falta faz para alguém que está dormindo a luz? Eu durmo sem ar condicionado, sem TV ligada, sem ventilador, sem nada que possa vir a fazer falta na hora do sono. Passei dias rindo deles.
Domingo a tarde choveu forte. Por uns segundos lembrei desta cena, fiquei rindo. Rindo do super protecionismo, rindo do mimo excessivo, rindo da ideia de girico dos dois. E a noite, faltou luz. Ficou tudo muito escuro. Muito silencioso. Eu ainda estava acordada, sem nenhuma luz de celular por perto, ou luz de vela para acender. Aprendi que nunca mais alguém vai iluminar meu sono. E isso é ser gente grande? Enfrentar o escuro sozinha? Até que achei uma luz de emergência que meu pai me deu, apertei o botão e saí do escuro, com uma vontade louca de chorar, berrar, rir, acreditar que para ele, eu ainda sou aquela que dorme no quarto florido e que precisa ser salva da escuridão.

sábado, 3 de julho de 2010

Mãe natureza

Nunca tinha reparado que a dama da noite floreia um dia antes da lua cheia, todo mês. Aliás na lua cheia a maré fica bem vazia e dá para ver todos os corais para fora, mas também quando a maré enche, a praia some.
Quando chove os mosquitos aparecem mais, as pererecas também, e o sapo gordo que mora no jardim, fica feliz. E normalmente chove mais na lua cheia.
Na lua cheia o Zézinho foge mais de casa. Os gatos ficam mais eufóricos. Brigam mais.
Faz tempo que não vejo o morcego que mora no portão de casa, chamo ele de Alberto, mas é lua cheia, ele deve aparecer hoje.
As lagartixas, já contei que tenho 2 lagartixas? Dorothy e Cristina, ficam mais felizes em dias de chuva, pois além dos pernilongos aparecem aquele bichinho de luz, mas com asas pretas, um monte.
Se a vida é regida pela lua cheia, vivemos 3 semanas por mês à deriva esperando a lua encher? Sem a lua o que aconteceria? A vida continua, as marés enchem, minguam, chove menos, Zézinho fica mais calmo, Dorothy não briga com Cristina... Mas na lua cheia tudo muda. Todos ganham vidas diferentes, é estranho.
Gosto de imaginar que quando saí da cidade grande, perdi muitas coisas, mas ganhei a mãe natureza me ensinando que fazemos parte de algo que não tem concreto, abri meu olhar para outras coisas que nunca antes foram explicadas para mim, menina de cidade grande, aprendendo aos 35 anos que na lua cheia as flores florecem, os animais se animam e a noite fica encantada.