domingo, 15 de novembro de 2009

Abaixo a caretice

Uma moça de 20 anos, sai de casa para ir para a faculdade, coloca a sua mini saia rosa, entra em uma universidade paulista e é ovacionada como uma mulher a frente do seu tempo, é da turma dos que formam opinião, dos que se rebelam, dos que pensam, agem, entram em luta contra a ditadura e a opressão.
Esta moça, sabe que em uma universidade se aprende a confrontar, a pensar, a diversificar os conhecimentos e as escolhas, elas foram criadas para formar mentes para o futuro e esta moça, sabe disso.
Estamos nos anos 60, onde muitas meninas disseram que não queriam mais fazer apenas o curso "normal" para serem professoras primárias, queriam ser cientistas, astronautas, engenheiras, médicas, para acompanhar toda esta liberação usavam mini saia, biquini ousado de duas peças, se libertaram das funções de esposas e donas de casa. A mini saia era apenas um reflexo disso. Não é sua roupa que dizia quem era esta moça de 20 anos, era a atitude, uma consequência, ela pode vestir o que quiser, ela se libertou, ela estuda, ela fuma, ela faz sexo sem casar, ela lê Sartre, ela tem opinião.
50 anos depois, outra moça de 20 anos não pode mais usar sua mini saia em uma universidade sem causar outra comoção nacional, sem ser vaiada e xingada, estamos falando ainda de uma mini saia? Não. É mais que isso que a moça da Uniban enfrentou. Neste país tropical que na TV vemos dançarinas de funk dançando para closes de câmeras quase ginecológicas, vemos homens de terno e gravata matando e roubando e lindas moças de tailler sonegando impostos absurdos incentivando contrabandos, aquela moça de 20 anos que usou uma simples mini saia rosa em 2009 foi pagar o pato por que mesmo?
Será que agora nas universidades mulheres terão que vestir uniformes? Mulheres vão se masculinizar ainda mais para poderem ser respeitadas?
Uma mini saia causou sim uma revolução para nós mulheres, uma boa revolução no passado, esta nova revolução que veio agora, eu não quero fazer parte, não quero acreditar que a cabeça dos jovens de hoje julguem uma pessoa pela roupa que veste, não quero viver em um mundo que o futuro estará nas mãos de pessoas que condenam e absolvem com o preconecito e a caretice como armas.
Quero continuar a usar a minha mini saia rosa, aos 35, 40, 45 anos sem que alguém tenha alguma coisa a ver com isso. Quero acreditar que a juventude não vai se encaretar ainda mais, pois jovem que não ousa nem inova e apenas recrimina vai melhorar em que o nosso futuro?
Abaixo a caretice!!!

13 comentários:

Cláudia disse...

Foi mesmo uma coisa absurda, até porque o motivo era errado: deviam ter execrado a menina pelo mau gosto e não pelo comprimento da saia, que nem era tão curta assim.
Puta vestidinho brega...

Brincadeiras à parte, a história só piora: ela já fez um megahair, começa a aparecer nos programas de TV e dizer que a Playboy quer que ela pose nua. O foco da questão já se perdeu e a coisa virou um obaoba geral.

Se duvidar, ela estará na próxima edição de A Fazenda, já que virou subcelebridade.

Disso tudo, eu repito o que já disse há anos: tá cada vez mais complicado dizer pra sua filha que para vencer na vida é preciso muito estudo, trabalho, dedicação. Os exemplos mostrados pela mídia são cada vez mais pífios.

beijo

Bel disse...

Excelente o post. Esse tipo de acontecimento tem que servir para alguma coisa boa: gerar reflexão. Não pode passar despercebido não!! Bjos.

Nade disse...

Assino embaixo!
Ontem mesmo ela estava no Altas Horas e ainda assim ela era critcada por usar o tal vestido curto...
Quanta hipocrisia!
Cadê a liberdade que tanto as Universidades pregam?
Que horror!
Bjs

Denise do Egito disse...


Vou parafrasear uma charge ótima de um cartunista que adoro, o Bruno Drummond. Um rapaz e uma moça se olham. Ele diz:
- Esse seu vestido nos ofende.
- Por quê? - ela pergunta.
- Porque dá pra ver tudo!
- Tudo o quê?
- O preconceito, o machismo, a hipocrisia, a discriminação, a intolerância...

Repare que o cartunista pôs uma reticências, ou seja, há muito mais coisa negativa e cruel envolvida.
Beijos e boa semana

Roberta disse...

Concordo Re!

Como fazer o novo sem ousar!Como evoluir se continuamos com esses preconceitos? Com esse pensamento empobrecido..

Beijos!

MH disse...

Pois é. Tá certo que a menina parece mesmo só querer chamar atenção, e não deve ser assim "flor que se cheire". Mas NADA justifica a palhaçada que aconteceu na faculdade, e menos ainda a reação da própria, de expulsar a garota - só para readmiti-la depois. E ainda tenho que ouvir jovenzinhos pseudo-sérios se justificando, dizendo que ali é um local de estudos, estão lá para estudar. Sei. E desde quando esse é o único papel da universidade? No meu "tempo" a gente ia tanto ou mais pela vida social, os estudos eram só parte do pacote...

mas, enfim, cansei dessa história. Cada um que se vista como quer, que é um direito adquirido e isso ninguém nos tira!

ANNA disse...

Eu fiz faculdade de engenharia, na minha turma e em todas as outras da faculdade, praticamente só homens. Nunca fui para a faculdade de saia, aliás nem de shorts. No máximo uma calça capri! Mas isso porque EU não me sentia bem de saia subindo a rampa que levava ao bloco de engenharia num local cheio de homens, isso era uma opção minha.
Não podem criticar a moça por usar saia, seja curta, seja longa... Cada um usa o que quer.
Não é adequado, isto para mim é FATO!
Mas se ela se sente bem assim... pq é que os outros têm que se ofender?
Cada um com seus problemas!

beijo pra vc minha amiga querida
urbAnna

Vivi disse...

Concordo com a Urbana. Acho que cada um usa o que quer e que existe sim roupas mais ou menos adequadas...
Na minha faculdade, por ex, os professores exigiam uma postura...
Mas é tb lógico que saindo da aula, vamos pra bares, festas e etc...
E que ninguém tem o direito de punir alguém por causa da roupa. Isso é ridículo...

No fim, a mocinha tá adorando o que ocorreu. Aposto. Saiu na Veja, vai sair na Playboy provavelmente e quem sabe virar atriz, com sorte.
...
Ridículo.
Bjs.
(Rê, saudades de vc. Agora sou eu q não te viu mais no msn!)

Isa disse...

Não sei...os dois lados dessa moeda me incomodam.
A intolerância ridícula e demasiada e a cara de pau da menina de se aproveitar dessa situação pra virar "famosa".
Concordo com vc abaixo a hipocrisia!Droga de mundo com valores invertidos...
bjs.

Daniel Ribeiro disse...

Lá na universidade Uniban, que pode ser chamada de Taliban, o que deve ter acontecido foi que uma mulher feia de doer, ficou com ciúmes porque o namorado, feio de doer, olhou para as pernas da pobre menina, e como somos todos gado, quando uma começou a agitação, o resto foi atrás, como todo bom ser humano faz, sem nem saber o que está acontecendo.

Ana disse...

Ta, vamos combinar que a menina é brega, feia e aquele vestido pelamor! E que ela quer mais é os 15 minutos de fama mesmo. Mas nada justifica o que aconteceu. E a postura da universidade entao, foi a pior possivel.
Aposto que muita gente ali que foi pra cima dela por causa do vestido vai pro banheiro cheirar cocaina, fumar maconha, durante a aula!

Let´s disse...

Minha mãe se CASOU com um minivestido rosa. Em plena ditadura militar, no início da década de 70. Em frente a um padre de uma cidade do interior. Quase 40anos separam um vestido do outro. Quem iria imaginar o caso Geisy. Simone de Beauvoir sempre estará certa, mas Andy Warhol também.
Bjos!

Dedinhos Nervosos disse...

Rê, eu fiquei besta quando soube dessa confusão. Não consegui acreditar que tamanho absurdo pudesse acontecer numa faculdade. Mas eu ainda acho que alguma graça ela fez para causar tamanho alvoroço hahaha

Ahhh, antigamente as mulheres usavam as roupas também como um símbolo de protesto e mostrar que estavam a frente do tempo. Que queriam ser mais do que "normistas". Hoje em dia quem aparece muito por causa de roupas assim vai parar é na mídia. ai, ai...

Beijos e saudades!