terça-feira, 12 de setembro de 2006

Aurélio Buarque de Holanda Ferreira

Durante a minha infância ficava muito tempo na casa da minha tia Helena, adorava ficar lá, eu era bem mimada por ela, depois me mudei para São Paulo e só ficava na casa dela durante as férias. O que me lembro bem dessa época eram das dúvidas de português além do rádio sempre ligado no futebol.
Perguntava para ela: - Tia, como se escreve casa ou o que significa honorário?
Ela mais que rapidamente pegava o telefone e ligava para o Aurélio, é o dono do dicionário, sabia o número de cor. Sempre me perguntei porque ela não fazia como a minha mãe, pegava o dicionário de papel e me explicava, mas não… algum dia ela deve ter conseguido o telefone dele e ele se arrependeu amargamente disso, pois todos os dias ela tirava dúvidas com ele e ficavam discutindo a língua portuguesa.
Quando ela fazia palavras cruzadas então, eram horas no telefone.
Às vezes estou fazendo as minhas palavras cruzadas, pois isso é um hábito de família e imagino a falta que faz eu ter o telefone do Aurélio.
Pena que ele morreu em 89, senão esta seria a herança que pediria para minha tia.

2 comentários:

Pinho disse...

Depois vc diz que tua familia é excentrica rsrss
Coitado do Aurelio

Renato disse...

Mô.....
Nego-me à redigir quaisquer comentário à respeito desse penoso fato.
É com veemência que afirmo que o Santo Aurélio tem seu lugar ao lado direito do Divino.