segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

Ser carioca

Fui para o Rio passar o final de semana e ser madrinha de casamento de uma amiga que tenho desde que nasci e voltei meio nostálgica.
O Rio tem seu charme malandro, sua praia lotada, suas ruas com pedrinhas portuguesas, sua improvisação permanente. E isso me encanta.
Vejo no Rio a casa cheia de jovens, cheia de histórias antigas. Casa que nasci, cantinhos que aprendi a amar, mesa de jogar buraco com gavetas secretas, escritório que virava minha casa na infância. Cada livro da estante já foi meu brinquedo, o teto de flores me faz acordar achando que ainda sou criança e as campainhas espalhadas pela casa me lembram uma época feliz. A casa não é mas da minha tia querida, mas é da minha prima, tão querida quanto. O piano no canto da sala, quase sem uso, a minha foto com minha irmã na varanda, o número 174 arrancado da parede da última casa, o dia de montar a árvore de Natal, os enfeites iguais aos da minha infância. As lembranças das pessoas que passaram por lá continuam fazendo daquele lugar em Copacabana, o refúgio da família.
Por lá descubro histórias da época da boemia da família e que em cada geração se renova esta veia para a jogatina nas noites intermináveis, para as bebidas nas noites em que só se chega em casa quando o sol nasce. E quantos sóis vimos nascer na Rua Figueredo Magalhães…
Saudades do rádio ligado a noite toda, da Giovana fazendo empadinhas, a voz rouca da minha avó, o meu tio vestido de Chacrinha só para me fazer feliz, saudades de acompanhar da janela o crescimento das crianças vizinhas, jogar papel picado pela janela no último dia do ano e outras coisas que não voltam.
O charme carioca de aplaudir o pôr-do-sol permanece vivo para nós cariocas mesmo diante de tantas coisas feias, tantas maldades que fizeram com aquele cantinho mágico do mundo. E apesar de tudo, fico com as lembranças que são só minhas, da infância e a certeza que um dia volto para lá.

7 comentários:

Anônimo disse...

Tb estou um pouco nostálgica hoje... porque os tempos bons passam tão depressa? Por que essa saudade doída da infância? Sei lá... só sei que dói.
Beijos.

Re disse...

É Ana, nostalgia é meu nome sempre que volto do Rio... Mas, daqui a 20 dias estarei lá de novo. Pelo menos por uns dias. bjs e saudades de vc. Re

Pinho disse...

Nossa Re que texto lindo, realmente a nostalgia te faz bem.
Tbem como nao se sentir bem no ap da Heleninha, aquele lugar é magico, mesmo tendo ido poucas vezes ate eu me sinto nostalgico ao lembrar de la
bjs

Re disse...

Nostalgia faz bem às vezes.

Anônimo disse...

Noossa, que nostalgia mesmo...
eu sou nostálgico de são paulo, onde ainda estou, imagina se tivesse passado tanto tempo longe !

Outro dia assisti "o ano em que meus pais tiraram férias", assistiu ? Se não, recomendo fortemente. É a "sua cara" !
Bjs,
Ricardo

Anônimo disse...

Ela é carioca, ela é carioca
Basta o jeitinho dela andar ...

Tom Jobim e Vinícius são a glória eterna de um Rio que não volta mais !

Bjs,

Ricardo

Cláudia disse...

Adoro o Rio e você descreveu bem o que encanta naquela cidade.
beijo